Belchior disse o tempo todo que algo não ia bem (Texto do jornalista Julio Maria, do Jornal O Estado de São Paulo)

Antes mesmo de desaparecer, seu repertório e seu comportamento davam sinais de alerta

(Texto do jornalista Julio Maria – Jornal O Estado de São Paulo)

O musico Belchior no programa PONTO DE ENCONTRO da tv Cultura. Domingo 02/09/1979. FOTO DIVULGAÇÃO.

O musico Belchior no programa PONTO DE ENCONTRO da tv Cultura. Domingo 02/09/1979. FOTO DIVULGAÇÃO.

Belchior deixou sempre muito evidente que estava sofrendo.

Uma angústia representada em suas letras e em seu comportamento, mesmo quando a carreira atingia o que poderia considerar picos de sucesso. Caetano, Gil, Zé Ramalho, Fagner, Djavan, Tom Zé, Milton Nascimento, Dominguinhos.

De todos os emigrantes que procuraram as ‘mecas’ Rio-São Paulo para serem alguém de 1960 para 1970, Belchior foi o único que sentiria um impacto emocional irreversível.

A selvageria mercantilista, para ele, era um mal a ser combatido e ele, logo ele, acabaria também vendido a ela no momento em que assinasse com uma grande gravadora.

Na gênese de Belchior, a quem os mais próximos chamavam de Bel, não está a música, mas a filosofia. Enquanto o samba-jazz ainda fervia no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro, e Tom Jobim, João Gilberto, Carlos Lira e Luiz Bonfá davam adeus à primeira fase da Bossa Nova com um espetáculo no Carnegie Hall, de Nova York, Belchior lia Sócrates e Platão no curso de Filosofia na universidade em Fortaleza. Sua vida acadêmica ainda passaria pela Medicina antes de ser abandonada, assim que a turma de conterrâneos que tinha Fagner e Ednardo, conhecida depois como Pessoal do Ceará, cruzasse seu caminho.

Bel era considerado o estranho, o fechado, o imprevisível. Metódico, preferia ler a sair com amigos e tinha uma relação de distanciamento com o dinheiro, principalmente quando alguma nota deveria sair da própria carteira. Devia de quantias irrisórias que pedia emprestado a amigos ou que precisava pagar ao pedreiro a grandes volumes, como as contas dos dois automóveis que abandonou em São Paulo, um deles, no estacionamento do Aeroporto de Congonhas.

Belchior cansou, e seria redutor imaginar que desapareceu nos últimos dez anos para fugir das dívidas. Se assim fosse, teria aceitado oferta de empresários que quiseram pagar suas contas para que ele voltasse aos palcos. Ou aceitado a proposta vultosa de uma montadora de carros que o queria como garoto propaganda dizendo, ao volante, algo como “com um carro desses, até eu volto”. Era melhor viver de favores em um asilo, escondido no interior do País.

O único artista que pratica o auto-exílio na história da música brasileira, fugindo de si mesmo, de um personagem que não aceita mais, era um angustiado, como fez questão de cantar muitas vezes. A palavra “medo” era recorrente em sua obra, principalmente desde o irretocável Alucinação, de 1976.

Ao saber de sua partida, o pesquisador Zuza Homem de Mello faz questão de ligar para a reportagem para dizer o que sente sobre Belchior: “Ele foi um dos mais cultos artistas da MPB. Possuia uma importância extraordinária no pop sobretudo pela canção ‘Como Nossos Pais’. Aquilo foi uma relevação, e ele colocou o tema de maneria extraordinária. Elis Regina teve a percepção disso ao escolher a música para lançá-la no Falso Brilhante.”

Mas Belchior preferiu a distância do passado. Mesmo ovacionado por novas gerações de músicos, tranca-se e passa a dedicar-se a projetos solitários, como a tradução dos 14.230 versos da Divina Comédia, de Dante Alighieri para a linguagem popular, um projeto que nunca concluiria

NOSSA HOMENAGEM A ANTONIO CARLOS BELCHIOR. Veja amanhã no Programa do Castanha, 11 horas, na Rádio Clima FM

Morre Belchior aos 70 anos e com ele um enigma que ninguém conseguiu decifrar, esse expoente da música popular brasileira por suas letras contestatórias, melancólicas e irônicas.

belchiorO compositor, autor de sucessos como Medo de avião, Velha roupa colorida e Apenas um rapaz latino-americano teve o auge da carreira nos anos 70, com discos próprios e gravações de intérpretes como Elis Regina, que transformou Como nosso pais, composta pelo cearense, em hino de uma época. Em 1976 gravaria o disco Alucinação,que o consolidaria no cenário musical nacional.

Cearense de Sobral, nascido em 26 de outubro de 1946, Antônio Carlos Belchior completou 70 anos no em outubro do ano passado, como um dos enigmas indecifráveis da música popular do Brasil.

Se houve festa, ninguém soube onde. Sem paradeiro certo, Belchior estava sumido há oito anos, mais precisamente desde 2008.

De artista recluso, o cantor e compositor passou a viver como foragido desde que a Justiça começou a cobrar dívidas deste senhor latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e sem shows.

Com o LP “Alucinação”,  em 1974, o álbum, inventaria perdas e danos da geração que tentou mudar o mundo na década de 1960. Belchior alfinetava a turma anterior, lembrando que o que há algum tempo era novo, jovem, já podia ser antigo naquele ano de 1976.

Decorridos 43 anos da edição original, Alucinação hoje pode soar como álbum datado, até antigo, mas jamais velho porque, descontadas as referências da época, os embates entre gerações continuam girando em torno das mesmas questões universais expostas com contundência por Belchior em letras que iam direto ao ponto, sem firulas e metáforas.

Outros álbuns importantes do cantor, Todo sujo de batom (1974), Coração selvagem (1977), Melodrama (1987) e Elogio da loucura (1988) marcaram a história musical brasileira dos últimos 50 anos.

Belchior  continuou a se afirmar com o som da década de 1980, o que para muitos críticos da época, soava como o cantor compositor e intérprete “fora de moda”, diante do surgimento de diversas bandas do pop rock brasileiro e pelos pagodeiros dos quintais cariocas que conquistaram fama ao longo daquela década.

Belchior passou incólume. Suas musicas nunca foram esquecidas e os seus fãs munca o abandonaram apesar daquela efervecencia musical dos anos 80.

Naquela década, Belchior já era outro e precisava rejuvenescer, mas, para os críticos, não o fez. A música brasileira também já era outra. Para nós, seus fãs, ele nunca precisou rejuvenescer. Na década de 1980 voltou a dar o tom em Elogio da loucura, outro disco fora de moda já na época do lançamento.

Belchior foi um desses ícones. Empurrado para a margem do mercado fonográfico a partir da década de 1990, Belchior nunca mais gravou um disco com a repercussão, mesmo modesta, obtida por Melodrama e Elogio da loucura na mídia.

O cantor e compositor passou a viver do passado de glória, fazendo shows com os sucessos que lhe garantiriam o sustento e um público fiel. Até que, por volta de 2007, a cabeça de Belchior começou a sair dos trilhos existenciais e a agenda de shows começou a ficar progressivamente vazia. A reclusão se tornou fuga que, com o passar do tempo, adquiriu caráter lendário.

Aos 70 anos de vida, Antônio Carlos Belchior se transformou no enigma que ninguém consegue decifrar.

SUMIÇO

Belchior enfrentou turbulências nos últimos anos, recluso e fora do palcos.

Em 2009, ganhou as manchetes depois que sua ex-mulher contratou um advogado para cobrar supostas dívidas e pensão devidas pelo cantor.

“Para a família, Belchior está sumido desde 2007”, calculava o advogado da ex-mulher de Belchior Leonardo Scatolini na TV, naquele ano.

Mesmo cultuado, Belchior recusou os convites para voltar aos palcos. Um empresário lhe ofereceu DOIS MILHÕES DE REAIS e pagaria todas as suas contas, dividas e débitos para ele voltar a se apresentar em shows pelo País e América do Sul.

Incógnito, ele recusou a oferta.

Nos últimos anos, se popularizaram no Ceará e em outras partes os dizeres “Volta, Belchior” em muros. No Carnaval deste ano, ele foi homenageado em blocos em São Paulo e em Fortaleza.

 

Cantor Belchior morre aos 70 anos no Rio Grande do Sul

Causa da morte não foi divulgada. Corpo será trazido para a cidade de Sobral, onde o cantor será enterrado.

nelchiorO cantor e compositor cearense Belchior, de 70 anos, morreu na noite de sábado (29) em Santa Cruz do Sul (RS). A família não divulgou a causa da morte. O corpo deve ser trazido para o Ceará, onde ocorrerá o sepultamento na cidade de Sobral, onde o artista nasceu, segundo a Secretaria de Cultura do Estado.

O Governo do Estado do Ceará confirmou a morte e decretou luto oficial de três dias. “Recebi com profundo pesar a notícia da morte do cantor e compositor cearense Belchior” disse em nota o governador Camilo Santana. “O povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente por tudo que fez e pelo legado que deixa para a arte do nosso Ceará e do Brasil”.

O traslado do corpo será feito pelo Governo do Ceará, que aguarda liberação das autoridades gaúchas. O horário ainda não foi confirmado, mas a expectativa é que o corpo seja levado ainda neste domingo (30).

A assessoria do governo disse também que o chefe da Casa Militar do Ceará, coronel da Polícia Militar Túlio Studart, entrou em contato com o chefe da Casa Militar do RS, e que eles aguardam o resultado do laudo oficial.

GI Globo Ceará

Com procissão luminosa e Missa Gravatá irá celebrar os 100 anos da aparição de Nossa Senhora de Fátima

Após a procissão luminosa, a Missa Solene será celebrada na Matriz de Sant’Ana

NSA cidade de Gravatá, no Agreste, conta com fieis e devotos de Nossa Senhora, a mãe de Deus. No dia 13 de maio de 2017, a Paróquia de Sant’Ana irá celebrar os 100 anos da aparição de Nossa Senhora, que aconteceu em Fátima (Portugal) em 13/05/1917, com procissão luminosa e Missa Solene.

Com saída às 18h30 da Capela de NSª da Conceição, a procissão com a imagem de Fátima, seguirá até a igreja Matriz de Sant’Ana, onde às 19h, a Celebração Solene será presidida pelo padre João Paulo Gomes.

 Participe dessa grandiosa manifestação de fé, confeccione a sua lanterna com garrafa peti ou outro material e venha participar com a gente!

Nossa Senhora de Fátima: Os povos envolvidos em guerra (1ª guerra mundial 1914-1918) espalhavam a morte, medo e a dor. Portugal atravessava uma grave crise, almas desorientadas envolviam-se na descrença, corações com fé suplicavam paz e a salvação para o mundo. Foi nesta atmosfera humana que brilhou o belo e risonho dia 13 de Maio de 1917.

 Neste dia as três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, conselho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, já com 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 09 e 07 anos.

 Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma “Senhora mais brilhante que o sol”, de cujas mãos pendia um terço branco.

 A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. As crianças assim fizeram, e nos dias 13 de Junho, Julho, Setembro e Outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes, na Cova da Iria. A 19 de Agosto, a aparição deu-se no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, no dia 13, as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Conselho, para Vila Nova de Ourém.

 Na última aparição, a 13 de Outubro, estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disse-lhes que era a “Senhora do Rosário” e que fizessem ali uma capela em Sua honra.

Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em Julho e Setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.

 A Virgem Maria nos convida para vivermos a graça e a misericórdia. A mensagem de Fátima é dirigida ao mundo, por isso, lá é o Altar do Mundo.

 Expressão do Coração Imaculado de Maria que, no fim, irá triunfar é a jaculatória ensinada por Lúcia: “Ó Meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu; socorrei principalmente as que mais precisarem!”

 Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

Concurso Exército 2017: Saiu o edital com 440 vagas para Cadetes EsPCEx de nível médio! Salário de R$ 6.625,00!

O documento foi divulgado no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 28 de abril.

exercitoEdital divulgado. O Comandante da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), devidamente autorizado pelo Comando do Exército – por intermédio do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx), divulgou a abertura de concurso público (Concurso Exército EsPCEx 2017) para preencher nada menos que 440 vagas para Formação e Graduação de Oficiais de Carreira da Linha de Ensino Militar Bélico.

De acordo com o edital do concurso Exército/EsPCEx 2017, o certame destina-se a selecionar candidatos para o preenchimento de 400 (quatrocentas) vagas para o sexo masculino e 40 (quarenta) vagas para o sexo feminino, destinadas à matrícula no curso de Formação e Graduação de Oficiais de Carreira da Linha de Ensino Militar Bélico, em conformidade com o edital. 

Podem participar, candidatos com requisito de nível médio completo e, idade de, no mínimo 17, e, no máximo, 22 anos, completados até 31 de dezembro do ano da matrícula (2018). Além disso, ter 1,60m de altura (sexo masculino) e 1,55m (sexo feminino) e ter nascidos entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 2001 são requisitos para participar do certame.

Greve geral provoca guerra ideológica nas redes sociais

GREVEEstá marcada para amanhã (28/04) uma greve geral contra a reforma da Previdência e trabalhista.

As paralisações estão sendo organizadas pela CUT e pela Força Sindical; trabalhadores de diversas categorias e sindicatos vão parar.

A CUT é ligada ao PT e à Força Sindical presidida pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD/SP), que defendeu o Impeachment de Dilma Rouseff e declarou apoio a Temer, mas ambas as organizações se uniram para a paralisação do dia 28. Isso porque as reformas afetam diretamente o eleitorado do partido do deputado.

 Segundo o governo, as mudanças são necessárias para que a economia ganhe força, diminuindo a inflação e o desemprego. Propostas do tipo já foram apresentadas mais de uma vez, mas se tornaram foco em 2017, com Temer.

A oposição vê retrocessos em alterações que interferem no tempo de contribuição obrigatória e implantação de uma idade mínima para aposentadoria, além de questões como a jornada intermitente, as férias e a terceirização.

GREVE SIM / GREVE NÁO

Como já é de costume, a internet se movimentou com os rumores da paralisação. A página do Movimento Brasil Livre (MBL) pediu para que seus seguidores não aderissem à greve, por verem um viés petista no movimento. Já páginas de oposição ao governo defenderam a manifestação dos trabalhadores.

Um dia antes da greve, já é possível perceber a polarização dos internautas que transformaram as hashtags #GreveNão e #EuApoioAGreveGeral nas mais comentadas do Twitter, tornando a movimentação em um embate ideológico.

Alguns dos twitteiros acreditam que a greve é necessária para preservar os direitos dos trabalhadores…

 

Às vésperas de greve geral, reforma trabalhista é aprovada na Câmara

Texto, que muda diversos pontos da CLT e prioritário para Temer, vai agora ao Senado

trabalhistaA Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, dia 26, a reforma trabalhista do Governo Michel Temer (PMDB).

O projeto de lei que faz a maior alteração nas regras envolvendo patrões e empregados em sete décadas foi aprovado por 296 votos a favor e 177 contra.

A proposta será enviada ao Senado Federal depois que os deputados aprovarem os destaques que ainda precisam ser analisados.

A expectativa do Governo é que ainda no primeiro semestre deste ano a reforma também seja aprovada pelos senadores.

O placar é considerado um termômetro para outra votação estratégica: na próxima semana, o embate, bem mais difícil, será em torno da reforma da Previdência.

Para aprovar alteração nas aposentadorias da grande maioria dos trabalhadores brasileiros serão necessários mais do que a maioria simples desta quarta, ou 308 votos da maioria qualificada em dois turnos de votação.

A fácil vitória da base aliada do peemedebista foi marcada por uma tumultuada e demorada sessão. Foram mais de dez horas de debates. Sem votos para rejeitar a proposta, a oposição tentou obstruir a votação de todas as maneiras. Fez uma série de protestos, com cartazes, faixas, cruzes e caixões de papelão tentando mostrar que as alterações representam “a morte” da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Jornalista Magno Martins é o mais novo Cidadão de Caruaru

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E faz uma declaração de amor a Caruaru 

magno 4ALGUNS TRECHOS DO DISCURSO DO HOMENAGEADO.

magno“Minha paixão pelo País de Caruaru, como Nelson Barbalho assim a consagrou, é como um jardim: todo jardim começa com um sonho de amor. Não havíamos – Caruaru e eu – marcado hora nem lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares, enfim, coincidiram.

E deu-se o encontro, o encontro entre eu e tu, tu e eu, minha Caruaru. Alguém há de perguntar: por que tanto amor por uma cidade na qual o umbigo não foi enterrado em suas terras, onde não se brincou de bola de gude, onde não se fez gente? Não há explicação para o amor. Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo, Caruaru!

Mas para ser batizado de fato Cidadão de Caruaru, iniciativa do vereador Diogo Cantarelli, aprovada por unanimidade nesta Casa, e receber também a medalha de honra ao mérito Jornalista José Carlos Florêncio, por proposição do vereador Jaelcio Tenório, começo pedindo licença a Vitalino, o maior de todos os meus conterrâneos, que imortalizou o País de Caruaru.

Com o barro, moldado pelas suas mãos mágicas, fabricou casamento, romaria, retirante, vaquejada, violeiro em cantoria, caçador de passarinho, ladrão na delegacia, banda de pífanos, novena e tantos outros personagens, como disse o compositor Onildo Almeida em uma bela canção.

Na arte popular, destaco também a figura de Manuel Eudócio, patrimônio de Pernambuco na arte de fazer cerâmica figurativa, com um legado de mais de 50 mil peças, assim como sua sobrinha Marliete Rodrigues, filha do mestre Zé Caboclo, que imprimiu um estilo próprio aos temas consagrados por outros mestres do Alto do Moura.

Peço passagem também a Severino Vitalino, filho do mestre Vitalino e continuador da sua obra, uma obra marcada pela criação de 118 tipos de peças, entre as quais a banda de pífanos, a família de retirantes, o boi, Lampião e Maria Bonita.

Peço licença também a Nelson Barbalho, escritor, historiador, jornalista, compositor, crítico de cinema e roteirista. O termo País de Caruaru, concebido pela sua veia poética e coração caruaruense, sempre serviu para ressaltar as inúmeras peculiaridades da vida política e social da cidade.

Peço licença ainda ao grande jornalista José Condé, o escritor de Caruaru, que perpetuou sua gente com o romance Terra de Caruaru. Com os irmãos João e Elísio, Condé fundou o Jornal de Letras, base para os grandes escritores da literatura nacional, como Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispecto e Raquel de Queiroz.

Por que não pedir licença, também, a Tabosa de Almeida, o visionário da educação, contador, economista e advogado, criador das faculdades de Direito e Odontologia de Caruaru, um homem de visão ampla e de futuro.

Na área empresarial, com destaque para comunicação, peço licença a Luiz Lacerda, fundador da Rádio Liberdade, notável investidor no desporto, o homem que acreditou no Central e acabou imortalizado com o seu nome no estádio Luiz José de Lacerda, o Lacerdão.

Ainda na comunicação, não poderia deixar destacar o papel preponderante da Rádio Difusora de Caruaru, a nossa Rádio Nacional do Nordeste, por onde passaram grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Sivuca, Camarão, Hermeto Pascoal, Jacinto Silva e Ivanildo Leite, o primeiro conjunto musical, o trio Nortista, e a primeira banda de Forró do Brasil, a banda do Camarão, além da Orquestra Sanfônica de Caruaru.

O País de Caruaru revelou alguns dos maiores nomes da música, cinema, jornalismo e arte de Pernambuco, sendo alguns deles de destaque nacional e internacional, como Petrúcio Amorim, cantor e compositor nascido e criado no bairro do Vassoural, atualmente um dos artistas mais respeitados e difundidos no Nordeste. Entre tantos outros artistas louvo também os músicos Gilvan Neves e Walmir Silva, homenageados no São João do ano passado.

Caruaru revelou, também, para o País e o mundo, Prazeres Barbosa, atriz global que foi mecena das artes cênicas de Ariano Suassuna e João Cabral de Melo Neto, sendo uma das atrizes mais conhecidas e premiadas em Pernambuco, recebendo, inclusive, uma estátua em sua homenagem.

O País de Caruaru tem, igualmente, personagens que honram qualquer pátria, como Álvaro Lins, advogado, jornalista, professor e crítico literário, imortal da Academia Brasileira de Letras.

Outra grande honra no reino de Caruaru é Belarmino Maria Austregésilo de Athayde, ou simplesmente Austregésilo de Athayde, jornalista, professor, cronista, ensaísta e orador brasileiro, presidente da Academia Brasileira de Letras por 35 anos.”