“As viagens de Trem eram memoráveis, eu nunca me esqueci”. – UM TEXTO DO JORNALISTA GILVANDRO FILHO GIL

GIL GIL“Eu demorei a compreender porque o que era tão bom foi se acabando, aos poucos, até minguar de vez. Repito, trem era muito bom. E se tivesse havido o mínimo de cuidado com tudo aquilo, o transporte ferroviário brasileiro hoje seria modelo para o mundo. Tinha tudo pra isso. Tinha mão de obra dedicada e qualificada. Tinha rede em bom estado. Tinha futuro.”

* Gilvandro Filho é jornalista e compositor

trem de gravataNo começo dos anos 1960, todos os anos, duas vezes ao ano, a gente viajava para São Caetano da Raposa.

Era assim que chamávamos a cidade da minha mãe, da minha avô, dos meus tios.

E as viagens eram memoráveis, eu nunca me esqueci. Íamos de trem. Eu, o mais velho (entre os 7 e os 10 anos de idade) dos filhos de Seu Gilvandro e de Dona Célia, e meus (então) três irmãos.

As temporadas eram ótimas, mas as viagens é que eram deliciosas. Desconfortáveis, mas a gente nem ligava.

Acordávamos por volta das 4 da manhã, nos arrumávamos, o táxi chegava e gente seguia para a Estação Central, defronte da Casa de Detenção, hoje Casa da Cultura.

Por volta das 6 e meia, o trem partia. Do Recife até São Caetano dava, mais ou menos, umas seis horas de viagem – hoje dá pouco mais de hora e meia de carro. O resto era festa.

Eita, como era bom andar de trem! Valia a pena o esforço. A malha ferroviária pernambucana era poderosa, como era a nordestina, de um modo geral.

O ramal pelo qual a gente viajava saía do Recife e ia até Salgueiro, no sertão pernambucano.

De lá, seguia em frente até Eliseu Martins, no Piauí. Subia, por outro ramal, pelo sertão do Ceará até Fortaleza. Outro “descia” pelo litoral até Palmares e, de lá, para Maceió/AL, de onde ia simbora para o sul. Ainda desembocava no Recife um quarto ramal que vinha do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

Eu demorei a compreender porque o que era tão bom foi se acabando, aos poucos, até minguar de vez.

Repito, trem era muito bom. E se tivesse havido o mínimo de cuidado com tudo aquilo, o transporte ferroviário brasileiro hoje seria modelo para o mundo. Tinha tudo pra isso. Tinha mão de obra dedicada e qualificada. Tinha rede em bom estado. Tinha futuro.

Só que teve um golpe militar e uma ditadura nesse meio tempo. O que é que tem uma coisa a ver com outra coisa, seu comunista filho da mãe? E não tem?

Foi só derrubarem Jango, Arraes, Brizola & Cia que os militares viraram o foco e trataram de desmantelar o que prestava e andava nos trilhos, com perdão do trocadilho. De graça? Acho que não.

O setor de petróleo, por exemplo, chegava com gosto de gás (outro trocadilho, cacete?) e dava as cartas naquele “Novo Brasil”. Se os Estados Unidos eram os patronos do golpe de 1964, os grandes conglomerados empresariais americanos eram os patrocinadores.

E nesses daí, as corporações do setor de combustíveis (Exxon/Esso, Shell, Atlantic, Texaco…) é que mandavam e desmandavam mesmo. E para vender gasolina é preciso ter rodovias. Então, muda tudo, my friend!

Lembro de um velho slogan de um presidente da República Velha, Washington Luís, que virou o must nos governos militares. “Governar é abrir estradas”.

E foi o que os ditadores de plantão fizeram. A expansão da malha rodoviária marcou o País, enriqueceu empreiteiras e plantou os cenários necessários para que os friends do petróleo cobrassem, com juros estratosféricos, a fatura por ter ajudado o “Brazil” a se livrar do comunismo ateu e desagregador. Só não precisava, para o transporte rodoviário vingar, o transporte ferroviário morrer. Mas assim é que foi feito.

Assim como ocorreu em outros setores da economia, como foi o caso da área farmaco-química, o setor de estradas não só tornou-se estratégico como virou reserva de mercado para executivos diretamente ligados aos militares e seus fieis escudeiros.

O Ministério dos Transportes (até 1967, da Viação e Obras Públicas) e os DNER/Dnit da vida sempre foram ocupados por esse tipo de gente. Foram ministros de Viação e Obras, por exemplo, o almirante Augusto Rademaker (1964) e o marechal Juarez Távora  (1964/67). E, no já Ministério dos Transportes, prepostos como Mário Andreazza (1969/74), Dirceu Nogueira (1974/79) e Eliseu Resende (1979/82).

O resto do enredo, todo mundo já conhece.

O transporte ferroviário sumiu do mapa e sobrevive hoje em pequenos trechos do território nacional, em alguns roteiros turísticos. Ferrovias que se anunciam aqui e ali são, na verdade, pretexto para corrupção. No mais, sem mais. De expressivo, nada mais.

Então, hoje, quando os caminhoneiros param por causa da enxurrada de aumentos nos combustíveis empurrados ao longo dos dois anos de desgoverno Temer, a gente fica pensando em quão diferente poderia estar tudo isso.

Era só não terem levado tão a sério a ordem dos EUA. O transporte ferroviário não precisava ter sido sacrificado para satisfazer às gigantes do petróleo.

As mesmas que hoje se beneficiam da alta de preços praticadas sacanamente pelo governo brasileiro e da “falta” de gasolina que abre caminho para o combustível importado, algo que não faz sentido em um país produtor como o Brasil.

Em 1964, essas gulosas companhias davam as cartas e contribuíram com afinco para dar um golpe de Estado que tirou do poder um governo que as atrapalhava.

E hoje? O golpe do qual essas mesmas empresas participaram ocorreu há dois anos, em um governo que também lhes atrapalhava, ao não conceder os aumentos que elas queriam e ao cometer o pecado mortal de dar um mínimo de autonomia a um setor para elas sagrado e intocável.

Podem, agora, aprofundá-lo e consolidá-lo. E parece que vão. Afinal, o governo que foi colocado no lugar do que foi derrubado, além de ilegítimo, é inepto, incompetente, corrupto e igualmente guloso. E nem para segurar um golpe serviu.

* Gilvandro Filho é jornalista e compositor

Enem 2018 tem 5,5 milhões de inscritos confirmados

No ano passado, apesar de 6,7 milhões terem tido a inscrição confirmada, 4,7 milhões de candidatos compareceram ao exame. As provas do Enem serão aplicadas em dois domingos, nos dias 4 e 11 de novembro. Os resultados serão divulgados em janeiro

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Por: Agência Brasil e Folha de Pernambuco

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve 5.513.662 inscritos confirmados, de acordo com balanço divulgado nesta terça (29) pelo Ministério da Educação (MEC). No ano passado, foram 6.731.203 inscritos confirmados.

Neste ano, 6.774.891 fizeram a inscrição, mas 18,7% não pagaram a taxa de inscrição e não foram confirmados no exame. Para a edição de 2018, 3.521.181 pessoas foram beneficiadas com a gratuidade por se enquadrarem em um dos quatro perfis que davam direito à isenção.

No ano passado, apesar de 6,7 milhões terem tido a inscrição confirmada, 4,7 milhões de candidatos compareceram ao exame. As provas do Enem serão aplicadas em dois domingos, nos dias 4 e 11 de novembro. Os resultados serão divulgados em janeiro.

As notas do Enem podem ser usadas para concorrer a vagas no ensino superio público pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a bolsas em instituições particulares de ensino superior pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e a financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Greve não é mais de caminhoneiro, mas de quem quer derrubar o governo, diz Abcam

greveSegundo o presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, o cenário está “bem encaminhado” para que a situação volte ao normal na terça-feira

Por: Laís Alegretti, da Folhapress

O presidente da Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), José da Fonseca Lopes, afirmou nesta segunda-feira (28) que a paralisação não é mais dos caminhoneiros, mas de pessoas que querem “derrubar o governo”. Fonseca estima que ainda faltam deixar a paralisação cerca de 250 mil caminhões. Segundo ele, o cenário está “bem encaminhado” para que a situação volte ao normal na terça-feira (29).

“Não é o caminhoneiro mais que está fazendo greve. Tem um grupo muito forte de intervencionistas nisso aí. Eles estão prendendo caminhão em tudo que é lugar. […] São pessoas que querem derrubar o governo. Eu não tenho nada que ver com essas pessoas, nem nosso caminhoneiro autônomo tem. Eles estão sendo usados por isso”, disse. O presidente da associação afirmou que a desmobilização ainda não ocorreu de forma completa porque o Brasil é um país de dimensão continental e as pessoas precisam ser informadas sobre a negociação.

Ele também disse que os caminhoneiros “estão sendo ameaçados de forma violenta” para manter a paralisação, por pessoas “que se dizem lideranças” e que estão envolvidas com partidos políticos. Fonseca, contudo, não citou nomes de pessoas ou partidos.Fonseca disse que, durante a paralisação, empresas pararam as atividades porque “não tinham como rodar”. “Para mim, nenhuma empresa veio pedir pra suspender uma greve.

Nenhuma empresa veio pedir para fazer uma greve. Isso aconteceu de forma natural. Em determinado momento, fechou todas as rodovias, então as empresas não tinham como colocar caminhão na rua. As empresas pararam, todo mundo junto. Isso ajudou? Ajudou, mas eu, em nenhum momento, tive qualquer conversa em relação a isso”, afirmou.Na manhã desta segunda-feira, a Abcam informou que esperava uma redução “significativa” da quantidade de caminhões parados.

Em nota, a entidade disse que vem trabalhando para que a informação do acordo com o governo chegue a toda a categoria, mas destacou que nem todos os caminhoneiros seguem o entendimento de que a paralisação deve chegar ao fim. O presidente Michel Temer anunciou na noite de domingo (27) uma série de concessões que, para serem cumpridas, custarão R$ 10 bilhões aos contribuintes, segundo cálculos do governo. No pacote anterior, a perda estimada era de R$ 5 bilhões.

Após quase 12 horas de reuniões no Planalto, ficou decidido que o preço do óleo diesel terá redução de R$ 0,46 por litro nas refinarias. Esse preço valerá por 60 dias. Terminados os dois meses, o diesel só será reajustado a cada 30 dias.Fonseca afirmou que o governo deve “fazer das tripas coração” para que o desconto chegue ao valor do diesel na bomba.

Dodge diz que paralisação de caminhoneiros atinge direitos fundamentais

Brazil's Prosecutor General Raquel Dodge reacts during an opening session of the Year of the Judiciary, at the Supreme Court in Brasilia, Brazil February 1, 2018. REUTERS/Ueslei Marcelino

‘Deixou de ser apenas uma crise de abastecimento, mas é uma crise que já atinge os direitos fundamentais’, disse Dodge, ao anunciar a criação de um comitê para acompanhar a atuação do MPF

Por: Folhapress

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge disse, nesta terça-feira (29) que a crise provocada pela paralisação dos caminhoneiros atinge direitos fundamentais.

“Deixou de ser apenas uma crise de abastecimento, mas é uma crise que já atinge os direitos fundamentais”, disse Dodge, ao anunciar a criação de um comitê para acompanhar a atuação do MPF (Ministério Público Federal) no caso.

O objetivo, segundo a procuradora-geral, é verificar a prática de crimes federais que afetem serviços públicos e de utilidade pública.

De acordo com Dodge, a instituição está focada em coibir abusos e assegurar o respeito a direitos humanos.

“É certo que há o direito à greve, direito ao protesto e à reivindicação, mas também há responsabilidade por abuso na atuação que possa resultar em prejuízos para indivíduos, para grupos e para a coletividade, notadamente nas áreas de serviço público e de utilidade pública”, disse Dodge.

As declarações foram feitas durante sessão do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), presidido por ela.

3ª EDIÇÃO DA FEIJOADA DO MATUTO ACONTECE NESTE DOMINGO (3)

FEIJOADA DO MATUTO (2)Acontece neste domingo (3), a partir das 11h no AABB Gravatá a III Edição da feijoada do Matuto, evento beneficente idealizado pelo Repórter do Povo Matuto em prol da ODIP, instituição gravataense que cuida de crianças e adolescentes carentes da cidade, e pra se manter realiza diversas atividades durante o ano.

O evento que é 100% beneficente tem toda a renda arrecada com a venda das pulseiras doada para a ODIP. Todo o evento é feito com doações dos parceiros do comércio, amigos e colaboradores.

Teremos shows, bingo, espaço de lazer para as crianças, espaço da beleza e a deliciosa feijoada. No dia teremos venda de pulseiras na hora, (crianças até 12 anos não pagam). Será um domingo diferente, junte sua família e venha curtir.

Para mais informações ligue: 99918.9456

UM PROBLEMA QUE VEM DE LONGE – Rombo nos cofres da Petrobras motivou reajuste de preço dos combustíveis

PETROO preço do diesel já subiu 38 vezes desde janeiro. Para a empresa, a alta do petróleo significa uma oportunidade para gerar receita, distribuir dividendos aos acionistas e atingir a meta financeira, ainda que o programa de venda de ativos caminhe devagar.

Agência Estado – Correio Braziliense

Quando decidiu reajustar diariamente os preços em linha com o mercado internacional, em julho de 2017, a Petrobras mirou seu caixa.

O foco era a redução do endividamento que elevou a empresa ao posto de petroleira mais endividada do mundo.

Estratégia que deu certo, com a petroleira registrando um lucro de R$ 6,9 bilhões no primeiro trimestre, o maior trimestral dos últimos cinco anos.

Para o consumidor, a recuperação da Petrobras pesou no bolso quando a cotação do petróleo ganhou fôlego em 2018, após um período de quedas. Pela primeira vez desde 2014, o barril atingiu US$ 80 neste mês.

Como consequência, o preço do diesel já subiu 38 vezes desde janeiro. Para a empresa, a alta do petróleo significa uma oportunidade para gerar receita, distribuir dividendos aos acionistas e atingir a meta financeira, ainda que o programa de venda de ativos caminhe devagar.

O presidente Pedro Parente obedece à máxima de que a Petrobras deve se comportar como uma produtora como outra qualquer, independentemente da importância estratégia dos combustíveis para o País. Afinal, a estatal compete diretamente com importadores e possui a flexibilidade de atuar em outros países.

A lógica é que não há fronteiras no mercado de petróleo. Mas, no Brasil, a realidade é que as altas no preço da estatal surtem efeito no bolso da população e de segmentos da economia que nada têm a ver com o mercado externo.

Professor do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, Helder Queiroz destaca que a alta do petróleo foi o primeiro teste de Parente. “É certo que é preciso acompanhar o mercado internacional. Mas existem várias soluções para isso. Será que essa é realmente a melhor?”, diz.

Pesa ainda o fato de o maior volume do combustível consumido no País sair das refinarias brasileiras, comandadas pela Petrobras. No primeiro trimestre deste ano, a empresa produziu 1,67 milhão de barris por dia (bpd) de derivados de petróleo e importou apenas 97 mil.

“Se o preço do petróleo não oscilar, oscila o câmbio. A Petrobras tem de seguir os preços internacionais, mas não precisa ser diariamente. A empresa cobra tanto previsibilidade do governo e não faz o mesmo com os seus consumidores”, criticou um especialista em petróleo que já fez parte do governo e não quis se identificar.

Prestes a completar quatro anos, Lava-Jato já recuperou R$ 11,5 bilhões

Valores foram desviados principalmente da Petrobras, mas envolvem também outras empresas públicas e esquemas que se ramificaram pelos estados

Correio Braziliense

lavajato-1Prestes a completar quatro anos, a Lava-Jato se consolida como uma ação policial que chegou à cúpula do poder Executivo, abalou o Legislativo e sacudiu o Judiciário.

A operação que estremeceu as relações políticas no país revelou um gigantesco esquema de corrupção, mobilizou milhões de brasileiros para garantir sua continuidade e deu esperança para quem se cansou da roubalheira.

Engana-se quem pensa que a Lava-Jato está chegando ao fim. Na Justiça, os processos podem levar mais seis anos.

De acordo com um levantamento realizado pelo Ministério Público Federal (MPF), até o momento já foram recuperados R$ 11,5 bilhões por meio de acordos de delação premiada.

Os valores foram desviados principalmente da Petrobras, mas envolvem também outras empresas públicas e esquemas que se ramificaram pelos estados.

Até agora, R$ 759 milhões foram devolvidos aos cofres públicos, e R$ 3,2 bilhões estão bloqueados pela Justiça, à espera de uma decisão sobre o destino do dinheiro. Já são mais de 170 acordos de delação na 1ª instância e mais de 300 pessoas denunciadas.

Quando as investigações começaram, em 2009, a Polícia Federal descobriu uma outra “Lava-Jato”, um esquema que consistia no uso de uma rede de postos de combustíveis e lava a jato de automóveis para movimentar recursos ilícitos desviados dos cofres públicos.

Na ocasião, os delegados não imaginavam que aquelas diligências levariam ao indiciamento de deputados, senadores e até presidentes da República.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi apontado como chefe da organização criminosa investigada pela operação.

No Supremo Tribunal Federal (STF), correm 200 inquéritos, que podem levar mais de seis anos para serem concluídos. Além de autoridades com foro privilegiado, a Corte também analisa acusações contra pessoas envolvidas nas mesmas práticas de quem tem foro.

O advogado criminalista Luís Henrique Machado destaca que, no Supremo, a conclusão dos processos é mais demorada. “É natural que o processo em um órgão colegiado tramite mais lentamente do que na primeira instância, onde somente um juiz decide o caso.

O processo no Supremo pode até tramitar mais devagar, mas, por outro lado, a possibilidade de erro judicial reduz sensivelmente”, afirmou.

VALE A PENA LER – “Eita, como era bom andar de trem!”

Eita, como era bom andar de trem! Valia a pena o esforço. A malha ferroviária pernambucana era poderosa, como era a nordestina, de um modo geral.

Gilvandro Filho*

trem-1vert1No começo dos anos 1960, todos os anos, duas vezes ao ano, a gente viajava para São Caetano da Raposa.

Era assim que chamávamos a cidade da minha mãe, da minha avô, dos meus tios.

E as viagens eram memoráveis, eu nunca me esqueci. Íamos de trem.

Eu, o mais velho (entre os 7 e os 10 anos de idade) dos filhos de Seu Gilvandro e de Dona Célia, e meus (então) três irmãos.

As temporadas eram ótimas, mas as viagens é que eram deliciosas.

Desconfortáveis, mas a gente nem ligava. Acordávamos por volta das 4 da manhã, nos arrumávamos, o táxi chegava e gente seguia para a Estação Central, defronte da Casa de Detenção, hoje Casa da Cultura.

Por volta das 6 e meia, o trem partia. Do Recife até São Caetano dava, mais ou menos, umas seis horas de viagem – hoje dá pouco mais de hora e meia de carro. O resto era festa.

Eita, como era bom andar de trem! Valia a pena o esforço. A malha ferroviária pernambucana era poderosa, como era a nordestina, de um modo geral.

O ramal pelo qual a gente viajava saía do Recife e ia até Salgueiro, no sertão pernambucano.

De lá, seguia em frente até Eliseu Martins, no Piauí. Subia, por outro ramal, pelo sertão do Ceará até Fortaleza. Outro “descia” pelo litoral até Palmares e, de lá, para Maceió/AL, de onde ia simbora para o sul.

Ainda desembocava no Recife um quarto ramal que vinha do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

Eu demorei a compreender porque o que era tão bom foi se acabando, aos poucos, até minguar de vez. Repito, trem era muito bom.

E se tivesse havido o mínimo de cuidado com tudo aquilo, o transporte ferroviário brasileiro hoje seria modelo para o mundo. Tinha tudo pra isso. Tinha mão de obra dedicada e qualificada. Tinha rede em bom estado. Tinha futuro.

Só que teve um golpe militar e uma ditadura nesse meio tempo. O que é que tem uma coisa a ver com outra coisa, seu comunista filho da mãe?

E não tem? Foi só derrubarem Jango, Arraes, Brizola & Cia que os militares viraram o foco e trataram de desmantelar o que prestava e andava nos trilhos, com perdão do trocadilho.

De graça? Acho que não. O setor de petróleo, por exemplo, chegava com gosto de gás (outro trocadilho, cacete?) e dava as cartas naquele “Novo Brasil”. Se os Estados Unidos eram os patronos do golpe de 1964, os grandes conglomerados empresariais americanos eram os patrocinadores.

E nesses daí, as corporações do setor de combustíveis (Exxon/Esso, Shell, Atlantic, Texaco…) é que mandavam e desmandavam mesmo. E para vender gasolina é preciso ter rodovias. Então, muda tudo, my friend!

Lembro de um velho slogan de um presidente da República Velha, Washington Luís, que virou o must nos governos militares. “Governar é abrir estradas”. E foi o que os ditadores de plantão fizeram.

A expansão da malha rodoviária marcou o País, enriqueceu empreiteiras e plantou os cenários necessários para que os friends do petróleo cobrassem, com juros estratosféricos, a fatura por ter ajudado o “Brazil” a se livrar do comunismo ateu e desagregador.

Só não precisava, para o transporte rodoviário vingar, o transporte ferroviário morrer. Mas assim é que foi feito.

Assim como ocorreu em outros setores da economia, como foi o caso da área farmaco-química, o setor de estradas não só tornou-se estratégico como virou reserva de mercado para executivos diretamente ligados aos militares e seus fieis escudeiros.

O Ministério dos Transportes (até 1967, da Viação e Obras Públicas) e os DNER/Dnit da vida sempre foram ocupados por esse tipo de gente.

Foram ministros de Viação e Obras, por exemplo, o almirante Augusto Rademaker (1964) e o marechal Juarez Távora  (1964/67). E, no já Ministério dos Transportes, prepostos como Mário Andreazza (1969/74), Dirceu Nogueira (1974/79) e Eliseu Resende (1979/82).

O resto do enredo, todo mundo já conhece. O transporte ferroviário sumiu do mapa e sobrevive hoje em pequenos trechos do território nacional, em alguns roteiros turísticos.

Ferrovias que se anunciam aqui e ali são, na verdade, pretexto para corrupção. No mais, sem mais. De expressivo, nada mais.

Então, hoje, quando os caminhoneiros param por causa da enxurrada de aumentos nos combustíveis empurrados ao longo dos dois anos de desgoverno Temer, a gente fica pensando em quão diferente poderia estar tudo isso. Era só não terem levado tão a sério a ordem dos EUA.

O transporte ferroviário não precisava ter sido sacrificado para satisfazer às gigantes do petróleo. As mesmas que hoje se beneficiam da alta de preços praticadas sacanamente pelo governo brasileiro e da “falta” de gasolina que abre caminho para o combustível importado, algo que não faz sentido em um país produtor como o Brasil.

Em 1964, essas gulosas companhias davam as cartas e contribuíram com afinco para dar um golpe de Estado que tirou do poder um governo que as atrapalhava.

E hoje? O golpe do qual essas mesmas empresas participaram ocorreu há dois anos, em um governo que também lhes atrapalhava, ao não conceder os aumentos que elas queriam e ao cometer o pecado mortal de dar um mínimo de autonomia a um setor para elas sagrado e intocável.

Podem, agora, aprofundá-lo e consolidá-lo. E parece que vão. Afinal, o governo que foi colocado no lugar do que foi derrubado, além de ilegítimo, é inepto, incompetente, corrupto e igualmente guloso. E nem para segurar um golpe serviu.

* Gilvandro Filho é jornalista e compositor

Projeto de Lei obriga Celpe a disponibilizar número mínimo de pontos de pagamento

walO deputado estadual Waldemar Borges apresentou um substitutivo a um projeto do deputado Everaldo Cabral que estava tramitando na Alepe sobre o tema

 Texto da jornalista Ida Comber

Em muitas cidades pernambucanas, principalmente nas do Interior do estado, os consumidores estão com dificuldades de pagar suas contas de energia elétrica.

O problema foi causado pelo desentendimento entre a Celpe e a Caixa Econômica Federal quanto ao valor a ser cobrado pelo serviço.

Por isso, a CEF, e consequentemente as lotéricas, deixaram de receber as contas de luz na sua rede, deixando os clientes sem opções para pagar sua dívida.

Ao receber as queixas de diversas pessoas que relataram o problema, o deputado estadual Waldemar Borges apresentou um substitutivo a um PLO do deputado Everaldo Cabral que estava tramitando na Assembleia Legislativa de Pernambuco sobre o tema.

A iniciativa obriga as concessionárias de serviços públicos a disponibilizarem um número mínimo de pontos de pagamento por cidade, de acordo com o seu número de habitantes. O PLO também define o tempo máximo de espera permitido na fila para o atendimento.

 “Em muitas cidades do Interior, o consumidor só tem um ponto de atendimento da Celpe para pagar sua conta de luz. Conheço idosos que são obrigados e ficar numa fila enorme para pagar uma dívida. Isso não é razoável”, ressalta o parlamentar.

O Projeto também determina que o não cumprimento da lei acarretará em punição das empresas e a sua proibição de cobrar multas ao usuário, bem como cortar o serviço prestado. O PLO deve ser votado na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça na próxima semana.

Crise expõe fragilidade do governo Temer e articulações para eleição

 A discórdia entre aliados visando as eleições em outubro atravessou a Praça dos Três Poderes e provocou impasse

Diario de Pernambuco

t temerA greve dos caminhoneiros expôs a fragilidade do governo Michel Temer, revelou movimentos políticos para as eleições de outubro e mostrou o distanciamento de antigos aliados no Congresso.

Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entrou em nova rota de colisão com Temer e com seu colega Eunício Oliveira (MDB-CE), que comanda o Senado. A briga atravessou a Praça dos Três Poderes e provocou impasse.

Dias após desistir de disputar novo mandato e anunciar a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles pelo MDB, Temer sofre as consequências do fim de um governo impopular. Além de enfrentar o racha no MDB, ele também perdeu apoio na Câmara e no Senado.

Em BH, Temer anuncia trégua com caminhoneiros e alfineta governo estadual

Em votação simbólica, Maia conseguiu aprovar na Câmara, na noite de quarta-feira, 23, um projeto que acaba com a desoneração da folha de pagamento para 28 setores da economia, mas embutiu ali a proposta de zerar a alíquota do PIS/Cofins sobre o diesel até o fim do ano.

Foi um gesto calculado para ganhar protagonismo, mas passou longe dos acertos com o Senado e com o Planalto, que já havia pedido uma trégua aos caminhoneiros. De uma só tacada, porém, Maia contrariou Temer e irritou Eunício, que vai concorrer à reeleição e também tenta mostrar serviço. Os dois, no entanto, não deixaram dúvidas de que querem descolar suas imagens do desgaste do presidente.

Pouco antes da aprovação do projeto pela Câmara, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, chamou o deputado Orlando Silva (PC do B-SP), relator da proposta, para uma conversa reservada no plenário. Estava apreensivo com o impacto da perda de receita provocada pela isenção do PIS/Cofins. Havia sido alertado antes por um telefonema do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, para quem a renúncia seria de R$ 12 bilhões, e não de R$ 3,5 bilhões, como sustentava Maia.

“Eu disse a ele: ‘Marun, a base do governo está votando contra o governo'”, contou Silva, que, apesar de ser da oposição, é aliado de Maia. Por volta de 15 horas, naquele dia, Temer também já tinha telefonado para o presidente da Câmara. Queria saber o que seria votado. “Vou avaliar, presidente”, respondeu Maia.

Na manhã de ontem, Marun batia na tecla de que os cálculos feitos pela Câmara estavam equivocados. “Agora temos de enfrentar as consequências da medida aprovada”, lamentava.

Maia previa que receitas extras com os royalties de petróleo compensariam a isenção do PIS/Cofins e apostou no risco. “Fiz aquilo que considero correto para o Brasil”, afirmou ele, minimizando o erro dos números. Eunício, por sua vez, viajou ontem para o Ceará, sem pautar a votação do projeto no Senado. Teve de retornar a Brasília, após ligação nervosa do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

“Temos apoio de 80% da população. Se autoridades querem pôr fogo nesse País, estão conseguindo”, dizia o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes. Nos bastidores, Eunício culpou Maia pela crise.

Para a líder do MDB no Senado, Simone Tebet (MS), a disputa deu o tom das articulações para pôr fim à greve. “O jogo eleitoral está por trás de tudo isso, mas o Senado não pode ser o bandido dessa história”, argumentou Tebet.