“A nossa eterna Revolução…” – Um Texto de CARLOS MOURA GOMES

carlos-mouraO termo “revolução” abrange uma área por demais delicada.

1817Refiro-me aos movimentos revolucionários que, muitas vezes, causa espanto para alguns e honra para outros, mesmo que as divergências políticas culminem com sangrentas guerras

Os Estados Unidos comemoram o dia 04 de julho com orgulho.

Foi com uma corajosa rebelião que treze colônias americanas enfrentaram o poder britânico e, com muita luta, em 1766 ganharam sua independência.

Hoje, não podemos ignorar, é a maior potência do mundo.

A França, no fim do século XVIII, era governada por Luiz XVI, rei sem escrúpulo e inimigo do povo.

Essa classe já não suportando tanta perseguição e injustiça, resolveu se unir e iniciou a mais importante revolução da história moderna.

Em 14 de julho de 1789, os rebeldes conquistaram a Bastilha, uma antiga prisão francesa que se tornou símbolo desse confronto, e assim, colocaram a monarquia de joelhos.

Aqui no Brasil Colônia, após vencerem com muito sofrimento a grande seca de 1816, os valentes nordestinos tendo como sede a então Capitania de Pernambuco, inspirados nos movimentos ocorridos na América e na Europa, revolveram enfrentar as tropas de Dom João VI que governava nosso país de forma tirana e arbitrária, além de derramar dinheiro com a Família Real e seus protegidos.

Eram, comprovadamente, gastos excessivos e desnecessários.

Começava a Revolução Pernambucana de 06 de março de 1817 que proporcionava ao povo, dentre outras vantagens, a liberdade de imprensa, a redução de impostos cobrados desproporcionalmente e uma Constituição elaborada com o povo e para o povo.

A Igreja Católica, comerciantes, juristas, fazendeiros e militares foram fundamentais nessa efêmera vitória de apenas 74 dias de República.

Mês que vem a conhecida Revolução dos Padres completa 201 anos, sem que nenhum governo enxergasse sua merecida importância, não somente na história de Pernambuco, mas do Brasil e do mundo. Sinto-me, honestamente, como se dela tivesse participado ativamente junto ao guerreiro José de Barros Martins, o “Leão Coroado”, e os destemidos missionários João Ribeiro e Miguelinho.

A retomada do poder pelas forças imperiais, jamais representou uma derrota para o povo pernambucano. Afinal, esse exemplo de cidadania se perpetuou em nosso sangue, nos transmitindo a certeza de que “mais valem as lágrimas de não ter vencido do que a vergonha de não ter lutado.”

Pernambucanamente,

CARLOS MOURA GOMES – Gravatá, fev/2018