“CAPITÃO NÃO MANDA MAIS QUE GENERAL” – Um texto do jornalista OLBIANO SILVEIRA

ppAlguém aí tem dúvida?

O entrevero, por enquanto verbal, tácito, entre o capitão escolhido presidente e o eventual substituto, dono de quatro estrelas, Hamilton Mourão, era previsível – ou previsto mesmo – desde a escolha deste para a chapa como vice-presidente.

Trocaram diálogos não muito amáveis, expondo divergências conceituais ao longo da campanha, mas hoje, a 38 dias da posse, a desavença propriamente dita exibe-se como inexorável ou já em curso.

Explico: noite passada, no Centro Cultural Banco do Brasil,  quartel da transição, o general desembuchou pontos de vista opostos aos do seu chefe/subordinado (esquisito, né?) quanto ao destino do transatlântico prestes a zarpar.

Coisas fundamentais para a vida de todos nós e para a terra de nosso senhor (repetindo Ary Barroso).

Disparates como menosprezo  à importância da China como superpotência econômica e geopolítica; indisposição extemporânea, explicitadas em abordagens hostis à própria China, árabes, Mercosul e Venezuela, bem como outros temas sensíveis.

O general Mourão prega, em contraposição, atitudes de paz e harmonia com todos.

Rechaça a pretensão da autoridade de Messias Bolsonaro de mudar a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém; desdenha das concepções do chanceler nomeado Ernesto Araújo. Disse “não resta dúvida de que existe um aquecimento global. Não acho que seja uma trama marxista”.

Por todas essas coisas, óbvias, mais do que razoável admitir que, um pouco mais à frente, a aparente – nem aparente, talvez – harmonia poderá derreter e, então… então fica por conta do imponderável.

O que tá rolando e seria insensatez pôr em dúvida é que a ordem unida não promete permanecer unida. E, num caminho povoado de ouriços, como o que está sendo percorrido, não faz sentido pra andar descalço.

Que haverá turbulências a 40 mil pés de altitude, em pouco tempo,  nem os capacetes dos dragões da independência duvidam.

Olbiano Silveira, é jornalista