PT, PSB, PSOL, PDT e PCdoB articulam encontro em busca de consenso

eleiçõesEm busca de um consenso, as direções dos partidos de esquerda articulam um encontro na sede do PDT, em Brasília, na próxima quarta-feira (23).

O encontro é uma tentativa de montar uma estratégia em comum e escapar de diálogos estritamente paralelos entre as legendas. Com múltiplas candidaturas no grupo, as agremiações tentam construir uma estratégia para fortalecer o campo de esquerda, mas os projetos individuais são um obstáculo direto.

A reunião colocará na mesma mesa os dirigentes do PSOL, PDT, PCdoB, PT e PSB. Com a exceção do PSB, todos têm candidatura própria à Presidência da República: Guilherme Boulos (PSOL), Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nos bastidores, a tentativa do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) de construir um consenso em torno da sua candidatura vem despertando a atenção dos petistas, que começam a cobrar dos seus aliados.

Em encontros com os aliados, a direção do PT faz questão de garantir a manutenção da candidatura do ex-presidente Lula.

Em contrapartida, a postulação do ex-presidente é vista como uma icógnita pelos aliados.

O PCdoB já demonstrou a disposição de abrir mão do seu projeto político em nome da unidade da oposição.

Será o primeiro encontro de vários que as lideranças tentam articular.

VIOLÊNCIA – Assassinatos caem 30,74% em abril, diz Secretaria de Defesa Social

Todas as macrorregiões do estdo apresentaram números menores, no mês e no primeiro quadrimestre de 2018, em relação aos menos períodos de 2017

Diario de Pernambuco

policiaOs Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) caíram pelo terceiro mês consecutivo, em abril, e atingiram o menor patamar dos últimos 21 meses em Pernambuco.

Foram registrados 356 homicídios, melhor marca desde julho de 2016. Segundo a Secretaria de Defesa Social, os dados representam a continuidade de uma curva descendente iniciada em janeiro de 2018.

De acordo com o órgão, 73,3% dos casos registrados em abril tiveram relação com o tráfico de drogas, acertos de contas e outras atividades criminais.

A diminuição foi de 30,74% em comparação a abril de 2017, quando houve 514 casos.

Considerando os primeiros quadrimestres deste ano e do ano passado, a retração foi de 21,98%, com 1.590 crimes em 2018 e 2.038 em 2017. Uma diferença de 448 crimes a menos. Todas as macrorregiões de Pernambuco apresentaram números menores, tanto

em abril quanto no primeiro quadrimestre de 2018, em relação aos mesmos períodos de 2017.

Considerando só abril, em comparação com o mesmo mês do ano passado, o Agreste reduziu as mortes em 29,8% (de 131 para 92), a RMR teve queda de 27,3% (139 para 101), a Zona da Mata retraiu 43,9% (114 a 64) e o Sertão teve a diminuição mais tímida, de 8,62% (58 a 53). O Recife, por sua vez, atingiu o decréscimo de 36,1% (72 a 46).

Na análise dos primeiros quadrimestres de 2017 e 2018, o Agreste teve redução de 25,4% (de 453 homicídios para 338), a RMR recuou 19,8% (595 a 477), a Zona da Mata diminuiu 20,3% (443 para 353) e o Sertão 11,49% (235 para 208). Já a capital registrou 31,4% menos CVLIs no mesmo comparativo, passando de 312 para 214 mortes.

Dos 184 municípios pernambucanos, 90 não notificaram nenhum CVLI em abril de 2018, e 75 alcançaram reduções nesse tipo de crime (que engloba homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte), quando comparadas ao mesmo mês do ano anterior.

Em 16 cidades, os números não se alteraram em relação a abril de 2017. Nos municípios abrangidos pela Diretoria Integrada do Interior 2, que abarca todo o Sertão, nenhum homicídio ocorreu nos dias 1, 13 e 20 de abril.

Já na área da Diretoria Integrada do Interior 1, responsável pelo Agreste e Zona da Mata, houve zero CVLI no dia 4 de abril.

“As estatísticas demonstram que o planejamento e a execução de ações de segurança pública, com investimentos importantes na contratação de policiais, viaturas, equipamentos e mapeamento das manchas criminais, estão alcançando resultados importantes, com consistência”, disse o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Antônio de Pádua.

Drogas – A maior parte dos homicídios praticados em abril de 2018 tem relação com tráfico de drogas, acertos de contas e outras modalidades criminais. Das 356 vítimas, 73,31% foram assassinadas por essas motivações. Um levantamento preliminar da SDS sobre o histórico dessas vítimas mostra que 137 delas, parcela correspondente a 38,48%, já haviam sido submetidas ao sistema de justiça criminal.


Menos mulheres vítimas

Abril de 2018 registrou o menor número de homicídios de mulheres dos últimos quatro anos em Pernambuco. Houve 13 vítimas de CVLIs, das quais uma foi alvo de um feminicídio –  crime praticado devido à condição de mulher da vítima. O menor número havia sido em maio de 2014, com 12 casos. O único feminicídio de abril vitimou uma jovem de 20 anos, morta em em Olinda. O marido e pai dos dois filhos dela foi preso no dia 9 de maio e encaminhado ao Cotel.

Em relação a abril de 2017, a quantidade de feminicídios caiu 88,89%, uma vez que no ano passado ocorreram nove crimes. No comparativo entre o primeiro quadrimestre de 2018 com o do ano anterior, o número decresceu de 29 para 13 casos (-55,17%). Em nota, a governo do estado destacou que vem investindo em políticas públicas que fortalecem a segurança das mulheres.

Em outubro de 2017, o governador Paulo Câmara assinou decreto retirando o termo crime passional dos boletins de ocorrência. Com isso, as mortes de mulheres praticadas com o objetivo de subjugá-la pelo fato de ser mulher passaram a ser

tipificadas como feminicídio, com pena prevista de 12 a 30 anos de reclusão – mais rígida do que um homicídio simples, que prevê de 6 a 20 anos. Também foram inauguradas duas novas Delegacias da Mulher (Afogados da Ingazeira e Cabo de Santo Agostinho), elevando o total de unidades para 11 no estado.

 Números

 356 – pessoas foram assassinadas em Pernambuco em abril de 2018

13 – mulheres estão entre as vítimas

137 – vítimas tinham passagem pela Justiça Criminal

541 – armas foram apreendidas no estado em abril

2.622 – acusados de crimes foram presos em flagrante

90 – cidades não notificaram nenhum CVLI em abril

Eleições 2018: Os pré-candidatos à Presidência e quais dificuldades têm de superar até a campanha

Eleições Quem são os candidatos?

eleiçaoDepois de meses de suspense e pressão, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa anunciou nesta terça-feira que não será candidato à presidência em 2018. Filiado ao PSB, Barbosa alegou razão “estritamente pessoal” para se retirar da disputa. Ele aparecia nas pesquisas eleitorais recentes com ao menos 11% das intenções de votos – preferência que agora será disputada pelos candidatos remanescentes. Oficialmente, são 17 até o momento, mas o cenário segue tão aberto que não se pode antecipar quais deles de fato estarão nas urnas em outubro.

No entanto, todos os que aparecem nas pesquisas de intenção de votos ou que já anunciaram a intenção de disputar o pleito têm importantes obstáculos a superar até o início da campanha, marcada para começar em agosto.

Pendências na Justiça, disputas partidárias internas, tempo escasso de propaganda no rádio e na televisão, alta rejeição ou falta de popularidade e impedimento para participar de debates são alguns dos desafios que os postulantes à Presidência e seus respectivos partidos precisam driblar.

As legendas trabalham com prazos cada vez mais curtos para atrair políticos, firmar alianças e lançar seus candidatos na tentativa de aumentar suas chances eleitorais. Uma mudança na legislação em 2015 reduziu de um ano para seis meses o prazo para filiação partidária de quem quer disputar a eleição. Isso significa que quem pretende concorrer deve se filiar a um partido político até o dia 7 de abril. O registro das candidaturas, por sua vez, deve ser feito até 15 de agosto.

Do total do tempo de propaganda, 90% são distribuídos proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos por cada legenda em 2014 e o restante será distribuído igualitariamente. Para participar de debates na TV, por sua vez, o candidato precisa estar filiado a um partido com mais de cinco congressistas. Por isso, muitas bancadas apostaram na janela de 30 dias aberta em março para a troca de legenda de políticos que queiram se candidatar sem o risco da perda do mandato em curso.

A BBC Brasil listou obstáculos dos principais pré-candidatos e partidos que já anunciaram a intenção de lançar um nome à Presidência da República. Confira:

Lula (PT)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 72 anos, tem liderado os cenários para a eleição presidencial em 2018, mas pode ser impedido de disputar a eleição, uma vez que a segunda instância da Justiça federal manteve por unanimidade a condenação dele por corrupção e lavagem de dinheiro. Assim, a candidatura do petista pode ser barrada pela Lei da Ficha Limpa.

Além de ter sido condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4), que aumentou a sentença de 9 anos e seis meses para 12 anos e 1 mês, Lula teve a prisão decretada em abril porque o Supremo Tribunal Federal (STF) recusou, por 6 votos a 5, o pedido de habeas corpus do petista para que ficasse em liberdade até que se esgotassem todos os recursos.

Embora a situação do ex-presidente tenha se complicado muito após a derrota no STF, isso não significa que necessariamente ele cumprirá integralmente os 12 anos de pena na cadeia. Há três caminhos que podem resultar na soltura do petista: 1) sua defesa pode apresentar novos pedidos de habeas corpus; 2) o petista pode ter sua condenação anulada pelos tribunais superiores; 3) O STF pode rever seu posicionamento sobre a prisão após condenação em segunda instância para todos os réus do país, o que beneficiaria Lula.

Assim, se tentar concorrer à Presidência, Lula pode usar a campanha como estratégia de defesa das acusações que pesam contra ele. A defesa de Lula, que tenta reverter a condenação sob o argumento de que o ex-presidente é inocente e que não há provas contra ele, traça estratégias jurídicas para mantê-lo na disputa eleitoral por meio de diferentes recursos e pedidos de liminares.

Até o momento, o ex-presidente possui apenas uma condenação, mas ele é réu em outras seis ações penais, sob acusação de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.

Além das pendências judiciais, Lula também tem rejeição alta – segundo pesquisa Datafolha realizada entre 11 e 13 de abril, 36% disseram não votar nele de jeito nenhum. Menor, entretanto, que a do presidente Michel Teme, 64%, e queo ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello, com 41% de rejeição frente ao eleitorado.

Ainda assim, muitos integrantes da cúpula do PT veem em Lula a única opção para a disputa presidencial. Um plano B seria o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que já declarou ser uma “grande deselegância com Lula” se colocar como opção do partido para 2018. Outro nome cogitado pelo partido é o ex-ministro e ex-governador da Bahia Jaques Wagner.

O PT enfrenta dificuldades para se coligar e deve participar das eleições sem partidos aliados.

Lula nasceu em Pernambuco, mas construiu sua carreira política em São Paulo, incialmente como sindicalista. Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo para participar da Assembleia Nacional Constituinte. Foi eleito presidente em 2003, depois de ter disputado as presidenciais outras três vezes. Comandou o Brasil por dois mandatos e elegeu a sucessora, Dilma Rousseff, em 2010.

Jair Bolsonaro (PSL)

Segundo colocado nas pesquisas de intenção de votos, o deputado federal Jair Bolsonaro, de 63 anos, trocou de partido para disputar as presidenciais.

Bolsonaro, que estava filiado ao PSC, chegou a assinar a ficha de filiação do PEN (Partido Ecológico Nacional), que espera a homologação da Justiça Eleitoral para mudar o nome para Patriota – mudança feita a pedido do pré-candidato. Mas, em seguida, filiou-se ao PSL (Partido Social Liberal) para concorrer à Presidência da República.

Como o PSL conta atualmente com uma bancada de 10 deputados, Bolsonaro vai poder participar de debates na televisão. Mas recursos de campanha ainda são vistos como um desafio para a candidatura de Bolsonaro. Os apoiadores do pré-candidato apostam na divulgação do número de uma conta para arrecadar doações na internet. O Tribunal Superior Eleitoral autorizou o uso de “vaquinha virtual” nessa eleição para arrecadar recursos de pessoas físicas – a doação de empresas permanece proibida.

Bolsonaro enfrenta ainda o desafio de fazer campanha com pouco tempo de propaganda oficial no rádio e na televisão.

O PSL, por exemplo, elegeu apenas dois deputados federais em 2014, número que é levado em conta na hora do cálculo sobre o tempo de TV na eleição presidencial. Pelas regras atuais, é pouco provável que o partido tenha mais que 15 segundos de cada bloco de 12 minutos e meio de propaganda (serão seis blocos por semana, durante 35 dias de campanha).

Bolsonaro tentaria contornar essa limitação usando redes sociais e contando com a produção espontânea de conteúdo de simpatizantes. O pré-candidato também vai precisar ainda mostrar a uma parcela do eleitorado que não é agressivo nem radical e que domina diferentes temas.

Militar da reserva e professor de educação física, Bolsonaro é deputado federal desde 1991 – tem sete mandatos por cinco partidos diferentes.

Geraldo Alckmin (PSDB)

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de 65 anos, assumiu em dezembro a presidência do PSDB para tentar apaziguar o partido, que se dividiu entre ficar ou sair da base do governo de Michel Temer.

Alckmin foi confirmado como o único postulante do PSDB, depois que o ex-senador e atual prefeito de Manaus Arthur Virgílio desistiu de participar das prévias para definir quem será o candidato tucano nas urnas. No fim de fevereiro, Virgílio criticou o correligionário paulista, a quem acusou de usar a máquina partidária para evitar a disputa, e anunciou que não vai fazer campanha para Alckmin.

O ex-prefeito de São Paulo, João Doria, era outro tucano que almejava a candidatura presidencial, mas acabou deixando o cargo para disputar o governo paulista. Muitos tucanos acreditam que ele “queimou a largada” ao fazer um giro pelo Brasil na tentativa de aumentar sua popularidade – ele ainda é considerado desconhecido no país e não conseguiu alavancar seu nome nas pesquisas.

Além das muitas disputas internas, Alckmin assumiu um PSDB desgastado pelas denúncias de corrupção contra integrantes do partido, em especial as que pesam contra o senador Aécio Neves, que disputou as eleições presidenciais em 2014. Alckmin também foi acusado de receber R$ 10 milhões em quantias não declaradas da Odebrecht, o que nega.

O governador paulista, que deixará o cargo no Palácio dos Bandeirantes para fazer campanha, também não sabe se e quando contará com o apoio do DEM, aliado fiel de eleições anteriores. Coligada, a chapa PSDB-DEM teria, por exemplo, mais tempo de propaganda, mas o DEM lançou candidato próprio.

Alckmin já disputou as eleições presidenciais em 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno.

Formado em Medicina, começou a carreira política como vereador e, depois, foi prefeito de Pindamonhangaba (SP), sua cidade natal. Em 1994, foi eleito vice-governador de São Paulo e acabou assumindo o governo com o agravamento do estado de saúde de Mário Covas em 2001. Perdeu a disputa pela prefeitura de São Paulo em 2008, mas voltou como governador em 2010 e foi reeleito em 2014.

Marina Silva (Rede)

Com duas eleições presidenciais no currículo, Marina Silva, de 60 anos, lançou oficialmente a candidatura em 2 de dezembro de 2017. A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, contudo, deve ter somente 12 segundos de propaganda, e dificilmente a Rede vai se coligar com outros partidos para aumentar o tempo na televisão e no rádio.

Mas como a Rede perdeu dois deputados federais – Alessandro Molon (RJ) e Aliel Machado (PR) foram para o PSB -, o partido conta com uma bancada de apenas três congressistas e, assim, não teria a garantia de participação de Marina nos debates. Caberia às emissoras a escolha de convidar ou não a candidata.

Marina enfrenta uma rejeição de 22%, segundo o Datafolha de abril, mas a pré-candidata da Rede é a que mais agrega votos de Lula e nos cenários em que o petista fica de fora da disputa.

Ela vai precisar também responder a críticas de ser omissa em momentos em que muitos aguardavam um posicionamento ou opiniões firmes sobre temas centrais ou disputas políticas e de ter declarado voto a Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014.

Avessa a embates e a ataques, a própria candidata avalia que será uma campanha extremamente agressiva.

Marina disputou as duas últimas eleições presidenciais, uma pelo PV e outra pelo PSB. Ela começou a carreira política no PT.

Ciro Gomes (PDT)

A candidatura presidencial do ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, de 60 anos, foi confirmada em março de 2018 pelo PDT.

A falta de aliados para fortalecer a candidatura numa coligação formal é um obstáculo a ser enfrentado. O PDT negocia alianças com o PSB e o PCdoB. “São conversas que ainda estão em construção”, disse Carlos Lupi, presidente do PDT, à BBC Brasil.

O estilo franco e impulsivo que há anos rende a Ciro a fama de “destemperado” pode ser um empecilho. “Todo mundo já teve uma palavra mal dita ou foi mal interpretado”, pondera Lupi.

Ciro enfrenta uma rejeição de cerca de 23% do eleitorado, que, segundo o Datafolha deabril, diz não votar nele de jeito nenhum, e não decolou. A depender do cenário ele tem de 6% a 10% das intenções de voto.

Ciro Gomes já foi prefeito de Fortaleza, deputado estadual, deputado federal, governador do Ceará e ministro dos governos Itamar Franco (Fazenda) e Lula (Integração Nacional).

Ele já passou por sete partidos em 37 anos de vida pública. Ciro já concorreu à Presidência duas vezes, em 1998 e em 2002.

Aldo Rebelo (Solidariedade)

Aldo Rebelo, de 62 anos, já foi presidente da Câmara e ministro dos governos de Lula e Dilma Rousseff – ele comandou a Secretaria de Coordenação Política e os ministérios de Relações Institucionais, Defesa, Esporte e Ciência e Tecnologia.

Para se candidatar, deixou o PCdoB, partido ao qual foi filiado por quase três décadas, para se juntar ao PSB.

Mas Aldo se opôs à entrada de Joaquim Barbosa no partido – a filiação do ex-ministro do STF rachou a legenda.

Acreditando estar sem espaço, Aldo se filiou ao Solidariedade que, em 16 de abril, lançou sua pré-candidatura à Presidência.

Natural de Alagoas, Aldo Rebelo foi líder estudantil. Formado em Direito, começou a carreira política em São Paulo, onde se elegeu vereador pelo PCdoB, na década de 1980. Em 1990, foi eleito deputado federal e representou São Paulo na Câmara por cinco mandatos consecutivos, sempre pelo PCdoB.

Manuela D’Ávila (PCdoB)

Ao anunciar a ex-deputada federal e atual deputada estadual no Rio Grande do Sul como pré-candidata, o PCdoB praticamente acabou com a possibilidade de o partido ser vice numa eventual chapa encabeçada por Lula.

Ao perderem o aliado, petistas classificaram a decisão do PCdoB como “erro histórico”.

Manuela, de 36 anos, terá cerca de 20 segundos do tempo de propaganda e poderá participar de debates. Apesar de ter sido deputada federal por dois mandatos e líder do PCdoB da Câmara, Manuela não é um nome conhecido em todo o país. Conforme apontou o Datafolha de novembro, ela era conhecida por 24% do eleitorado.

Entre os obstáculos, provavelmente, também estará a dificuldade de desassociar a imagem do partido à do PT – em especial porque o PCdoB foi contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e muitos de seus filiados defendem Lula das acusações que pesam contra ele na Justiça.

Manuela é jornalista de formação e foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, eleita aos 23 anos. Em 2006, foi para a Câmara dos Deputados, onde ficou por dois mandatos. Concorreu à prefeitura da capital gaúcha duas vezes, sem sucesso. É deputada estadual desde 2014.

Álvaro Dias (Podemos)

O ex-tucano Álvaro Dias, de 73 anos, ganhou fama no Senado por ser um ferrenho crítico da gestão petista e integrante ativo de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito).

No ano passado, ele trocou o PV pelo Podemos – antigo PTN – com a expectativa de se lançar candidato, mas ainda enfrenta o desafio de se tornar um nome mais conhecido nacionalmente, capaz de conseguir mais que os 4% de votos sinalizados pelas pesquisas.

Segundo o Datafolha de novembro, o senador era conhecido por 44% dos entrevistados, mas apenas 9% disseram que o conhecem muito bem.

Projeções iniciais indicam que ele teria 12 segundos no rádio e na televisão.

Álvaro Dias cursou História e está no quarto mandato consecutivo de senador. Já foi vereador, deputado estadual, deputado federal e governador do Paraná. É de uma tradicional família de políticos do Estado.

Rodrigo Maia (DEM)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de 47 anos, foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1998, aproveitando da fama do pai, o deputado e ex-prefeito do Rio por três mandatos Cesar Maia. Em março deste ano, o DEM decidiu lançar o nome de Rodrigo Maia à Presidência, rompendo uma aliança histórica com o PSDB.

Desde 1989 o DEM não tinha um candidato próprio na disputa pela principal cadeira do Palácio do Planalto. Naquela eleição, Aureliano Chaves representou o extinto PFL. Em 2007, a legenda mudou de nome – passou a se chamar Democratas – e escolheu Rodrigo Maia para presidir e renovar o partido.

Ele se declara um liberal, mas tem bom trânsito com representantes da esquerda. Teria inclusive oferecido a vaga de vice-presidente numa eventual chapa encabeçada por ele ao ex-ministro e ex-deputado Aldo Rebelo, que já foi filiado ao PCdoB e hoje está no PSB.

Com cinco mandatos consecutivos como deputado federal no currículo, Rodrigo Maia começou a cursar economia na Faculdade Cândido Mendes, no Rio, mas, segundo o site da Câmara dos Deputados, não concluiu o curso.

Nos anos 1990, antes de começar na política como secretário de governo do então prefeito do Rio Luis Paulo Conde, ele trabalhou nos bancos BMG e Icatu.

Michel Temer (MDB)

Michel Temer assumiu a intenção de concorrer à presidência em março deste ano. Mas o caminho do emedebista até a reeleição é cercado de dificuldades: além de lidar com baixas taxas de aprovação de seu governo (4%, segundo pesquisa Ipsos de março), Temer enfrenta dificuldades para convencer caciques de partidos aliados do governo e do próprio MDB sobre a viabilidade de sua candidatura.

Reeleito vice-presidente na chapa de Dilma em 2014, Temer articulou politicamente pelo impeachment da petista em 2016, e assumiu a presidência depois do afastamento de Rousseff, em maio daquele ano.

Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Temer assumiu seu primeiro cargo em 1987, como deputado constituinte (ele tinha sido eleito suplente e assumiu graças à saída do titular). Depois disso, foi deputado federal por vários mandatos (de 1994 a 2010), e chegou a presidir a Câmara dos Deputados em dois momentos (1997-2001 e 2009-2010). Em 2011, Temer subiu a rampa do Planalto pela primeira vez como vice-presidente na chapa encabeçada por Dilma Rousseff (PT).

João Amoêdo (Novo)

O ex-banqueiro João Amoêdo, de 55 anos, se afastou da presidência do partido que ele próprio ajudou a criar em 2015 para ser lançado pré-candidato à Presidência. Pelas regras do Novo, candidatos não podem exercer funções partidárias nos últimos 15 meses antes da eleição.

Amoêdo não é um nome que desfruta de popularidade e tem viajado o país para fazer palestras na tentativa de se tornar mais conhecido.

Novato em eleições gerais, o partido de Amoêdo conta com o apoio de profissionais liberais, de economistas que ocuparam cargos importantes no governo de FHC, como Gustavo Franco, e tem entre seus quadros o ex-treinador de vôlei Bernardinho. A legenda ainda tenta atrair tucanos descontentes que estão deixando o partido.

A maioria deles, contudo, é neófita das urnas.

Formado em Engenharia Civil e Administração, Amoêdo começou a carreira profissional trabalhando para bancos e chegou a ser vice-presidente do Unibanco e membro do conselho de administração do Itaú-BBA. Atualmente é sócio do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças.

Guilherme Boulos (PSOL)

Em março, o PSOL anunciou o nome do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, de 36 anos, como candidato à Presidência. A chapa terá como candidata a vice-presidente a ativista indígena Sônia Guajajara, também do PSOL.

Para o deputado-federal Chico Alencar (PSOL-RJ), é mais fácil o partido se coligar com movimentos da sociedade civil organizada do que com partidos políticos. “Há um descrédito muito grande, as pessoas estão com nojo dos partidos”, diz Alencar.

Boulos venceu a disputa interna no PSOL, que tinha como pré-candidatos os economistas Plínio de Arruda Sampaio Jr e Nildo Ouriques e Hamilton Assis, militante do movimento negro.

O PSOL avalia que o grande desafio será cumprir a cláusula de barreira que exige para 2018 1,5% dos votos em nove Estados para que as legendas continuem recebendo fundo partidário e tendo acesso a inserções no rádio e na televisão.

A legenda terá cerca de 13 segundos de propaganda eleitoral, mas vai conseguir participar dos debates por ter uma bancada com seis deputados.

Professor e escritor, Guilherme Boulos é formado em Filosofia pela USP, tem especialização em Psicologia Clínica pela PUC-SP e mestrado em Psiquiatria pela USP. É membro da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, movimento no qual milita há 16 anos, e da Frente Povo Sem Medo.

Flávio Rocha (PRB)

O empresário Flávio Rocha, de 60 anos, dono da rede de lojas de vestuário Riachuelo, anunciou em março que pretende disputar a Presidência. Rocha, contudo, não é um neófito na política. Ele foi deputado constituinte pelo PFL. Depois da promulgação da Constituição, em 1988, foi reeleito deputado federal pelo PRN e, em seguida, se filiou ao PL.

Em 1994, ele tentou ser presidente do Brasil. Mas, depois que uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou um suposto esquema fraudulento de doação para a campanha de Rocha, o PL o forçou a abandonar a disputa eleitoral. Rocha sempre negou participação e diz que ninguém nunca provou que ele se beneficiaria do esquema.

Rocha não voltou a disputar nenhum cargo público, mas teve o nome cogitado para representar o Rio Grande do Norte no Senado em duas ocasiões distintas.

Em março, ele se filiou ao PRB, que tem fortes ligações com a Igreja Universal do Reino de Deus, para disputar as eleições presidenciais. Antes, lançou um movimento de empresários para defender propostas liberais na economia e conservadoras nos costumes.

O empresário anunciou que vai deixar a vice-presidência e a diretoria de relações com investidores do Grupo Guararapes, dono da rede de lojas Riachuelo, para disputar a Presidência. Ainda é, contudo, considerado um nome desconhecido entre os eleitores.

Paulo Rabello de Castro (PSC)

Recém-filiado ao PSC, Paulo Rabello de Castro, de 69 anos, foi lançado candidato presidencial em novembro e deixou o cargo de presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no mês passado para disputar a eleição.

Ele ficou quase dez meses no BNDES, onde entrou para substituir a economista Maria Sílvia Bastos Marques.

Nome desconhecido de grande parte do eleitorado, Rabello de Castro contabiliza apenas 1% nas pesquisas de intenção de voto. Além de incrementar a popularidade do candidato, o PSC pode precisar conter uma migração em massa de sua bancada para outras legendas.

Antes de assumir o BNDES, ele havia sido indicado por Michel Temer para presidir o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Formado em Economia e em Direito, é fundador da primeira empresa brasileira de classificação de riscos de crédito do país.

Henrique Meirelles (MDB)

Para tentar se viabilizar como pré-candidato, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de 72 anos, anunciou que deixaria o cargo no início de abril e trocaria o PSD pelo MDB (ex-PMDB).

Para se viabilizar como candidato, ele ainda busca o apoio declarado de Michel Temer, que ainda não descartou a possibilidade de ele próprio tentar se reeleger presidente. Meirelles também corteja partidos do centrão como PP e PR para uma possível candidatura.

Mas a popularidade de Meirelles ainda é um obstáculo a ser superado. O ministro, apontou o Datafolha em novembro, era conhecido por 48% do eleitorado, mas só 9% disseram conhecê-lo muito bem.

A trajetória profissional de Meirelles está ligada à área financeira internacional. Antes de ser presidente do Banco Central, entre 2003 e 2011, no governo Lula, foi o principal executivo do BankBoston. Antes de assumir a Fazenda, Meirelles atuou por quatro anos como presidente do conselho de administração da J&F Investimentos, holding criada pela família Batista e controladora da JBS.

Fernando Collor de Mello (PTC)

O ex-presidente do Brasil e atual senador por Alagoas, Fernando Collor de Mello (PTC), de 68 anos, anunciou em janeiro que é pré-candidato à Presidência da República. Os planos de Collor foram anunciados durante inauguração do diretório regional do PTC em Arapiraca, cidade alagoana distante 130 km de Maceió.

“Tenho uma vantagem em relação a alguns candidatos porque já presidi o país. Meu partido todos conhecem, sabem o modo como eu penso e ajo para atingir os objetivos que a população deseja para a melhoria de sua qualidade de vida”, disse em entrevista à rádio 96 FM, de Arapiraca (AL).

O nome de Collor, contudo, já enfrenta rejeição alta.

O Partido Trabalhista Cristão (PTC) é o antigo Partido da Reconstrução Nacional (PRN), que elegeu Collor ao Planalto em 1989. Ele já foi presidente do país entre 1990 e 1992, quando se tornou o primeiro presidente eleito pelo voto popular a sofrer impeachment. Em seu lugar assumiu o então vice, Itamar Franco.

Ele está no segundo mandato como senador.

Vera Lúcia (PSTU)

A sapateira Vera Lúcia, de 50 anos, foi lançada como cabeça da chapa presidencial do PSTU, que deverá ter como vice o professor Hertz Dias, da rede pública do Maranhão.

Ela é ativista sindical em Sergipe e ex-militante petista. Vera Lúcia ajudou a fundar o PSTU com outros filiados do PT, depois que foram expulsos em 1992.

Estão cotados também para participar da disputa os nomes do senador Cristovam Buarque (PPS), que foi candidato presidencial em 2006, do filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart (PPL). Há ainda nomes como o de Levy Fidelix (PRTB) que foi candidato em 2010 e em 2014 e deve disputar o pleito novamente.

Reportagem publicada or

Integrantes da Lava Jato vivem na “mesma bolha”, diz pesquisador da UFPR

ricardoO sociólogo Ricardo Oliveira, que pesquisou as biografias de magistrados, procuradores e advogados da operação, diz que eles têm as mesmas origens, às vezes se conhecem desde a infância e por isso atuariam em rede

bolhaPara o professor de sociologia Ricardo Costa de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), os integrantes da Lava Jato (incluindo magistrados, procuradores e advogados) operam em um circuito que chama de “fechado” e que funcionaria “em rede”.

O professor comanda um grupo de pesquisa chamado “República do Nepotismo”, que utiliza a técnica da prosopografia (biografia coletiva de determinado grupo social ou político) para demonstrar que pessoas como Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e advogados ligados às delações são herdeiros de figuras do Judiciário e da política paranaenses. O estudo será apresentado na segunda quinzena deste mês.

“Eles se conhecem muitas vezes desde a infância, porque os pais já se conheciam.

Frequentaram as melhores escolas, universidades, têm sociabilidade em comum. Quer dizer, vivem na mesma bolha. Têm as mesmas opiniões e gostos políticos e ideológicos.

E todos têm conexão com a indústria advocatícia, com os grandes escritórios jurídicos”, afirma.

Quais as principais conclusões do estudo que o sr. desenvolve na UFPR?

Em primeiro lugar, quando a gente pensa na magistratura brasileira e do Paraná, sempre se deve entendê-la como unidades de parentesco. São famílias ao mesmo tempo jurídicas e políticas, uma unidade que sempre opera em rede.

Não existe aquela figura, como alguns imaginam, de pessoas que são “novas”, ou “emergentes”, ou “renovadoras”. Os resultados mostram que são todos herdeiros de uma velha elite estatal.

Isso inclui os integrantes da Lava Jato?

Sim, o juiz Sérgio Moro e todo mundo, temos todos os documentos. É uma elite estatal hereditária porque eles apresentam parentescos no sistema judicial bastante significativos. Não apenas parentesco, mas também relações matrimoniais, de amizade e de sociabilidade. Há também a dimensão do corporativismo. Se forma um grande circuito formativo ideológico, de convivência, que tem determinados padrões e valores hereditários.

O próprio Sérgio Moro, uma figura central, filho de um professor universitário, tem como primo um desembargador, o Hildebrando Moro.

Ter um parente no Tribunal de Justiça, para os códigos internos, faz muita diferença.

Na nossa interpretação, é um sistema pré-moderno. Ele não funciona através de regras impessoais ou de aspectos técnicos, mas com muito poder pessoal.

De modo que o ator, na magistratura, tem uma capacidade incrível de determinar a agenda, a temporalidade dos processos, no sentido de escolher os que quer acelerar e aqueles que serão adiados.”

Citados pelo ministro Gilmar Mendes como “o novo direito de Curitiba”, escritórios de advocacia especializados em delação agora captam clientes preocupados com futuras investigações, antes mesmo da abertura de inquéritos
De cada lado do balcão, um Castor de Mattos

Citado por Gilmar Mendes, procurador da Lava Jato Diogo Castor de Mattos e seu irmão advogado, Rodrigo, aparecem atuando juntos em pelo menos cinco procedimentos judiciais da 13a Vara Federal de Curitiba

Existe relação de proximidade entre magistrados, procuradores e advogados da Lava Jato?

Sim, é o mesmo circuito. Tem o caso da esposa do Moro, a Rosângela Maria Wolff Quadros, que é advogada. Ela está situada dentro do clã da família Macedo, genealogia extremamente importante no Paraná, que atinge atores nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e no empresariado.

Como Rafael Greca de Macedo [prefeito de Curitiba], o Beto Richa [governador do Paraná licenciado] e um conjunto de empresários e desembargadores do Tribunal de Justiça. Até se usa o termo “Macedônia”, dada a importância da família Macedo.

E a família Wolff é típica do poder local de São Mateus do Sul [interior do Paraná], é uma estrutura que vem da República Velha, do coronelismo. Ela, como advogada, tem relações profissionais com a Apae.

E aí há uma conexão direta com a família Arns. Flávio Arns foi senador, vice-governador, ator de atividades assistenciais. E com o advogado Marlus Arns de Oliveira, que é sobrinho do Flávio Arns.

Qual a relação entre eles?

É uma relação profissional [da esposa de Moro] com a família Arns e com as Apaes. Eles trabalharam juntos com as Apaes. O Marlus Arns é advogado de muitos acusados da Lava Jato nas delações premiadas.

Chegou até a defender Eduardo Cunha. Em matérias da imprensa sobre advogados amigos do Sérgio Moro, como o Carlos Zucolotto, e as questões sobre Rodrigo Tacla Duran, mostra a partir do casal uma indústria jurídica da Lava Jato, em que muitos dos principais advogados da Lava Jato têm relações próximas com os operadores.

Quais casos foram identificados pelo grupo de pesquisa?

O do procurador Diogo Castor de Mattos, que era filho do falecido procurador Delívar Tadeu de Mattos. Ele foi casado com Maria Cristina Jobim Castor, que era irmã de Belmiro Valverde Jobim Castor, que foi empresário, secretário de Estado, do Bamerindus, um nome muito importante na política.

No escritório da família, o Delívar de Mattos & Castor, trabalha um irmão do procurador, que se chama Rodrigo Castor de Mattos. Ele foi advogado do marqueteiro João Santana. É mais uma relação direta de parentesco, que corrobora que é uma indústria advocatícia da Lava Jato muito próxima dos seus protagonistas.

Arquivo pessoal

Para Ricardo Costa de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), os integrantes da Lava Jato operam em um circuito que chama de “fechado”

Há situações parecidas com outros integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba?

O Carlos Fernando dos Santos Lima é filho de Osvaldo Santos Lima, que foi procurador, deputado estadual da Arena e presidente da Assembleia Legislativa do Paraná em 1973. Ele também tem dois irmãos no Ministério Público. A esposa dele teve relação com o Banestado [banco paranaense que deu origem a escândalo de corrupção nos anos 1990 e Carlos Fernando investigou]. O Deltan Dallagnol é filho do ex-procurador Agenor Dallagnol. Ele passou no concurso sem ter os dois anos de formado, o pai foi o advogado [na apelação da União, em que a Justiça deu vitória ao procurador] . Todos os operadores da Lava Jato também são extremamente conservadores e têm perfil à direita, semelhante aos seus parentes que faziam parte do sistema na ditadura. Naquela época, seus pais eram gente do establishment. E eles herdam a mesma visão de mundo. É uma elite social, política e econômica.

Os integrantes da Lava Jato vivem em um meio comum?

Sim, eles se conhecem muitas vezes desde a infância, porque os pais já se conheciam muitas vezes. Eles frequentaram as melhores escolas, universidades, têm sociabilidade em comum. Quer dizer, vivem na mesma bolha. Têm as mesmas opiniões e gostos políticos e ideológicos. E todos têm conexão com a indústria advocatícia, com os grandes escritórios jurídicos que atuam no sistema judicial.

Na pesquisa, o sr. ouviu falar sobre advogados que conseguem acordos de delação com a Lava Jato fazerem parte de um mesmo grupo?

É exatamente o que os resultados revelam, porque alguns principais advogados da indústria da delação são nomes com conexão com as famílias da Lava Jato.

O mesmo se aplica aos tribunais superiores na Lava Jato?

O circuito é o mesmo quando você analisa o Tribunal Regional Federal da 4ª Região [TRF-4]. Tem o João Pedro Gebran Neto, neto do ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa do Paraná.

Ele vem de uma das mais tradicionais famílias da Lapa, de onde sai boa parte das famílias que dominam a política paranaense nos anos 1970.

Victor Luiz dos Santos Laus é bisneto do fundador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, presidente do TRF-4, é neto do desembargador ministro Thompson Flores, que foi do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a ditadura militar, uma das principais genealogias do Rio Grande do Sul.

O ministro Felix Fischer, mesmo sendo alemão, é casado com uma procuradora de Justiça do Paraná aposentada. Ele tem três filhos no Judiciário paranaense. Depois, no STF, temos o Edson Fachin, que tem a mesma dinâmica familiar. É casado com uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Paraná. A filha dele é advogada do escritório Fachin Advogados Associados e é casada com Marcos Alberto Rocha Gonçalves, filho de Marcos Gonçalves, executivo do grupo J&F, da família dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Há um verdadeiro circuito que começa no Moro e vai até o Fachin. Todos com o mesmo perfil: família, ação política, conexões empresariais, com escritórios advocatícios, ideologia propensa à direita, de uma elite estatal muito antiga que opera em redes familiares.

O desabafo do cidadão gravataense José Orlando

17-ze-orlandoVotar nos deputados apoiados pelos vereadores que aprovaram o aumento da taxa iluminação pública em Gravatá, é gostar de sofrer e ser massacrado.

(Texto retirado da página do facebook de Zé Orlando)

Uma criatura que sabe o esforço que faz para colocar o pão na mesa, jamais votará nos deputados apoiados esse ano por esses vereadores que não tiveram pena do sofrimento do povo aprovando o aumento na taxa de iluminação pública.

Já não bastavam os aumentos que vinham acontecendo quase todos os meses na conta?

Mas para esses vereadores os aumentos ainda eram poucos.

Procure saber quem foram os dez que votaram contra o povo AUMENTADO O VALOR DA TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA.

Precisamos dar o troco a eles.

Se eles derem poucos votos aos seus deputados, ficarão com menos prestígio político e isso não é nada bom para quem só vive de votos.

A importância do primeiro de maio em Curitiba – Lula Livre (Um texto de Keiji Kanashiro – Fundador do PT)

lula imagemO JK dizia que o otimista pode errar, mas o pessimista já começa errando. Eu sempre fui um otimista radical, hoje com tendência a me tornar um otimista pragmático em função das coisas inimagináveis que estão acontecendo no país a partir do golpe de 2016.

No início dos anos sessenta, o Brasil vivia um momento extraordinário.

A partir da eleição de Juscelino, a construção de Brasília, a retomada do desenvolvimento ancorada nos investimentos na indústria automobilística no ABC paulista, a música, o teatro e o cinema brasileiro fazendo sucesso no mundo, no futebol o Brasil campeão do mundo em 1958 e 1962.

Quando da renúncia de Jânio, Jango só tomou posse devido à resistência popular liderada por Leonel Brizola.

A expectativa das reformas anunciadas por Jango trazia a esperança para o povo de um grande futuro para o país.

No inicio de 1964 apesar de algumas manifestações da direita, e da imprensa eu não acreditava que haveria um golpe no país e aconteceu.

No dia 17 de abril de 2016, eu estava no acampamento de resistência em Brasília e disse a Carina Vitral presidente da UNE, que a geração dela estava conseguindo impedir o golpe, coisa que a minha geração não havia conseguido nos anos sessenta.

Na ocasião eu trabalhava na Liderança do PT na Câmara dos Deputados e acreditava realmente que a direita não iria conseguir os votos necessários para instaurar o processo de impedimento da Dilma.

Conseguiram os votos na sessão vergonhosa, o processo foi para o senado e a Dilma foi deposta.

Desde a condenação do Lula no TRF4 muita polêmica no campo progressista sobre o que fazer.

Na verdade eu acho que a esquerda tem dificuldades de combinar uma estratégia revolucionária através de uma tática reformista.

Em algum momento ela terá que fazer autocrítica, e rever a estratégia e as táticas que foram utilizadas no período recente, em especial a no período de 2003 a 2014.

Eu tenho uma tese que se a maioria dos delegados do PT no V Congresso do PT em Salvador tivessem tido outra postura, talvez tivéssemos conseguido impedir o golpe de 2016, mas como disse, um dia vamos ter que avaliar tudo isso, mas agora não é a hora.

Agora a palavra de ordem é LULA LIVRE. Hoje eu gostaria de cumprimentar a direção do PT, quando antecipa o encontro para lançar Lula candidato e afirma que sua candidatura será registrada em 15 de agosto.

Eu tenho dito que hoje nós em termos objetivos temos mais condições de derrubar esse golpe do tínhamos quando do golpe de 1964.

No campo temos o MST e as demais organizações da Via Campesina, na cidade temos uma organização urbana que não havia na época que é o MTST, temos uma o movimento sindical e o movimento estudantil muito mais organizado.

A UNE e UBES nos últimos anos tem nos dado exemplos organização e de luta. Continuamos com apoio de intelectuais, artistas, da igreja progressista e de setores nacionalistas como tínhamos no período de resistência à ditadura militar.

No passado a nossa forma de comunicação com a população, era muito restrita e de pouco alcance, basicamente pichações, panfletagens e jornais clandestinos.

Hoje temos a internet, as redes sociais, a midia alternativa de esquerda que vem desqualificando a narrativa hegemônica da grande imprensa a serviço do imperialismo.

O mais importante é que não tínhamos na década de sessenta uma liderança popular como Lula, que tivesse condições de unificar a luta.

As condições subjetivas ou mais explicitamente a união de diversos projetos políticos do campo democrático na defesa da democracia.

A partir da condenação e prisão do Lula, isso começa a acontecer.

O fato das sete centrais sindicais, com divergências ideológicas se unirem na campanha LULA LIVRE e na convocação unitária para o Primeiro de Maio em Curitiba confirma isso.

Ontem no Programa Quarto Poder, o Eduardo Guimarães comentou vários fatos que comprovam que apesar de quererem calar o Lula, impedindo a visita de governadores, parlamentares, amigos e personalidades como Adolfo Perez Esquivel e Leonardo Boff, e até de seu médico particular, mostra que não estou conseguindo. Durante as greves de 1979 e 1980, o que mais me impressionava no Lula era sua capacidade de pensar a frente. Sempre era muito difícil para nós acompanharmos o seu raciocínio.

Hoje eu tenho certeza absoluta, que tudo o que estão acontecendo neste processo de resistência esta sendo orquestrado por ele como a definição o Primeiro de Maio unificado em Curitiba. As mensagens que ele tem enviado e as três cartas que sabemos que ele enviou a CUT, FUP e MST são provas disso.

Para explicar melhor, vou tentar relatar o que aconteceu em abril de 1980 durante a greve dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

No dia 01 de Abril, sessenta mil trabalhadores no Estádio da Vila Euclides decretam greve. Dia 14 de Abril o TRT declara a greve ilegal. No dia 17 de Abril o governo federal decreta a intervenção no sindicato. No dia 19 de Abril Lula a outros diretores do sindicato são presos no DOPS.

Diferente do que está acontecendo hoje, na ocasião mesmo em plena ditadura militar, Lula recebia diariamente visitas de advogados, amigos, políticos e personalidades.

Desta forma, mesmo preso ele dava as diretrizes para o comando de greve, na maioria das vezes através do companheiro advogado Luiz Eduardo Greenhald.

Obviamente ele também conversava com outros setores que estavam no Comitê de Solidariedade instalado na Assembleia Legislativa de São Paulo, com setores da igreja na figura de Dom Claudio arcebispo de Santo André, etc.

E uma das orientações, hoje eu acredito que foi a mais importante, foi a de organizar o Primeiro de Maio em São Bernardo. Fomos orientados para atuar junto à categoria, ao Comitê de Solidariedade e aos demais sindicatos que nos apoiavam, para que tivesse pelo menos 100 mil pessoas na manifestação, cuja pauta principal era Libertem Nossos presos.

No primeiro de maio, São Bernardo amanheceu sitiada, O exercito bloqueia os principais acessos, interdita o Paço Municipal e o Estádio da Vila Euclides.

A manifestação começa na Praça da Igreja Matriz e após um ato ecumênico, sai em passeata rumo ao Paço Municipal que estava ocupado pelo exército.

Como tinha muita gente, o exército recuou desocupou o Paço Municipal e depois o Estádio da Vila Euclides e cerca de 150.000 pessoas realizaram o Primeiro de Maio de 1980 exigindo a libertação de Lula e dos demais sindicalistas preso no DOPS.

Foi sem dúvida uma grande vitória, e o ponto alto do movimento. No entanto no dia seguinte, a repressão aumenta e a justiça nega o pedido de habeas corpus do Lula e no dia 11 de maio os metalúrgicos reunidos em assembleia decidem terminar a greve.

Alguns dias depois, Lula é solto, o como o sindicato continuava sob intervenção e ele continua comandando os metalúrgicos, através do Fundo de Greve.

A luta continua agora pela retomada do sindicato, que aconteceria alguns meses depois. Em termos econômicos os trabalhadores não ganharam absolutamente nada, muitos perderam o emprego e a maioria dos ativistas entra numa lista negra, são perseguidos e alijados do mercado de trabalho.

Mas em termos políticos, foi sem dúvida uma vitória extraordinária e uma grande contribuição dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, no processo de redemocratização do país, e nas lutas que os trabalhadores fariam a partir da experiência adquirida e do seu empoderamento como protagonista da história e que iria duas décadas depois eleger Lula Presidente da República.

Não sei o que vai acontecer em Curitiba na próxima terça-feira, minha bola de cristal não tem funcionado bem ultimamente, mas arriscaria a dizer irão fazer tudo para impedir que as pessoas cheguem lá.

Hoje de madrugada já começou o processo de intimidação quando um grupo de extrema direita faz um atentado à bala, ferindo duas pessoas no Acampamento de Resistência Marisa Letícia.

Deve ter repressão e talvez confronto físico da nossa militância com as forças de seguranças e com grupos de direita. Acredito que haverá mais de 100.000 pessoas, mas ainda não será suficiente para tirar Lula da prisão, mas um passo importante para uma grande mobilização popular.

Reconquistar a democracia passa necessariamente pela libertação do Lula e eleições para presidente da república. Só para lembrar a última grande mobilização no pais aconteceu em 1984, com a campanhas das Diretas Já. Começou com um ato em São Paulo na Praça da Sé com 300.000 pessoas, depois no Rio de Janeiro com 1.000.000 e em seguida em São Paulo com 1.700.000 pessoas.

Mesmo com essa mobilização nós perdemos e o Tancredo Neves foi eleito pelo colégio eleitoral. Eu costumo dizer que a ditadura civil/militar não durou 21 anos e sim 25 anos, pois efetivamente só conseguimos eleger diretamente um presidente da república em 1989.

Temos que aproveitar esse momento histórico em que o golpe está fragilizado e a direita se encontra numa sinuca de bico e não sabe o que fazer.

Se mantiverem o Lula preso, e mantiverem as eleições em outubro, as pesquisas apontam que Lula seria eleito. Aí teriam que impedir a posse e seria mais um golpe. Se soltarem o Lula, vão ter que cancelar as eleições.

Em qualquer uma dessas hipóteses, se acontecer o morro vai descer e não será carnaval.

As arbitrariedades cometidas pelo golpe, através de ações da operação lava-jato, com a conivência do judiciário, as medidas contra o país executadas por esse governo ilegítimo comandado por uma quadrilha de ladrões, conseguiram de fato resolver aquilo que mencionei acima, sobre as condições subjetivas para derrubar o golpe.

Hoje a esquerda, a centro esquerda, os movimentos sociais, o movimento sindical, a igreja progressista, os nacionalistas, os intelectuais, os artistas etc., unidos na campanha LULA LIVRE.

Por fim gostaria de dizer que seria muito importante que este Primeiro de Maio, terminasse com a convocação de grandes mobilizações nas capitais e grandes cidade do país, na preparação de grande mobilização em Brasília e com as centrais sindicais iniciassem várias greves pelas categorias mais organizadas na preparação de uma greve geral.

No 1º de maio tem atividade gratuita para a família no Museu da Cidade do Recife

recife 2No Dia do Trabalhador, nada de labuta. A programação para o 1° de maio é cultural.

Quem der uma passada no Museu da Cidade do Recife, das 10h às 11h e das 15h às 16h, vai poder participar de uma dinâmica chamada “O Forte e o Tempo” e interagir com a fortaleza de maneira diferente. Após passear pela nova exposição “Cinco Pontas”, os visitantes são convidados a jogar e responder perguntas para construir seu “próprio forte”.

recife 1A disputa é para todas as idades. A atividade acontece em horários fixos, mas o museu funciona normalmente ao logo do dia.

A exposição

A exposição “Cinco Pontas” é uma atividade para toda família e celebra a indicação do forte recifense a patrimônio da Unesco. A mostra reúne achados arqueológicos, pinturas e documentos ainda inéditos para o público, que comprovam a importância da edificação em diversos momentos históricos da capital pernambucana. A entrada é gratuita.

Na primeira etapa da exposição, monstros marinhos, encontrados nas cartografias e azulejos do século XVI, evocam os medos dos homens do mar no período das navegações.

Gravuras do período holandês, quando a Europa pouco sabia sobre as terras de cá, mostram como os estrangeiros enxergavam o Recife.

Duas belíssimas telas de Baltazar da Câmara e Murillo La Greca também compõem o acervo, bem como desenhos de Frans Post, mapas históricos, fotografias, textos, achados arqueológicos feitos no interior do prédio (balas, cachimbos, conchas) e objetos de demolição da Igreja dos Martírios.

A exposição ainda conta com animações, imagens atuais do Forte das Cinco Pontas sob um ponto de vista ainda pouco explorado da arquitetura do edifício (feitas com ajuda de um drone) e vídeo-aulas, gravadas com o arqueólogo Ulisses Pernambucano, o professor e arquiteto Pedro Valadares e o arquiteto e urbanista José Mota Meneses.

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Serviço
Museu da Cidade do Recife
Endereço: Forte das Cinco Pontas, bairro de São José.
Visitação: de terça a domingo, das 9h às 17h
Quanto: entrada gratuita
Museu da Cidade do Recife – 3355-9540 / 9545 / 9547
www.museudacidadedorecife.org

Belchior é lembrado em projetos musicais e no audiovisual

Às vésperas de completar um ano de morte o versátil artista é lembrado por seu legado

por Adriana Izel Lucas Santin*

belchi 5A minha história é talvez/ É talvez igual a tua, jovem que desceu do Norte/ Que no Sul viveu na rua”. A letra de Fotografia 3×4 é uma das que refletem a própria história de Belchior, que nasceu em Sobral, no Ceará, em 1946, deixou a pequena cidade, rodou o mundo, e morreu, aos 70 anos, em 30 de abril do ano passado em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul — data que na segunda-feira completa um ano.

Antes de morrer, Belchior se tornou uma figura quase mítica.

Após fazer carreira nos anos 1970 emplacando sucessos como Mucuripe, Como nossos pais e Na hora do almoço, passou a se dedicar às artes plásticas: abriu um ateliê e chegou a fazer uma exposição, Autorretrato, em 1999. Dez anos depois, saiu de cena e tomou destino incerto.

Ao lado da então esposa Edna Prometheu, deixou tudo para trás: casa, carros em estacionamentos e o ateliê.

O que ficou daquela época e ainda fica, mesmo após a morte do cantor, é o legado musical deixado por ele.

Isso pode ser revisto no box Tudo outra vez, lançado neste ano com curadoria do jornalista, pesquisador e produtor musical Renato Vieira.

O material reúne seis discos de Belchior gravados entre 1974 e 1982, com 68 músicas. São eles: Belchior (1974), Coração selvagem (1977), Todos os sentidos (1978), Belchior ou era uma vez um homem e seu tempo (1979), Objeto direto (1980) e Paraíso (1982).

“Esse projeto existe desde que Belchior estava vivo. Eu já tinha feito uma caixa em 2016 com os discos dele da Universal Musical, Três tons de Belchior, inclusive, com Alucinação. Achei natural que eu resgatasse esse período dele na Warner, que foi uma época de grande sucesso popular, quando ele emplacou muitos hits”, revela Vieira.

Os seis discos estavam fora do catálogo fonográfico há muitos anos. “Essa é uma forma de trazer para a nova geração esses discos”, completa Renato Vieira. Além dos clássicos, Tudo outra vez tem uma versão inédita de Como se fosse pecado, que ficou guardada por 40 anos.

“Essa versão foi censurada na época. Acabamos localizando essa versão, que tinha sido cogitada para entrar em Coração selvagem (1977). Eu sabia da história, mas não tinha certeza se tinha sido efetivamente gravada. Mas ela foi e acabou não entrando no disco”, conta.

O box está disponível nas plataformas digitais e, na versão física, há um material extenso que conta a história de cada um dos discos.

“Eu visitei acervos de jornais e revistas para ver o que o próprio Belchior tinha falado na época, até porque as músicas dele são muito conceituais. Eu consegui reunir isso, que é um panorama de tudo que Belchior pensou e falou naqueles primeiros anos”, explica o produtor.

Licia Nara/ Divulgação. Brasil
(foto: Licia Nara/ Divulgação. Brasil)

O encantamento de Renato Vieira com Belchior veio graças ao pai, que colocava na vitrola os LPs do artista. Apesar da extensa pesquisa em torno do cantor, Vieira não teve a chance de conhecê-lo pessoalmente.

“Gostaria muito de ter tido a oportunidade de conversar com ele. O Belchior era um artista muito interessante, porque ele sempre foi muito inconformado. E acho que, justamente por causa desse inconformismo, ele não deixou filhotes (na música). Não tem um novo Belchior, sempre tem um novo fulano. Mas não existe um novo Belchior, o que existem são artistas influenciados por ele, que tinha um quê de Bob Dylan, de Luiza Gonzaga. Unir o sertão e o folk foi algo que só ele fez e, talvez por isso, seja uma figura tão importante”, analisa.

História nas telas

Desde 2014, o cineasta cearense Nirton Venâncio se dedica ao filme Música do Ceará — Lado A lado B, em que Belchior é uma das figuras de destaque. No ano passado, o diretor chegou a deixar o projeto de lado, mas retomou o fôlego e voltou neste ano. O objetivo é concluir o material até o fim deste ano. A previsão é de editar o filme em junho.

 

Belchior é um dos artistas importantes do longa-metragem. Isso porque é uma história do músico que abrirá o projeto.

Segundo Venâncio, o filme reconstituirá um episódio dos dois de 1977, quando ele ganhou das mãos do artista, durante um programa de rádio em Fortaleza, o LP e a fita cassete de Coração selvagem.

“A partir dessa abertura, volto para meados dos anos 1960, quando começou a nascer na capital cearense o movimento do pessoal do Ceará, onde se destacaram nacionalmente Fagner, Ednardo, Belchior, Amelinha, Fausto Nilo”, adianta.

O filme segue até 2014, com entrevista de gerações influenciadas por esses artistas, e conta também com alguns depoimentos de Belchior, que ele define como “alguma coisa de forma precária, mas de suma importância”.

Por ter tido contado com Belchior e a música dele, Nirton o classifica como um dos mais autênticos compositores da música brasileira.

“Poesia e filosofia são as melhores definições para suas composições. Ele falou do passado sem ser saudosista. Questionou o presente sem ser panfletário. Anunciou o futuro como um visionário. Sua vida pessoal está em sua obra como matéria-prima de criatividade, de maneira que todos nós possamos nos espelhar e refletir”, analisa o cineasta, que decreta: “Há um ano que Belchior não morreu”.

Influenciando gerações

Na última quinta-feira, Belchior foi celebrado em dois eventos em Brasília. No Feitiço Mineiro, a cantora Alessandra Terribili fez um show em celebração ao disco Alucinação, de 1976, que tem sucessos como A divina comédia humana.

Ela escuta Belchior desde pequena e, antes mesmo de ele morrer, já fazia esse tributo. “Ele tinha uma forma única de compor e tocar as músicas. É uma obra fácil de reconhecer. Ele tinha um olhar ácido sobre as coisas”, classifica.

No palco do Teatro dos Bancários, foi o conterrâneo Marcos Lessa que celebrou o artista por meio do disco Coração selvagem. Para Lessa, Belchior era um artista ao qual ele podia se espelhar. “Belchior sempre foi uma referência para mim, e acho que para muitos músicos no Ceará também”, destaca.

Um anos após a morte de Belchior, ele ganhará mais uma celebração na cidade no show Um ano sem Belchior — Tributo ao tempo em que você sonhava.

A apresentação será feita pelo cantor Bruno Z, ao lado dos músicos Roberto Betão (baixo) e Marcos (bateria), inspirado na música A palo seco, em que Belchior canta em trecho a frase: “Se você vier me perguntar por onde andei/ No tempo em que você sonhava/ De olhos abertos lhe direi/ Amigo eu me desesperava/ Sei que assim falando penas/ Que esse desespero é moda em 73”.

O show está marcado para as 22h, no Bar do Kareka, em Taguatinga Norte.

*Estagiário sob supervisão de Vinicius Nader

Um ano após morte de Belchior, artistas cearenses discutem a influência do músico para as artes

No dia 29 de abril de 2017 chegava a notícia da morte de Antônio Carlos Belchior. Em Fortaleza, mais de 5,6 mil pessoas acompanharam o velório do sobralense

belchi 1Belchior entendia que seu caminho era na contramão.

Como a placa torta indicava em “Pequeno Mapa do Tempo” – a canção que, sem vergonha nenhuma, manifestou um dos principais temas que rodeavam seu cerne artístico.

O medo. Não que o temor fosse o fator determinante de sua capacidade criativa, mas Belchior sabia como explorar as fragilidades humanas naquele momento de ruptura que foi a década de 1970.

 O sobralense morreu aos 70 anos, em 29 de abril de 2017. A partida foi em casa, na cidade de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, onde vivia com a esposa.

Do lado de cá, a comoção foi grande. Mais de 5,6 mil pessoas passaram pelo velório no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na noite do dia 1º de maio. Ainda no equipamento, uma multidão cantava as letras do compositor.

 Em artigo publicado no mesmo dia, no Estadão, Caetano Veloso escreveu que as composições de Antônio Carlos Belchior estavam “dentro de um timbre criativo sempre rico e instigante” e estabelece “Como Nossos Pais” como uma das melhores interpretações de Elis Regina.

“Não é por acaso que Belchior é lembrado e louvado por gerações sucessivas. Suas canções não são das que morrem. Ele prefigurou os anos 80 em termos globais e se instalou na memória profunda da história da criação de música popular no Brasil”, avaliou o baiano. “As pessoas que enchiam os teatros a cada reaparição do bardo cearense entendem o sentido dessa história”.

 Sobre o assunto

 “A discografia da vida dele é mais do que a cronologia dos anos. É a cronologia da evolução do indivíduo, ele é muito fiel a isso”.

Em entrevista por telefone, Pinho se refere ao amigo, com evidente carinho, tratando-o por Bel. E fala de uma “saudade cristalizada”.

 “Convivi com ele o período da vida em que ele estava por aqui. Período da vida mesmo de músico, ele me chamou pra tocar. A gente tinha um convívio pessoal muito respeitoso, uma relação de profunda admiração”, lembra.

 Antes do exílio

 A atriz e cantora Bárbara Sena viu dois shows de Belchior, em Fortaleza, antes do auto-exílio. O primeiro, em 2004, na Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ela viu o próprio pai, Tarcísio Sardinha, tocar piano e violão no palco com Bel. Dois anos depois, Belchior cantou na Praça do Ferreira. Era 1º de maio e o evento havia sido organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). E Bárbara estava lá.

 “Na minha infância, a gente sempre escutou Belchior. Ele canta as nossas dores e a luta do povo cearense, mas as canções são universais. As pessoas se identificam em qualquer lugar. É atemporal, mas ao mesmo tempo é muito nossa”, continua a cantora. É um material que precisa ser revisto como se escutar Belchior nunca fosse a mesma coisa. Você percebe outros desenhos, imagens do que ele canta. A música dele não é cristalizada, atravessa o tempo”.

 Em 2017, Bárbara Sena gravou o curta-metragem “Capitais”, de Arthur Gadelha e Kamilla Medeiros. O filme é inspirado em “Alucinação”, do álbum homônimo lançado em 1976. “Ele fala do cotidiano de forma muito preciosa. Ele faz você ver o estudante, o pobre, a mulher sozinha na rua. Dá voz a personagens que são invisibilizados, minorias”.

A solidão das pessoas dessas capitais

 O cineasta Arthur Gadelha, que dirigiu e escreveu “Capitais” ao lado de Kamilla Medeiros, conta que a personagem de Bárbara Sena surgiu a partir do verso “uma mulher sozinha”, presente na canção. “Eu e a Kamilla escolhemos a mesma personagem e nos apegamos a ela. Mas o sentimento que envolve o filme vem de tudo que a música trata”, explica.

 “Nós chegamos a conclusão de que ele cantou muito sobre o medo da vida e sempre encontrando coragem nos desafios. Cantou sobre querer mudar e ser jovem. Essas ideias se encontraram com a preocupação em relação a cidade. Sentimos uma angústia que nós também temos, porque também somos da cidade”, explica.

Arthur conta que a relação com a música do sobralense ficou mais intensa com a pesquisa para o filme. “Nunca tinha percebido como a música dele é tão forte, sobre a vontade de preocupar com as coisas reais. Ele sempre alucinou com coisas reais”, conta.

Finalizado na última semana, “Capitais” conta a história de uma mulher que mora em um condomínio onde os vizinhos não se conhecem. “Chegamos a conclusão de que é preciso olhar para o outro. E isso acabou se tornando uma forma de transpor as músicas porque o Belchior encontra o problema e apresenta solução. Nunca é apenas sofrimento. É como em “Pequeno Mapa do Tempo”, que ele fala muito sobre medo e, ainda assim, você sente a esperança”.

Clique na imagem para abrir a galeria O cantor e compositor Belchior morreu na noite deste sábado, 29, em Santa Cruz do Rio Grande do Sul, aos 70 anos. Familiares confirmaram o falecimento, entretanto, não informaram a causa da morte. O corpo deve ser trazido para o Ceará. (Fotos: Arquivo)

UM ANO SEM BELCHIOR. Ele faleceu subitamente no dia 29 de abril de 2017, numa cidade do interior do Rio Grande do Sul, onde estava morando.

bel 3Morre Belchior aos 70 anos e com ele um enigma que ninguém conseguiu decifrar, esse expoente da música popular brasileira por suas letras contestatórias, melancólicas e irônicas.

(Esse texto que reproduzimos agora, um ano depois, foi publicado aqui no Blog AcervodoCastanha, no dia 30 de abril de 2017)

belchiorO compositor, autor de sucessos como Medo de avião, Velha roupa colorida e Apenas um rapaz latino-americano teve o auge da carreira nos anos 70, com discos próprios e gravações de intérpretes como Elis Regina, que transformou Como nosso pais, composta pelo cearense, em hino de uma época. Em 1976 gravaria o disco Alucinação,que o consolidaria no cenário musical nacional.

Cearense de Sobral, nascido em 26 de outubro de 1946, Antônio Carlos Belchior completou 70 anos no em outubro do ano passado, como um dos enigmas indecifráveis da música popular do Brasil.

Se houve festa, ninguém soube onde. Sem paradeiro certo, Belchior estava sumido há oito anos, mais precisamente desde 2008.

De artista recluso, o cantor e compositor passou a viver como foragido desde que a Justiça começou a cobrar dívidas deste senhor latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e sem shows.

Com o LP “Alucinação”,  em 1974, o álbum, inventaria perdas e danos da geração que tentou mudar o mundo na década de 1960. Belchior alfinetava a turma anterior, lembrando que o que há algum tempo era novo, jovem, já podia ser antigo naquele ano de 1976.

Decorridos 43 anos da edição original, Alucinação hoje pode soar como álbum datado, até antigo, mas jamais velho porque, descontadas as referências da época, os embates entre gerações continuam girando em torno das mesmas questões universais expostas com contundência por Belchior em letras que iam direto ao ponto, sem firulas e metáforas.

Outros álbuns importantes do cantor, Todo sujo de batom (1974), Coração selvagem (1977), Melodrama (1987) e Elogio da loucura (1988) marcaram a história musical brasileira dos últimos 50 anos.

Belchior  continuou a se afirmar com o som da década de 1980, o que para muitos críticos da época, soava como o cantor compositor e intérprete “fora de moda”, diante do surgimento de diversas bandas do pop rock brasileiro e pelos pagodeiros dos quintais cariocas que conquistaram fama ao longo daquela década.

Belchior passou incólume. Suas musicas nunca foram esquecidas e os seus fãs munca o abandonaram apesar daquela efervecencia musical dos anos 80.

Naquela década, Belchior já era outro e precisava rejuvenescer, mas, para os críticos, não o fez. A música brasileira também já era outra. Para nós, seus fãs, ele nunca precisou rejuvenescer. Na década de 1980 voltou a dar o tom em Elogio da loucura, outro disco fora de moda já na época do lançamento.

Belchior foi um desses ícones. Empurrado para a margem do mercado fonográfico a partir da década de 1990, Belchior nunca mais gravou um disco com a repercussão, mesmo modesta, obtida por Melodrama e Elogio da loucura na mídia.

O cantor e compositor passou a viver do passado de glória, fazendo shows com os sucessos que lhe garantiriam o sustento e um público fiel. Até que, por volta de 2007, a cabeça de Belchior começou a sair dos trilhos existenciais e a agenda de shows começou a ficar progressivamente vazia. A reclusão se tornou fuga que, com o passar do tempo, adquiriu caráter lendário.

Aos 70 anos de vida, Antônio Carlos Belchior se transformou no enigma que ninguém consegue decifrar.

SUMIÇO

Belchior enfrentou turbulências nos últimos anos, recluso e fora do palcos.

Em 2009, ganhou as manchetes depois que sua ex-mulher contratou um advogado para cobrar supostas dívidas e pensão devidas pelo cantor.

“Para a família, Belchior está sumido desde 2007”, calculava o advogado da ex-mulher de Belchior Leonardo Scatolini na TV, naquele ano.

Mesmo cultuado, Belchior recusou os convites para voltar aos palcos. Um empresário lhe ofereceu DOIS MILHÕES DE REAIS e pagaria todas as suas contas, dividas e débitos para ele voltar a se apresentar em shows pelo País e América do Sul.

Incógnito, ele recusou a oferta.

Nos últimos anos, se popularizaram no Ceará e em outras partes os dizeres “Volta, Belchior” em muros. No Carnaval deste ano, ele foi homenageado em blocos em São Paulo e em Fortaleza.