Temer, raposa felpuda com couro de elefante. Um texto do jornalista CARLOS SINÉSIO

CARLOS SINESIOUM TEXTO DO JORNALISTA POETA CARLOS SINÉSIO

Podem acusar o presidente Michel Temer (PMDB) de muitas coisas e de diversos crimes. Podem taxá-lo de golpista, de aproveitador e de tudo o mais o que vier à cabeça de quem não suporta o presidente. Mas é injusto não reconhecer nele a sua capacidade de articulação política para sobreviver no cargo, mesmo diante de todas as adversidades que vem enfrentando desde que substituiu Dilma Rousseff, defenestrada pelo Congresso Nacional há pouco mais de um ano.

Os advogados do presidente Michel Temer (PMDB) entregaram nesta quarta-feira, na Câmara  dos Deputados, a defesa dele para a segunda denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR).  Neste processo, Temer é acusado pelos crimes de obstrução de justiça e organização criminosa, junto com dois dos seus  ministros: Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Temer é uma raposa felpuda na política, tem couro de elefante, conhece os gabinetes, os corredores e todas as dependências do  Congresso como poucos. Sabe de que gostam os que lá habitam e, por isso, com a aparente calma de uma ovelha pastando sob o olhar vigilante do pastor, vai se mantendo na cadeira de presidente. Aos trancos e barrancos, mas vai. Mesmo com índices de popularidade beirando a zero, ele mostra força, dá provas de que é mesmo um profissional da política à moda brasileira, um especialista nesse quesito, e assim segue sua sina.

Com os congressistas que o Brasil tem, dificilmente Temer vai ser desalojado no Palácio do Planalto antes de terminar 2018, quando provavelmente vai passar a faixa presidencial para o sucessor. Conta a favor de Temer o fato de, mesmo diante da gravíssima crise política, econômica, ética e moral, a economia estar dando sinais de recuperação, mesmo que ainda muito tímidos. Não adianta contestar isso, pois quase todos os indicadores – nacionais e estrangeiros –  vêm dia a dia confirmando essa tendência.

Pois é. Temer deverá mesmo atravessar todas essas tempestades e sobreviver, para tristeza da maioria dos brasileiros. Quem estiver acreditando (ingenuamente) que ele vai ser defenestrado também do cargo pode ir tirando o cavalo da chuva, uma vez que o Congresso não vai deixar.

Aliás, já é possível ouvir pessoas, mesmo contrárias a Temer, dizerem que, a essa altura do mandato, tirá-lo para, numa eleição indireta, colocar alguém poderia não ser a alternativa mais conveniente ao País no momento. Isso poderia causar sérios impactos negativos na economia. Será mesmo? Só nos resta aguardar o desenrolar dos fatos.

Congresso inicia corrida pelo dinheiro para financiar a campanha de 2018

Senadores e deputados têm só duas semanas para aprovarem os projetos da reforma política e garantir fundos eleitorais. Na reunião de hoje, o assunto foi adiado, não houve corum para iniciar a discussão.

brasiliaBrasília – Parlamentares brasileiros iniciam nestas próximas duas semanas uma espécie de corrida pelo ouro.

De olho no financiamento das próprias campanhas nas eleições de 2018, senadores e deputados têm até o dia 7 de outubro para encerrarem as votações dos projetos que tratam de alterações das regras eleitorais.

Se qualquer mudança dentro do pacote da reforma política ocorrer após esse período, ela não poderá ser considerada para o próximo pleito. Por isso, a pressa em definir uma nova forma de obter recursos para as candidaturas.

Desde a eleição de 2016, a doação empresarial está proibida. Com as torneiras fechadas, os partidos e candidatos arrecadaram em 2016 quase a metade do que obtiveram em 2012, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral.

No pleito de 2012, todas as campanhas custaram juntas 6 bilhões de reais. Em 2016, foram 3,3 bilhões de reais. A preocupação dos políticos é que a redução dos valores que eles recebiam para a disputa possa interferir em suas reeleições.

A última eleição mostrou, em parte, que os ricos candidatos que se autofinanciaram tinham mais chances de vencerem. E sem os recursos das empresas, a estratégia é criar um fundo com recursos públicos.

A primeira tentativa de implantação de um fundo eleitoral naufragou. Uma proposta de emenda constitucional, relatada pelo deputado Vicente Cândido (PT-SP), que criava uma fonte de recursos públicos no valor aproximado de 3 bilhões de reais foi derrotada na Câmara dos Deputados porque não atingiu o quórum mínimo de 308 votos dos 513 parlamentares.

A forte reação popular a essa medida interferiu neste resultado. Neste cenário, restou aos congressistas apostarem em uma nova proposta, que está tramitando no Senado e prevê mesclar recursos que já são gastos com a compensação fiscal para emissoras de rádio e televisão em anos não eleitorais a través de emendas parlamentares.

O projeto, relatado pelo senador Armando Monteiro (PTB-PE), não deixa claro qual seria esse valor exato a ser usado para o financiamento. Mas uma estimativa feita pela Receita Federal prevê que as concessionárias de rádio e TV recebam cerca de 1 bilhão de reais em compensação fiscal por ano para poder veicular essas propagandas.

Ou seja, a cada dois anos, 2 bilhões de reais seriam entregues aos partidos para financiarem as eleições.

Em ano não-eleitoral as rádios e TVs deixariam de divulgar gratuitamente as propagandas para que seja possível fazer esse caixa. A divulgação só ocorreria nos anos em que houver eleição. Somado a esse valor, ainda estariam as emendas que os deputados e senadores fariam ao orçamento anual.

“Queremos um modelo de financiamento, sem usar recursos novos do Orçamento da União”, afirmou o presidente do Senado, Eunício Oliveira.

Se houver sobra de recursos, os valores serão devolvidos ao Tesouro Nacional. A administração dele, inicialmente, seria feita pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A proporção seria a seguinte: 2% do valor total distribuído igualitariamente entre os partidos registrados no TSE; 75%, divididos conforme a votação que os partidos obtiveram na Câmara e segundo o número de deputados eleitos; os outros 35% de acordo com a representação no Senado. Ou seja, só sobreviveriam os partidos que conseguirem eleger números representativos de parlamentares.

Além do financiamento, esse projeto relatado por Monteiro cria regras para a campanha em todos os meios de comunicação, trata dos limites para gastos na disputa e do prazo para registros de candidaturas. A expectativa é que ele seja votado no Senado na próxima terça-feira. Na sequência, tem de ir para a Câmara.

O caminho inverso deve ser feito por uma proposta de emenda constitucional que extinguiu as coligações partidárias a partir de 2020 e criou uma cláusula de barreira para que partidos tenham acesso a outro fundo público, o fundo partidário.

Aprovada na Câmara na semana passada, faltam detalhes para serem votados nas próximas sessões. Quando essa análise for concluída na terça ou quarta-feira, a proposta segue para o Senado, que pretende votá-la até a outra semana.

Se tornar-se lei, essa emenda constitucional deverá interferir diretamente no número de partidos políticos existentes no Brasil. A estimativa é que, até o ano de 2030, a quantidade de legendas com representação no Congresso caia das atuais 25 para 11.

 

PUBLICADO NO BLOG DE MAGNO MARTINS – “Jucá intervém no PMDB, tira comando de Jarbas e entrega para Fernando”

EFEITO MICHEL TEMER e seus servis colaboradores vendidos

juca kk juca wwO presidente nacional do PMDB, Romero Jucá, comunicou, hoje, em plenário, que fez uma profunda mudança no partido em Pernambuco.

Dez dias após punir Jarbas por ter votado a favor da investigação de Temer, destituiu Raul Henry da direção do partido em Pernambuco e entregou o seu comando ao grupo do senador Fernando Bezerra Coelho.

Histórico na legenda, Jarbas terá que se abrigar em outro partido se quiser disputar o Senado.

PSB-PE elege Diretório e Executiva do partido no 14º Congresso Estadual

Chapa única de consenso foi eleita por aclamação unânime dos 577 delegados. Congresso também homenageou 90 anos de Ariano Suassuna

RP_M0351Com a presença do governador Paulo Câmara, do presidente nacional Carlos Siqueira, do prefeito do Recife, Geraldo Julio, de deputados, prefeitos e vereadores socialistas, os 577 delegados do 14° Congresso Estadual do Partido Socialista Brasileiro elegeram por aclamação os novos Diretório e Executiva da legenda para os próximos três anos.

O Congresso reuniu ainda militantes, simpatizantes, representantes dos segmentos sociais do PSB e foi uma grande homenagem aos 90 anos de Ariano Suassuna, presidente de honra do partido, com a presença da família do escritor e militante socialista, que foi agraciado com uma medalha póstuma do mérito Miguel Arraes.

A chapa eleita tem Sileno Guedes na presidência do partido por mais três anos, com o deputado federal Tadeu Alencar na 1ª vice-presidência, o deputados federal Fernando Coelho Filho, na 2ª vice-presidência, e o deputado federal e secretário estadual Turismo Esportes e Lazer, Felipe Carreras, na 3ª vice-presidência. Adilson Gomes segue como secretário-geral partido, com Gabriel Leitão, como 1º secretário e Eduardo Vasconcelos como 2º secretário.

Outros 40 membros compõem a comissão executiva nas secretarias temáticas, secretarias especiais e regionais, além dos representantes dos segmentos sociais (lista completa em anexo).

O 14º Congresso Estadual também elegeu os 92 delegados que representarão o PSB de Pernambuco no Congresso Nacional do partido, que será realizado nos dias 12, 13 e 14 de outubro, em Brasília.

“O PSB nunca se negou a discussão nacional, nunca se negou a servir ao Brasil e não vai ser nesse momento de dificuldades que o PSB vai se negar. O PSB está consolidado como uma força política amadurecida, com o projeto de alternativa política apresentado por Eduardo Campos em 2014. Nós não temos mais Eduardo, é verdade, mas temos a nossa militância, nosso legado e nossas ideias e, sobretudo, um caminho que foi traçado e é por isso que a gente vai seguir”, avaliou o presidente Sileno Guedes.

FOTOS: Roberto Pereira

Quem fica com LULA em Pernambuco? Paulo Câmara e Renata Campos ou Armando Monteiro e Silvio Costa?

PARECE MOSCA EM CIMA DO DE PÁO-DOCE

lula arEm meio a uma visita de três dias a Pernambuco, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma visita à residência da família Campos, na Zona Norte do Recife. No local, Lula reuniu-se com Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos (PSB) e os cinco filhos do casal, além da mãe de Campos e ministro do Tribunal de contas da União, Ana Arraes, o governador Paulo Câmara, e o prefeito do Recife, Geraldo Julio; encontro foi realizado em meio as especulações de uma reaproximação entre PT e PSB, rompidos desde 2014

lula armandoO senador Armando Monteiro (PTB-PE) se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã desta sexta-feira (25). O deputado Silvio Costa e a presidente do PT Gleisi Hoffmann também estiveram presentes na mesa. Na pauta, Armando e Lula fizeram uma análise da conjuntara política nacional. “Todas as vezes que o ex-presidente Lula vem a Pernambuco nunca deixei de recebê-lo, de visitá-lo. Nossas relações são políticas, mas também pessoais. E esse encontro se insere nesse contexto”, disse Monteiro, que destacou que a relação com o ex-presidente vem de muitos anos, através de sua família.quem

Caravana de Lula estará em Pernambuco nesta quinta-feira

lula nordesteO ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao Recife nesta quinta-feira (24), liderando a caravana que vem fazendo por Estados do Nordeste, como estratégia de pavimentar uma eventual candidatura à Presidência da República.

Lula fica no Estado até o dia 26, quando segue para João Pessoa. Mas deve retornar ao Sertão do Araripe no dia 31 de agosto, provavelmente no município de Granito. Algumas atividades estão programadas na agenda de Lula, entre elas dois atos abertos. Um em Ipojuca e o outro no Recife.

Na agenda do ex-presidente, o primeiro compromisso será uma visita ao Museu do Cais do Sertão, no bairro do Recife, prevista para as 15h. Depois disso, não há atividades oficiais previstas, mas ele deve aproveitar para manter reuniões com líderes petistas e aliados no Estado.

Há ainda uma expectativa quanto a um encontro com a viúva de Eduardo Campos (PSB), ex-primeira-dama Renata Campos, retribuindo a visita que ela lhe fez quando do falecimento da sua esposa, Maria Letícia, no início do ano.

Na sexta-feira (25), às 10h, Lula participa de um ato em defesa da indústria petrolífera e naval, na faculdade Fajolca, em Ipojuca. Os trabalhadores de 7 categorias, metalúrgicos, petroleiros, químicos, trabalhadores das indústrias da Borracha, da Bebida, da Construção Civil e Textil que atuam polo industrial de Suape deverão entregar ao ex-presidente um documento sobre o desmonte da atividade econômica naquela região.

No mesmo dia, às 16h, será realizado um ato no Pátio do Carmo, centro do Recife, organizado pela Frente Brasil Popular em Pernambuco e intitulado “Pela Democracia, pelos Direitos e por Lula. O objetivo é protestar contra o governo do presidente Michel Temer (PMDB), contra as reformas propostas pelo peemedebista e defender defender eleições diretas já e uma assembleia constituinte. A manifestação também será em solidariedade ao ex-presidente pelos processos nos quais é denunciado.

No sábado (26), às 10h, Lula faz uma visita a Brasília Teimosa, bairro emblemático para o PT. Ele terá um encontro com pescadores, marisqueiras e moradores da comunidade, que foi revitalizada em um dos primeiros atos de seu governo, com a retirada das palafitas e construção da orla.

Depois Lula segue para a Paraíba e Rio Grande do Norte. Mas na passagem entre o Ceará e o Piauí, está previsto um retorno ao sertão pernambucano, no dia 31 de agosto, provavelmente em Granito.

VEJA A PROGRAMAÇÃO DE LULA NO ESTADO:

24/08 Quinta-feira

15h – Visita ao Museu do Cais do Sertão

25/08 Sexta-feira

10h – Ato em defesa da indústria petrolífera e naval, na Fajolca, Ipojuca 

16h – Ato pelas democracia, pelos direitos e por Lula, no Pátio do Carmo. Organizado pela Frente Brasil Popular

26/08 Sábado

10h – Visita à Brasília Teimosa

 31/08 Quinta-feira

Sertão do Araripe

Plenária da militância vai organizar ato com Lula no Recife, no dia 28 de agosto, sexta-feira, 16 hs, no Pátio da Igreja do Carmo.

A agenda de Lula em Pernambuco está sendo preparada pela coordenação do PT estadual e da Frente Brasil Popular.

lula.Com previsão de permanência no Estado entre os dias 24 e 26 de agosto, já está confirmado o ato “Pela Democracia, pelos Direitos e por Lula”. O  ato será realizado no Pátio da Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Recife, na sexta-feira, 25/08, às 16h.

O objetivo do ato será a defesa da Democracia, protestar contra o presidente ilegítimo Temer, combater as reformas que retiram os direitos dos trabalhadores, defender as diretas já e a Constituinte. A manifestação também será em solidariedade e em defesa do ex-presidente Lula, denunciando que eleição sem Lula é uma fraude.

Nesta sexta-feira, 18/08, às 17h, no Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco – Sinttel (Rua Afonso Pena, 333, Boa Vista), acontece uma reunião com a militância dos movimentos sociais para  organizar e intensificar as mobilizações para o ato.

“Lula é muito querido pelo povo pernambucano, que reconhece a prioridade que os seus governos asseguraram para as pessoas e regiões mais pobres. Temos certeza que, quando souberem da vinda dele ao nosso Estado, as pessoas vão querer comparecer e externar o carinho e a confiança que sentem por ele”, afirmou Bruno Ribeiro, presidente do PT estadual, ao comentar a expectativa de grande mobilização.

“Lula para nós, trabalhadores, representa a retomada do desenvolvimento, a retomada do emprego. A retomada das nossas conquistas. Por isso, defender Lula é defender a democracia , defender nossos direitos e a esperança do povo brasileiro.  Deram um golpe nesse País e precisam interditar a principal liderança capaz de retomar a democracia. Não vamos aceitar que um juiz partidário, que se ele não fosse partidário teria prendido de esposa de Cunha e investigado o PSDB, tente condenar Lula sem provas”, afirmou Carlos Veras, presidente da CUT PE, entidade que compõe a Frente Brasil Popular, no estado.

A direção do PT de Pernambuco, suas lideranças parlamentares e os dirigentes dos movimentos sindicais e sociais estão finalizando e definindo as demais atividades da caravana Lula pelo Brasil, em Pernambuco. A intenção dos petistas pernambucanos é realizar manifestações de apoio e defesa do ex-presidente durante toda a sua permanência no Estado.

Diego Brandy: Eduardo Campos e a máquina do tempo. “Lembrar Eduardo Campos é ter saudade do futuro que não foi.”

UM TEXTO PUBLICADO NO DIARIO DE PERNAMBUCO

DIOGODiego Brandy é o publicitário marketeiro político argentino que acompanhou Eduardo Campos por dez anos, acumulando vitórias eleitorais para o socialista em Pernambuco. Ele já havia preparado a campanha política de Eduardo para a presidencia da República, naquele 2014

Não sou isento. Nem quero ser. Cheguei em Pernambuco faz mais de dez anos da mão de Eduardo. Ele começou sendo cliente, pouco depois virou amigo e logo depois família. Foi ele que construiu algum prestígio pra mim e que me fez testemunha de muitas situações que nenhuma crônica registrou. Esse prestigio criado, foi muito baseado na minha suposta capacidade de fazer prognósticos. A partir de 2012 falamos muitas vezes sobre o que podia acontecer em 2014 e analisamos diversos cenários e variáveis que poderiam influenciar no processo de criar viabilidade para uma candidatura presidencial.

Um dos raciocínios que eu colocava era que o pior que podia acontecer, perder a eleição, também era uma coisa boa porque instalava Eduardo como protagonista da cena política nacional. Claro que em todas essas prospecções do que poderia acontecer ninguém pensou no cisne negro que ocorreu no 13 de agosto em Santos. Certamente essa seria a “previsão” que eu mais gostaria ter feito na minha vida para poder driblar esse cisne.

Hoje muitas pessoas continuam me perguntando sobre a crise política no Brasil e sobre como será sua evolução. Eu até respondo algumas coisas, mas no fundo, o que penso é que a melhor solução para o Brasil seria investir um dinheiro em pesquisa científica para inventar a máquina do tempo. E imagino que não sou o único a pensar a mesma coisa,

Assim, alguém poderia acionar essa maquina e avisar Eduardo para não subir naquele avião. Então ele poderia pousar suavemente num voo de carreira para continuar sua campanha. E todos felizes. A família e os amigos, felizes. FHC, Aécio, Marina e Lula, felizes. E com o tempo, duzentos milhões de brasileiros mais felizes do que hoje. Se uma coisa pensavam igual Aécio e Dilma era na possibilidade de Eduardo ganhar porque ambos conheciam ele. Certa vez, uma respeitada jornalista perguntou-me qual era o segredo para Eduardo passar oito anos como governador com uma aprovação de 90% em média. “É muito simples, o cara é bom”, respondi. E era. Nunca Eduardo precisou do marketing.

O dia em que Marina Silva desistiu de ser candidata para declarar apoio a Eduardo, Aécio Neves ligou e perguntou brincando se não tinha um lugar pra ele naquele arranjo. Brincadeira, mas nem tanto. A última vez que Eduardo ainda como governador visitou Dilma no Planalto, a presidenta, apontando para sua cadeira, disse pra ele, brincando: “Essa cadeira vai ser sua”. Brincadeira, mas nem tanto.

O segundo turno poderia até ser um trâmite simples com o voto tucano. Mas isso é anedota. O importante é que as vítimas da tragédia de Santos não foram apenas as sete pessoas que estavam no avião, foram duzentos milhões de brasileiros. No dia seguinte, alguém colou num muro de uma estação de metrô em São Paulo um bilhete que dizia: “Eu tinha um candidato para votar e não sabia”. Como diz a melhor frase do marketing político – criada por Gilberto Gil para outros fins – “o povo sabe o que quer mas o povo também quer o que não sabe”. Não sabiam que queriam Eduardo até o dia da tragédia, mas iriam ter tempo pra saber.  Milhões de brasileiros choraram poucos dias depois ao ver chorar o povo mais humilde de Pernambuco se despedindo de Eduardo Campos. Quantos políticos brasileiros conseguiriam que o povo chore por eles sem pagar por isso uma nota de cem? A história dos povos sempre é feita por forças maiores que os seus protagonistas, mas a história dos protagonistas pode sim marcar o ritmo da história de um povo. Protagonista na tragédia grega é o primeiro – protos – a agonizar, a morrer. Sem o protagonista a agonia só se arrasta, se estende.  Quem vive no Brasil hoje, sem protagonistas, entende disso.

Na biografia do homem dirá que ele viveu 49 anos. Isso é relativo. Ele viveu com uma intensidade que é equivalente a cem ou duzentos anos de qualquer um de nós, mais mortais do que ele. Foi com a sabedoria de tantos anos de vida que Eduardo Campos basicamente nos ensinou a distinguir quem é do bem e quem é do mal.

Ele era do bem. Se inventam tantas coisas inúteis, porque não se investe em algo que poderia ser tão útil para o país como a máquina do tempo. Lembrar Eduardo Campos é ter saudade do futuro que não foi.

Três anos após desastre aéreo, parentes de Eduardo Campos disputam legado na política

Três anos após a morte de Eduardo Campos, a família do ex-governador de Pernambuco está rachada. Hoje, ela se divide em três correntes políticas: uma do irmão, Antônio; outra do filho e da mulher, João e Renata; e uma terceira via, com a prima Marília.

edu 1Eduardo morreu no dia 13 de agosto, quando o avião em que fazia campanha para presidente da República caiu em Santos, no litoral paulista; outras seis pessoas morreram. O pernambucano, então com 49 anos, ocupava a terceira posição nas pesquisas com 9% das intenções de voto.

Na família, o cenário atual é de troca de críticas e de disputa por um poder que surgiu há décadas: a “dinastia” começou com o avô, Miguel Arraes (1916-2005), ex-prefeito de Recife e governador de Pernambuco por três vezes.

De um lado está o advogado Antônio Campos, único irmão de Eduardo. Neste ano, ele saiu do PSB – partido do clã desde 1990 e que completa 70 anos neste mês- e se filiou ao Podemos. Nas eleições de 2018, Antônio vai concorrer a deputado federal.

Na disputa, ele enfrentará o próprio sobrinho, João Henrique Campos, um dos cinco filhos de Eduardo. O jovem é visto como o sucessor político de Eduardo Campos. Recém-formado em engenharia civil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ele tem 23 anos e assumiu, em fevereiro, o cargo de chefe de gabinete do atual governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

Nesse aspecto, o jovem repetiu a história do pai, que, também aos 22 anos, virou chefe de gabinete do então governador Miguel Arraes, em 1987.

No dia de sua posse no governo, João afirmou que “ninguém deve ser pré-julgado por ser filho de A ou de B, deve ser julgado pelo serviço prestado.”

A terceira corrente é encabeçada por Marília Arraes, prima do ex-governador e, como ele, neta de Miguel Arraes. Vereadora do Recife, ela rompeu politicamente com a família ainda quando Eduardo concorria à Presidência, em 2014. Deixou o PSB, filiou-se ao PT, e deve ser a candidata do partido de Lula ao governo de Pernambuco.

Ana Arraes, mãe de Eduardo, também tem sido cortejada como parceira de chapa de pelo menos dois presidenciáveis. A BBC Brasil apurou que, dentro do PSB, o nome da matriarca é cogitado para dividir uma possível chapa com Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência.

Para isso, no entanto, ela teria de deixar o cargo de ministra do Tribunal de Contas da União (TCU), cadeira que assumiu durante o governo de Dilma Rousseff.

Direito de imagem Reprodução/Instagram Image caption João Henrique Campos é tido como herdeiro político de Eduardo Campos

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João Campos, o filho.

Uma briga ocorrida no fim do ano passado selou de vez a divisão na família Campos/Arraes. Nas últimas eleições municipais, Antônio se candidatou a prefeito de Olinda, cidade vizinha à capital, Recife. Perdeu no segundo turno, com 43% dos votos – pouco mais de 90 mil. Era sua primeira eleição, ainda pelo PSB.

Paulo Câmara, sucessor de Eduardo no governo do Estado, participou apenas de um ato de campanha de Antônio em Olinda. Isso porque o governador não quis jogar contra os candidatos concorrentes, que eram de partidos de sua base.

Renata Campos e seu filho João também não subiram no palanque de Antônio. Ao final da eleição, ele fez reclamações públicas contra a cunhada, pois se sentiu “traído” pela falta de apoio no próprio partido e na família. Antônio acusou Renata de temer que ele, como um candidato da família Campos, fizesse “sombra” para seu filho João Henrique.

“Renata não foi grata comigo. Eduardo teve minha solidariedade em vários momentos da vida dele”, disse Antônio, em entrevista coletiva logo após a derrota em Olinda. “Ela acha que qualquer candidatura, mesmo que não seja antagônica, pode fazer sombra a João. Renata finge não mandar (no PSB), numa pretensa imagem de frágil, enquanto manda nos bastidores o tempo todo.”

A reportagem contatou Renata, João e Antônio Campos, mas eles não quiseram dar entrevistas.

Depois da briga, o advogado deixou o PSB e entrou no Podemos, partido mais à direita do espectro político, pelo qual deve se candidatar a deputado federal.

Para Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, a saída de Antonio não aponta divergências na família. “Lamentamos a decisão dele, que estava há muito tempo no partido. Quem disse que necessariamente todos da família devem estar no mesmo partido? Cada um toma seu rumo”, diz.

Direito de imagem Reprodução/Facebook Image caption Depois de perder a eleição em Olinda, Antônio Campos fez críticas ao PSB e a Renata Campos

edu 3Aantonio Campos, o irmão.

A mudança de Antônio para o Podemos criou a expectativa de que sua mãe, Ana Arraes, também pudesse deixar a legenda liderada por anos por Miguel e Eduardo.

No mês passado, o senador Álvaro Dias, que deve ser candidato à presidência pelo Podemos, encontrou-se com a ministra do TCU em Pernambuco. Depois da reunião, circulou entre os pessebistas a possibilidade de Ana ser candidata em uma chapa com o parlamentar.

O senador confirmou o encontro, mas disse que eleições não foram o assunto. “Nós conversamos sobre a filiação de Antônio. Até pelo cargo que ela ocupa no TCU, não poderíamos tratar de candidatura”, afirmou Dias, em entrevista à BBC Brasil.

O nome da matriarca é cotado ainda como vice de Alckmin em uma eventual candidatura do tucano à Presidência. Quem articula essa aliança é o vice-governador de São Paulo, Marcio França (PSB), aliado de Alckmin e próximo à família Arraes.

Em 2018, França vai assumir o governo depois que Alckmin deixar o cargo de governador para concorrer à Presidência. Com Ana Arraes na chapa, o tucano teria um nome forte no Nordeste, região que historicamente dá vitórias ao PT. Já França, caso consiga conjurar a manobra, ganharia força para um eventual apoio do PSDB a sua candidatura ao governo de São Paulo, segundo a BBC Brasil apurou.

O problema é que Ana, que tem 70 anos, não estaria disposta a deixar seu cargo no TCU. E, em dois anos, ela deve virar presidente do tribunal.

Um deputado ligado à família, que preferiu não se identificar, resumiu a situação: “Acho muito difícil dona Ana se candidatar a algum cargo. Se for pelo PSB, ela estaria numa corrente contrária a de seu único filho vivo, Antônio. Se for pelo Podemos, estaria contra a história de seu outro filho, Eduardo.”

Direito de imagem Divulgação/TCU Image caption Ana Arraes é cotada para ser candidata a vice de Geraldo Alckmin nas eleições do próximo ano

edu 4Ana Arraes, a mãe.

Outra dissidente da família Campos é Marília Arraes (PT), de 33 anos, vereadora do Recife eleita com 11.800 votos. Prima de Eduardo, ela deixou o PSB por divergências com o partido. Em entrevista à BBC Brasil, disse que a sigla não é mais a mesma da época em que era comandada por seu avô Miguel.

“Ideologicamente o partido estava em outro campo, o da esquerda. Hoje, é um serviçal do PSDB “, afirma. No segundo turno das eleições de 2014, o PSB apoiou o tucano Aécio Neves – historicamente, a legenda apoiava candidatos petistas. O próprio Eduardo foi ministro de Lula.

Por outro lado, pessoas próximas à família disseram à reportagem que, em 2014, Marília quis se candidatar a deputada federal, mas teve a legenda negada pelo primo, então presidente do PSB.

No próximo ano, Marília deve ser a candidata do PT ao governo de Pernambuco. Nas redes sociais, ela aparece em fotos ao lado do ex-presidente Lula, também pernambucano e considerado um bom cabo eleitoral no Estado.

Hoje, Marília é oposição a Geraldo Júlio (PSB), prefeito do Recife, e a Paulo Câmara – os dois foram indicados por Eduardo. Um ano antes da eleição, Câmara enfrenta dificuldades: o Estado vive uma escalada da violência e ele é rejeitado por 74% dos eleitores, segundo uma pesquisa de abril.

Câmara e Geraldo Júlio são investigados por suspeita de participação no superfaturamento da Arena Pernambuco, construída pela Odebrecht. Eduardo também foi citado na Operação Lava Jato por irregularidades.

Para parlamentares ouvidos pela reportagem, Marília é a que mais se aproxima ideologicamente do avô Miguel Arraes, um político de esquerda com forte atuação na área social. “Não tenho pretensão de dizer em qual lado Miguel Arraes estaria, mas posso dizer em qual ele não estaria, que é esse projeto liberal e entreguista do PSB hoje”, afirma ela.

No entanto, a vereadora não deve ter apoio de toda a família nas eleições, pois a tendência é de que Renata e João permaneçam ao lado de Paulo Câmara.

Direito de imagem Ricardo Stuckert/Instituto Lula Image caption Marília Arraes, vereadora do Recife, deve ser candidata do PT ao governo de Pernambuco

edu 5Marilia Arraes, a prima.

A crítica de Marília sobre as condições ideológicas do partido é repetida por filiados mais antigos do PSB. A sigla está dividida entre redirecionar sua trajetória mais à esquerda ou se projetar à centro-direita de vez.

Na votação da Câmara que rejeitou a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB), essa divisão ficou latente: 22 deputados votaram pelo prosseguimento das investigações e 11 votaram pelo arquivamento. A executiva da legenda havia decidido ficar contra Temer, mas a líder da agremiação, Tereza Cristina, votou a favor do presidente.

Na votação da reforma trabalhista, em abril, 14 parlamentares votaram favor da medida e 16, contra. Eduardo Campos afirmou em 2014 que era contra mudanças na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Para Carlos Siqueira, a “divisão do partido” ocorre apenas na bancada da Câmara. “A bancada é uma instância do partido, não ele inteiro. Pessoas que divergem devem arrumar seu rumo, ou se adaptar às posições históricas do partido. Mas a decisão de entrar ou ficar é pessoal”, disse.

edu e arraes‘Eduardismo’ o legado de Arraes, o avô.

Segundo Adriano Oliveira, cientista político e professor da UFPE, a imagem de Eduardo Campos ainda influencia a escolha do eleitor pernambucano. Por isso, a briga por seu legado.

O pesquisador explica o “eduardismo”, conceito que ele associa ao lulismo: “Eduardo conseguiu ser uma quase unanimidade: tinha eleitores em todas as faixas sociais, dos mais ricos aos mais pobres. Ele era carismático, tinha capacidade de aglutinar pessoas de várias vertentes e passava a imagem de trabalhador”, explica ele.

“Com apoio de Lula, conseguiu alavancar Pernambuco. Claro que, com o tempo, houve um declínio, até por causa de sua morte. Mas seus sucessores, Câmara e Geraldo Júlio, ainda estão aí”, diz.

Próximo a Arraes e Eduardo, Carlos Siqueira conta uma história de tom premonitório sobre o destino da família: Miguel não queria que nenhum de seus dez filhos seguissem carreira política.

“Eu perguntava a ele: e seu neto Eduardo? Miguel respondia: ele faz o caminho dele, tem o jeito dele”, conta o presidente do PSB. “Arraes tinha receio de ser visto como um coronel do Nordeste, daqueles que têm a família inteira na política.”

PSB chega a 70 anos de fundação ‘rachado’ e à procura de uma liderança

Uma avaliação do blogueiro de Petrolina, Carlos Britto

Blog de Carlos Britto, Petrolina-PE.

edu e arraesUma das legendas que mais cresceram nas últimas eleições, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) completou ontem (6) seu 70° aniversário de fundação bem diferente do que surgiu.

Se com os ex-governadores de Pernambuco, Miguel Arraes e Eduardo Campos, o PSB tinha rumo, agora está sem norte e carecendo de uma liderança de peso – como eram o avô e o neto.

Em Petrolina, por exemplo, os socialistas brigaram entre eles mesmos para ver quem disputava a Prefeitura de Petrolina nas eleições de 2008 e de 2016. Se deu mal na primeira, e venceu na segunda.

Nos dois pleitos, porém, as feridas ficaram expostas a ponto de um dos principais nomes da legenda – o senador Fernando Bezerra Coelho – estar sendo cortejado por outros partidos. E não será surpresa se, para 2018, ele estiver num novo endereço.

Por enquanto é muito cedo afirmar o que pode acontecer ao PSB, que apoiou o impeachment da presidente Dilma Roussef e, inicialmente, chegou a respaldar o governo de Michel Temer, mas depois caiu fora. Todos os atos, porém, implicam em consequências. Muito em breve se saberá quais delas ficaram reservadas aos socialistas.