Plenária da militância vai organizar ato com Lula no Recife, no dia 28 de agosto, sexta-feira, 16 hs, no Pátio da Igreja do Carmo.

A agenda de Lula em Pernambuco está sendo preparada pela coordenação do PT estadual e da Frente Brasil Popular.

lula.Com previsão de permanência no Estado entre os dias 24 e 26 de agosto, já está confirmado o ato “Pela Democracia, pelos Direitos e por Lula”. O  ato será realizado no Pátio da Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Recife, na sexta-feira, 25/08, às 16h.

O objetivo do ato será a defesa da Democracia, protestar contra o presidente ilegítimo Temer, combater as reformas que retiram os direitos dos trabalhadores, defender as diretas já e a Constituinte. A manifestação também será em solidariedade e em defesa do ex-presidente Lula, denunciando que eleição sem Lula é uma fraude.

Nesta sexta-feira, 18/08, às 17h, no Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco – Sinttel (Rua Afonso Pena, 333, Boa Vista), acontece uma reunião com a militância dos movimentos sociais para  organizar e intensificar as mobilizações para o ato.

“Lula é muito querido pelo povo pernambucano, que reconhece a prioridade que os seus governos asseguraram para as pessoas e regiões mais pobres. Temos certeza que, quando souberem da vinda dele ao nosso Estado, as pessoas vão querer comparecer e externar o carinho e a confiança que sentem por ele”, afirmou Bruno Ribeiro, presidente do PT estadual, ao comentar a expectativa de grande mobilização.

“Lula para nós, trabalhadores, representa a retomada do desenvolvimento, a retomada do emprego. A retomada das nossas conquistas. Por isso, defender Lula é defender a democracia , defender nossos direitos e a esperança do povo brasileiro.  Deram um golpe nesse País e precisam interditar a principal liderança capaz de retomar a democracia. Não vamos aceitar que um juiz partidário, que se ele não fosse partidário teria prendido de esposa de Cunha e investigado o PSDB, tente condenar Lula sem provas”, afirmou Carlos Veras, presidente da CUT PE, entidade que compõe a Frente Brasil Popular, no estado.

A direção do PT de Pernambuco, suas lideranças parlamentares e os dirigentes dos movimentos sindicais e sociais estão finalizando e definindo as demais atividades da caravana Lula pelo Brasil, em Pernambuco. A intenção dos petistas pernambucanos é realizar manifestações de apoio e defesa do ex-presidente durante toda a sua permanência no Estado.

Diego Brandy: Eduardo Campos e a máquina do tempo. “Lembrar Eduardo Campos é ter saudade do futuro que não foi.”

UM TEXTO PUBLICADO NO DIARIO DE PERNAMBUCO

DIOGODiego Brandy é o publicitário marketeiro político argentino que acompanhou Eduardo Campos por dez anos, acumulando vitórias eleitorais para o socialista em Pernambuco. Ele já havia preparado a campanha política de Eduardo para a presidencia da República, naquele 2014

Não sou isento. Nem quero ser. Cheguei em Pernambuco faz mais de dez anos da mão de Eduardo. Ele começou sendo cliente, pouco depois virou amigo e logo depois família. Foi ele que construiu algum prestígio pra mim e que me fez testemunha de muitas situações que nenhuma crônica registrou. Esse prestigio criado, foi muito baseado na minha suposta capacidade de fazer prognósticos. A partir de 2012 falamos muitas vezes sobre o que podia acontecer em 2014 e analisamos diversos cenários e variáveis que poderiam influenciar no processo de criar viabilidade para uma candidatura presidencial.

Um dos raciocínios que eu colocava era que o pior que podia acontecer, perder a eleição, também era uma coisa boa porque instalava Eduardo como protagonista da cena política nacional. Claro que em todas essas prospecções do que poderia acontecer ninguém pensou no cisne negro que ocorreu no 13 de agosto em Santos. Certamente essa seria a “previsão” que eu mais gostaria ter feito na minha vida para poder driblar esse cisne.

Hoje muitas pessoas continuam me perguntando sobre a crise política no Brasil e sobre como será sua evolução. Eu até respondo algumas coisas, mas no fundo, o que penso é que a melhor solução para o Brasil seria investir um dinheiro em pesquisa científica para inventar a máquina do tempo. E imagino que não sou o único a pensar a mesma coisa,

Assim, alguém poderia acionar essa maquina e avisar Eduardo para não subir naquele avião. Então ele poderia pousar suavemente num voo de carreira para continuar sua campanha. E todos felizes. A família e os amigos, felizes. FHC, Aécio, Marina e Lula, felizes. E com o tempo, duzentos milhões de brasileiros mais felizes do que hoje. Se uma coisa pensavam igual Aécio e Dilma era na possibilidade de Eduardo ganhar porque ambos conheciam ele. Certa vez, uma respeitada jornalista perguntou-me qual era o segredo para Eduardo passar oito anos como governador com uma aprovação de 90% em média. “É muito simples, o cara é bom”, respondi. E era. Nunca Eduardo precisou do marketing.

O dia em que Marina Silva desistiu de ser candidata para declarar apoio a Eduardo, Aécio Neves ligou e perguntou brincando se não tinha um lugar pra ele naquele arranjo. Brincadeira, mas nem tanto. A última vez que Eduardo ainda como governador visitou Dilma no Planalto, a presidenta, apontando para sua cadeira, disse pra ele, brincando: “Essa cadeira vai ser sua”. Brincadeira, mas nem tanto.

O segundo turno poderia até ser um trâmite simples com o voto tucano. Mas isso é anedota. O importante é que as vítimas da tragédia de Santos não foram apenas as sete pessoas que estavam no avião, foram duzentos milhões de brasileiros. No dia seguinte, alguém colou num muro de uma estação de metrô em São Paulo um bilhete que dizia: “Eu tinha um candidato para votar e não sabia”. Como diz a melhor frase do marketing político – criada por Gilberto Gil para outros fins – “o povo sabe o que quer mas o povo também quer o que não sabe”. Não sabiam que queriam Eduardo até o dia da tragédia, mas iriam ter tempo pra saber.  Milhões de brasileiros choraram poucos dias depois ao ver chorar o povo mais humilde de Pernambuco se despedindo de Eduardo Campos. Quantos políticos brasileiros conseguiriam que o povo chore por eles sem pagar por isso uma nota de cem? A história dos povos sempre é feita por forças maiores que os seus protagonistas, mas a história dos protagonistas pode sim marcar o ritmo da história de um povo. Protagonista na tragédia grega é o primeiro – protos – a agonizar, a morrer. Sem o protagonista a agonia só se arrasta, se estende.  Quem vive no Brasil hoje, sem protagonistas, entende disso.

Na biografia do homem dirá que ele viveu 49 anos. Isso é relativo. Ele viveu com uma intensidade que é equivalente a cem ou duzentos anos de qualquer um de nós, mais mortais do que ele. Foi com a sabedoria de tantos anos de vida que Eduardo Campos basicamente nos ensinou a distinguir quem é do bem e quem é do mal.

Ele era do bem. Se inventam tantas coisas inúteis, porque não se investe em algo que poderia ser tão útil para o país como a máquina do tempo. Lembrar Eduardo Campos é ter saudade do futuro que não foi.

Três anos após desastre aéreo, parentes de Eduardo Campos disputam legado na política

Três anos após a morte de Eduardo Campos, a família do ex-governador de Pernambuco está rachada. Hoje, ela se divide em três correntes políticas: uma do irmão, Antônio; outra do filho e da mulher, João e Renata; e uma terceira via, com a prima Marília.

edu 1Eduardo morreu no dia 13 de agosto, quando o avião em que fazia campanha para presidente da República caiu em Santos, no litoral paulista; outras seis pessoas morreram. O pernambucano, então com 49 anos, ocupava a terceira posição nas pesquisas com 9% das intenções de voto.

Na família, o cenário atual é de troca de críticas e de disputa por um poder que surgiu há décadas: a “dinastia” começou com o avô, Miguel Arraes (1916-2005), ex-prefeito de Recife e governador de Pernambuco por três vezes.

De um lado está o advogado Antônio Campos, único irmão de Eduardo. Neste ano, ele saiu do PSB – partido do clã desde 1990 e que completa 70 anos neste mês- e se filiou ao Podemos. Nas eleições de 2018, Antônio vai concorrer a deputado federal.

Na disputa, ele enfrentará o próprio sobrinho, João Henrique Campos, um dos cinco filhos de Eduardo. O jovem é visto como o sucessor político de Eduardo Campos. Recém-formado em engenharia civil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ele tem 23 anos e assumiu, em fevereiro, o cargo de chefe de gabinete do atual governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

Nesse aspecto, o jovem repetiu a história do pai, que, também aos 22 anos, virou chefe de gabinete do então governador Miguel Arraes, em 1987.

No dia de sua posse no governo, João afirmou que “ninguém deve ser pré-julgado por ser filho de A ou de B, deve ser julgado pelo serviço prestado.”

A terceira corrente é encabeçada por Marília Arraes, prima do ex-governador e, como ele, neta de Miguel Arraes. Vereadora do Recife, ela rompeu politicamente com a família ainda quando Eduardo concorria à Presidência, em 2014. Deixou o PSB, filiou-se ao PT, e deve ser a candidata do partido de Lula ao governo de Pernambuco.

Ana Arraes, mãe de Eduardo, também tem sido cortejada como parceira de chapa de pelo menos dois presidenciáveis. A BBC Brasil apurou que, dentro do PSB, o nome da matriarca é cogitado para dividir uma possível chapa com Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência.

Para isso, no entanto, ela teria de deixar o cargo de ministra do Tribunal de Contas da União (TCU), cadeira que assumiu durante o governo de Dilma Rousseff.

Direito de imagem Reprodução/Instagram Image caption João Henrique Campos é tido como herdeiro político de Eduardo Campos

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João Campos, o filho.

Uma briga ocorrida no fim do ano passado selou de vez a divisão na família Campos/Arraes. Nas últimas eleições municipais, Antônio se candidatou a prefeito de Olinda, cidade vizinha à capital, Recife. Perdeu no segundo turno, com 43% dos votos – pouco mais de 90 mil. Era sua primeira eleição, ainda pelo PSB.

Paulo Câmara, sucessor de Eduardo no governo do Estado, participou apenas de um ato de campanha de Antônio em Olinda. Isso porque o governador não quis jogar contra os candidatos concorrentes, que eram de partidos de sua base.

Renata Campos e seu filho João também não subiram no palanque de Antônio. Ao final da eleição, ele fez reclamações públicas contra a cunhada, pois se sentiu “traído” pela falta de apoio no próprio partido e na família. Antônio acusou Renata de temer que ele, como um candidato da família Campos, fizesse “sombra” para seu filho João Henrique.

“Renata não foi grata comigo. Eduardo teve minha solidariedade em vários momentos da vida dele”, disse Antônio, em entrevista coletiva logo após a derrota em Olinda. “Ela acha que qualquer candidatura, mesmo que não seja antagônica, pode fazer sombra a João. Renata finge não mandar (no PSB), numa pretensa imagem de frágil, enquanto manda nos bastidores o tempo todo.”

A reportagem contatou Renata, João e Antônio Campos, mas eles não quiseram dar entrevistas.

Depois da briga, o advogado deixou o PSB e entrou no Podemos, partido mais à direita do espectro político, pelo qual deve se candidatar a deputado federal.

Para Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, a saída de Antonio não aponta divergências na família. “Lamentamos a decisão dele, que estava há muito tempo no partido. Quem disse que necessariamente todos da família devem estar no mesmo partido? Cada um toma seu rumo”, diz.

Direito de imagem Reprodução/Facebook Image caption Depois de perder a eleição em Olinda, Antônio Campos fez críticas ao PSB e a Renata Campos

edu 3Aantonio Campos, o irmão.

A mudança de Antônio para o Podemos criou a expectativa de que sua mãe, Ana Arraes, também pudesse deixar a legenda liderada por anos por Miguel e Eduardo.

No mês passado, o senador Álvaro Dias, que deve ser candidato à presidência pelo Podemos, encontrou-se com a ministra do TCU em Pernambuco. Depois da reunião, circulou entre os pessebistas a possibilidade de Ana ser candidata em uma chapa com o parlamentar.

O senador confirmou o encontro, mas disse que eleições não foram o assunto. “Nós conversamos sobre a filiação de Antônio. Até pelo cargo que ela ocupa no TCU, não poderíamos tratar de candidatura”, afirmou Dias, em entrevista à BBC Brasil.

O nome da matriarca é cotado ainda como vice de Alckmin em uma eventual candidatura do tucano à Presidência. Quem articula essa aliança é o vice-governador de São Paulo, Marcio França (PSB), aliado de Alckmin e próximo à família Arraes.

Em 2018, França vai assumir o governo depois que Alckmin deixar o cargo de governador para concorrer à Presidência. Com Ana Arraes na chapa, o tucano teria um nome forte no Nordeste, região que historicamente dá vitórias ao PT. Já França, caso consiga conjurar a manobra, ganharia força para um eventual apoio do PSDB a sua candidatura ao governo de São Paulo, segundo a BBC Brasil apurou.

O problema é que Ana, que tem 70 anos, não estaria disposta a deixar seu cargo no TCU. E, em dois anos, ela deve virar presidente do tribunal.

Um deputado ligado à família, que preferiu não se identificar, resumiu a situação: “Acho muito difícil dona Ana se candidatar a algum cargo. Se for pelo PSB, ela estaria numa corrente contrária a de seu único filho vivo, Antônio. Se for pelo Podemos, estaria contra a história de seu outro filho, Eduardo.”

Direito de imagem Divulgação/TCU Image caption Ana Arraes é cotada para ser candidata a vice de Geraldo Alckmin nas eleições do próximo ano

edu 4Ana Arraes, a mãe.

Outra dissidente da família Campos é Marília Arraes (PT), de 33 anos, vereadora do Recife eleita com 11.800 votos. Prima de Eduardo, ela deixou o PSB por divergências com o partido. Em entrevista à BBC Brasil, disse que a sigla não é mais a mesma da época em que era comandada por seu avô Miguel.

“Ideologicamente o partido estava em outro campo, o da esquerda. Hoje, é um serviçal do PSDB “, afirma. No segundo turno das eleições de 2014, o PSB apoiou o tucano Aécio Neves – historicamente, a legenda apoiava candidatos petistas. O próprio Eduardo foi ministro de Lula.

Por outro lado, pessoas próximas à família disseram à reportagem que, em 2014, Marília quis se candidatar a deputada federal, mas teve a legenda negada pelo primo, então presidente do PSB.

No próximo ano, Marília deve ser a candidata do PT ao governo de Pernambuco. Nas redes sociais, ela aparece em fotos ao lado do ex-presidente Lula, também pernambucano e considerado um bom cabo eleitoral no Estado.

Hoje, Marília é oposição a Geraldo Júlio (PSB), prefeito do Recife, e a Paulo Câmara – os dois foram indicados por Eduardo. Um ano antes da eleição, Câmara enfrenta dificuldades: o Estado vive uma escalada da violência e ele é rejeitado por 74% dos eleitores, segundo uma pesquisa de abril.

Câmara e Geraldo Júlio são investigados por suspeita de participação no superfaturamento da Arena Pernambuco, construída pela Odebrecht. Eduardo também foi citado na Operação Lava Jato por irregularidades.

Para parlamentares ouvidos pela reportagem, Marília é a que mais se aproxima ideologicamente do avô Miguel Arraes, um político de esquerda com forte atuação na área social. “Não tenho pretensão de dizer em qual lado Miguel Arraes estaria, mas posso dizer em qual ele não estaria, que é esse projeto liberal e entreguista do PSB hoje”, afirma ela.

No entanto, a vereadora não deve ter apoio de toda a família nas eleições, pois a tendência é de que Renata e João permaneçam ao lado de Paulo Câmara.

Direito de imagem Ricardo Stuckert/Instituto Lula Image caption Marília Arraes, vereadora do Recife, deve ser candidata do PT ao governo de Pernambuco

edu 5Marilia Arraes, a prima.

A crítica de Marília sobre as condições ideológicas do partido é repetida por filiados mais antigos do PSB. A sigla está dividida entre redirecionar sua trajetória mais à esquerda ou se projetar à centro-direita de vez.

Na votação da Câmara que rejeitou a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB), essa divisão ficou latente: 22 deputados votaram pelo prosseguimento das investigações e 11 votaram pelo arquivamento. A executiva da legenda havia decidido ficar contra Temer, mas a líder da agremiação, Tereza Cristina, votou a favor do presidente.

Na votação da reforma trabalhista, em abril, 14 parlamentares votaram favor da medida e 16, contra. Eduardo Campos afirmou em 2014 que era contra mudanças na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Para Carlos Siqueira, a “divisão do partido” ocorre apenas na bancada da Câmara. “A bancada é uma instância do partido, não ele inteiro. Pessoas que divergem devem arrumar seu rumo, ou se adaptar às posições históricas do partido. Mas a decisão de entrar ou ficar é pessoal”, disse.

edu e arraes‘Eduardismo’ o legado de Arraes, o avô.

Segundo Adriano Oliveira, cientista político e professor da UFPE, a imagem de Eduardo Campos ainda influencia a escolha do eleitor pernambucano. Por isso, a briga por seu legado.

O pesquisador explica o “eduardismo”, conceito que ele associa ao lulismo: “Eduardo conseguiu ser uma quase unanimidade: tinha eleitores em todas as faixas sociais, dos mais ricos aos mais pobres. Ele era carismático, tinha capacidade de aglutinar pessoas de várias vertentes e passava a imagem de trabalhador”, explica ele.

“Com apoio de Lula, conseguiu alavancar Pernambuco. Claro que, com o tempo, houve um declínio, até por causa de sua morte. Mas seus sucessores, Câmara e Geraldo Júlio, ainda estão aí”, diz.

Próximo a Arraes e Eduardo, Carlos Siqueira conta uma história de tom premonitório sobre o destino da família: Miguel não queria que nenhum de seus dez filhos seguissem carreira política.

“Eu perguntava a ele: e seu neto Eduardo? Miguel respondia: ele faz o caminho dele, tem o jeito dele”, conta o presidente do PSB. “Arraes tinha receio de ser visto como um coronel do Nordeste, daqueles que têm a família inteira na política.”

PSB chega a 70 anos de fundação ‘rachado’ e à procura de uma liderança

Uma avaliação do blogueiro de Petrolina, Carlos Britto

Blog de Carlos Britto, Petrolina-PE.

edu e arraesUma das legendas que mais cresceram nas últimas eleições, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) completou ontem (6) seu 70° aniversário de fundação bem diferente do que surgiu.

Se com os ex-governadores de Pernambuco, Miguel Arraes e Eduardo Campos, o PSB tinha rumo, agora está sem norte e carecendo de uma liderança de peso – como eram o avô e o neto.

Em Petrolina, por exemplo, os socialistas brigaram entre eles mesmos para ver quem disputava a Prefeitura de Petrolina nas eleições de 2008 e de 2016. Se deu mal na primeira, e venceu na segunda.

Nos dois pleitos, porém, as feridas ficaram expostas a ponto de um dos principais nomes da legenda – o senador Fernando Bezerra Coelho – estar sendo cortejado por outros partidos. E não será surpresa se, para 2018, ele estiver num novo endereço.

Por enquanto é muito cedo afirmar o que pode acontecer ao PSB, que apoiou o impeachment da presidente Dilma Roussef e, inicialmente, chegou a respaldar o governo de Michel Temer, mas depois caiu fora. Todos os atos, porém, implicam em consequências. Muito em breve se saberá quais delas ficaram reservadas aos socialistas.

PSB vive crise de identidade três anos após morte de Eduardo Campos

psbCom o vácuo de liderança deixado pelo presidenciável Eduardo Campos, cuja morte completa três anos no domingo (13), o Partido Socialista Brasileiro se vê na iminência de uma debandada, às voltas com divergências internas e discordâncias sobre os rumos programáticos.

Agregador e com visibilidade, Campos atraiu nomes dificilmente identificáveis com a bandeira socialista e que hoje puxam a fila de dissidências -com Heráclito Fortes (PI) à frente, mais de dez deputados dizem estar com “a faca nas costas” e devem migrar para o DEM.

Ruralistas filiados por Campos hoje batem cabeça com “socialistas históricos” como o presidente da sigla, Carlos Siqueira, em debates como o das reformas econômicas. A decisão de votar a favor da denúncia contra Michel Temer coroou a divisão pessebista na Câmara.

No dia 2, a líder Tereza Cristina (MS) orientou a bancada a votar pelo prosseguimento da ação, mas antecipou que votaria de forma diferente. Por fim, a sigla deu 22 votos a favor da denúncia e 11 contra.

O clima entre a direção e os deputados já estava azedado. Na véspera, Siqueira enviara carta a Cristina, com cópia a todos os deputados, dizendo que, se ela estivesse constrangida, que repassasse “encarecidamente” a tarefa a um vice-líder. “Achei meio machista”, ela reagiu.

Em abril, a deputada já havia sido destituída por Siqueira da presidência do diretório do PSB em Mato Grosso do Sul ao liberar o voto da bancada na reforma trabalhista, mesmo após o PSB decidir que se oporia ao texto.
A reunião que definiu a posição foi tensa, com discussões exaltadas entre Siqueira e os ruralistas.

O presidente se diz parte da “ala ideológica” do partido, que tenta preservar a memória de Miguel Arraes (1916-2005) e o programa histórico do PSB. Ele afirma que não quer passar “como leniente”.

“O DNA do PSB é de esquerda, não tem como mudar. Mas a gente pode encontrar o equilíbrio”, diz Jonas Donizette, prefeito de Campinas (SP) e presidente da Frente Nacional de Prefeitos.

Para ele, o partido precisa se modernizar. “O estatuto fala em desapropriação de terra. Nem a China comunista tem isso mais! Às vezes parece um dogma, é como se estivesse ferindo as memórias dos antigos líderes.”

Em discurso no aniversário de 70 anos do partido na quinta (10), em frente à direção e militância, Siqueira pregou “coerência”, chamou a reforma da Previdência de “insanidade” e disse que “não se pode discordar do ideário de um partido em que se entra”. Apesar de a cúpula da legenda estar presente, líderes das bancadas na Câmara e Senado faltaram ao encontro.

DIREÇÃO

Sem Campos, o comando pessebista passou a ser disputado, de um lado, pelo grupo ligado ao ex-governador, que inclui Siqueira e o atual governador de Pernambuco Paulo Câmara, e de outro, pelo vice-governador de São Paulo, Márcio França.

O paulista, favorável à incorporação de quadros não necessariamente identificados com as bandeiras tradicionais do PSB, ganha força com a perspectiva de assumir o governo de São Paulo após eventual renúncia de Geraldo Alckmin para concorrer na eleição de 2018.

“O ideal seria todo mundo pensar igualzinho, mas não vejo como isso pode acontecer”, diz França. “Se quiser ser grande, o partido não pode ser 100% homogêneo.”

Ele reconhece que a ausência de Campos “é uma avalanche, a gente perdeu o fio condutor”. E defende a aliança com Alckmin em eventual candidatura à Presidência, após anos de apoio ao PT. “O PSB manteve a posição, quem mudou foi o PT”, justifica.

Correligionários da Bahia, Paraíba e Amapá não pensam assim. Esses diretórios devem se aliar à chapa petista em 2018. A senadora Lídice da Mata (BA), por exemplo, diz que “não vê” o partido com Alckmin e diz que se a direção tivesse fechado questão em 2014 pelo apoio a Aécio, seu grupo sairia do partido.

No Sul, Beto Albuquerque, que foi vice de Marina Silva em 2014, quer que o partido o lance como candidato a presidente e só decida apoio caso fique fora de um eventual segundo turno.

“É importante que, no momento que o país vive, o PSB expresse seu pensamento. Não acho que isso colocaria em risco disputas estaduais.”

RETALIAÇÃO – PMDB pune Jarbas pelo voto contra Temer

Do Blog de Mágno Martins

JARBAS VASCONCELOSO presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (RR) enviou, há pouco, ao deputado Jarbas Vasconcelos e mais quatro parlamentares do PMDB, a decisão da executiva do partido de puni-los com a suspensão das atividades partidárias por um prazo de 60 dias, em razão de terem contrariado a orientação da liderança peemedebista na Câmara, pelo voto contra o pedido de investigação do presidente Michel Temer feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ao lado, o documento assinado por Jucá.

 

Reação de Jarbas à punição do PMDB

“No meu entendimento, essa punição oficializada, hoje, pelo partido é algo esdrúxulo e completamente sem sentido. Só reforça minha avaliação de como é fraca e despreparada a direção nacional do PMDB hoje. Fui um dos fundadores do MDB, que posteriormente deu origem ao PMDB, e ao longo de toda a minha trajetória dentro do partido, nunca vi algo parecido. O respeito às ideias e posicionamentos é algo fundamental, e o caminho pelo qual está seguindo hoje o PMDB nacional ignora completamente essa condição, que é primordial para todos que exercem a política e principalmente para quem está a frente de qualquer partido numa democracia” .

Jarbas Vasconcelos

POLÍTICA – UMA OPINIÃO ABALIZADA, MESMO NA CONTRAMÃO DAS CORRENTES DE OPINIÃO. “Adilson Gomes não vê momento ruim no PSB”

Secretário-geral do partido no Estado afirma que muitos dos que ameaçam desfiliação, vieram para o partido pelo projeto de Eduardo Campos. Ele falou em entrevista a Rádio Folha FM.

ADILSONNo momento em que completa 70 anos, o PSB sofre ameaça de uma debandada da bancada federal.

Mas isso não preocupa o secretário-geral do PSB em Pernambuco, Adilson Gomes. No partido desde 1990, ele acredita que os que ameaçam sair não têm raízes socialistas.

Segundo ele, muitos que façam em deixar a sigla, apostaram no projeto nacional do ex-governador, que morreu em agosto de 2014..

“Não (vive o pior momento). O partido vive essa ebulição que o País atravessa. Eduardo, com o projeto nacional que tinha, recebeu uma série de apoios em vários Estados.

São companheiros que vieram para o PSB pelo projeto de Eduardo. Com a morte dele, ficaram órfãos, pois não aceitam as diretrizes socialistas”, afirmou Adilson Gomes, em entrevista à Rádio Folha FM, 96,7.

Presidente TEMER pagou R$ 4,1 bilhões em emendas para os deputados para comprar votos na Câmara. Assim ele deu uma gorda contribuição ao rombo do seu governo com as contas públicas, estimado em R$ 10 bilhões

A pirataria no Tesouro não está completada, portanto. Os deputados devem votar outra vez. E segundos votos queimativos na opinião do eleitorado, a caminho de ano eleitoral, não dispensam o aumento de preço.

Texto do jornalista Janio de Freitas – Folha de S.Paulo

temer 8Reagem muito cedo os indignados com os R$ 4,1 bilhões do Tesouro Nacional empenhados pelo denunciado Michel Temer para compra de votos na Câmara contra o seu afastamento.

Deputados esfregam as mãos e abrem os bolsos: o que a Câmara derrubou foi só o primeiro dos processos criminais contra o denunciado Temer previstos pelo procurador-geral Rodrigo Janot.

A pirataria no Tesouro não está completada, portanto. Os deputados devem votar outra vez. E segundos votos queimativos na opinião do eleitorado, a caminho de ano eleitoral, não dispensam o aumento de preço.

Os R$ 4,1 bilhões deram gorda contribuição ao rombo, estimado em R$ 10 bilhões, nas previsões de Henrique Meirelles. Tiveram, assim, presença pesada nas causas do aumento de impostos nos combustíveis.

Logo, o assalto para a vitória de Temer foi duplo, ao Tesouro e aos que o desejam fora do governo. O que virá da compra de mais votos e, depois, da necessidade de cobrir novo rombo, aí, sim, dará a escala da indignação merecida.

Esta seria uma questão para discutir-se agora, em tempo de impedir o assalto enquanto Janot recheia a nova denúncia, diz ele, “sem ter pressa”. Depois, será apenas pagar em dinheiro, em custo de vida, em desemprego.

A par de uma espera estratégica, a atividade de Janot foi um tanto deslocada do denunciado Temer, por força da recondução de Aécio Neves ao Senado pelo ministro Marco Aurélio. Daí resultou que Janot veio a ser, à revelia e talvez sem saber até agora, o solucionador do impasse no PSDB, que os próprios peessedebistas não conseguiam dissolver. Aécio Neves articulara para a última sexta-feira o seu retorno à presidência do partido, com o objetivo de mantê-lo atrelado ao denunciado Temer. Janot, no entanto, reiterou a Marco Aurélio inesperado e irritado pedido de prisão de Aécio.

A articulação não resistiu ao vexame moral e aos riscos de repor na presidência do partido alguém ameaçado de suspensão do mandato e até de cadeia. No racha do PSDB, Janot fez a vitória de Tasso Jereissati. Mas Aécio Neves tem muito futuro. De problemas.

As más relações entre o denunciado Temer e escrúpulos já puderam ser vistas –pelos que se dispuseram a vê-las– na conspiração para o impeachment de Dilma Rousseff. Agora são de conhecimento geral. Não surpreenderá ninguém que apareçam, em breve, indícios de que passou do Congresso à Presidência a discussão de ações para salvar certos implicados em inquéritos. Um acréscimo ao que levou o ministro Luis Roberto Barroso a dizer, há pouco, que “a operação abafa é uma realidade visível e ostensiva”.

Sobre esses que “não querem ser punidos” e “os que continuam com o mesmos ‘modus operandi’ de achaque”, a observação de Barroso inclui uma pedra rara: “Essas pessoas têm aliados importantes em toda parte, nos altos escalões da República, na imprensa e nos lugares onde a gente menos imagina”. Por suas implicações óbvias, esse é um tipo raro de citação à imprensa por alguém da hierarquia institucional e não movido por ressentimento. Raro, mas fundado. Necessário, mas raro.

E, quando ocorre, admirável.

DENÚNCIA CONTRA TEMER: “Sou do partido dele, mas votei com a minha consciência. “

Opinião do deputado federal Jarbas Vasconcelos -PMDB-PE

JARBAS VASCONCELOSApesar de ser do PMDB. partido do presidente Michel Temer, o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) foi o primeiro a anunciar que votaria para que a denúncia contra Michel Temer fosse acolhida na Câmara dos Deputados.

Jarbas foi o primeiro deputado pemedebista a afirmar abertamente que daria voto contrário a Temer.

“Em toda minha vida pública, eu fui a favor de que se investigue denúncias graves, que é o caso. Sou do partido dele, mas votei com a minha consciência. Por isso votei para que se prossiguisse a investigação e que a defesa e a acusação se colocasse com propriedade”, afirmou.

 

Deputado federal pelo PMDB – votou contra Temer

DENÚNCIA CONTRA TEMER: “Arquivamento da denúncia foi um tapa na cara da sociedade”

Opinião do deputado federal Danilo Cabral – PSB-PE

danilo cabralPara o deputado Danilo Cabral (PSB-PE), o arquivamento da denúncia contra o presidente Michel Temer pela Câmara Federal mostra que a Casa está de costas para o povo.

Segundo ele, o que o povo brasileiro deseja era simplesmente saber a verdade sobre os graves fatos denunciados pela Procuradoria-Geral da República.

“Ao negar a abertura do processo contra o presidente, o Parlamento está dizendo que nem todos são iguais perante a lei, como preconiza a Constituição Federal. Foi um tapa na cara da sociedade”, opinou o parlamentar.

Por outro lado, segundo Danilo Cabral, a decisão pode despertar a sociedade do estado de imobilismo em que se encontra.

“Faltou o calor das ruas e a pressão sobre os parlamentares, que se sentiram à vontade para trocar seus votos por benesses e emendas. Novas denúncias contra o presidente Temer chegarão ao Congresso. A Reforma da Previdência também voltará à pauta. Se a sociedade não despertar, o Brasil não mudará”, avaliou o deputado.

Danilo Cabral foi o 478º parlamentar a votar na sessão realizada nesta quarta-feira (2). Antes mesmo da votação ser encerrada, os governistas garantiram o arquivamento da denúncia contra o presidente Temer.

Ao discursar, o deputado afirmou que seu voto foi em respeito ao povo de Pernambuco, que entende que ninguém está acima da lei, que a Justiça deve ser igual para todos, que os fatos denunciados são graves e devem ser investigados.

“Voto não em respeito ao povo pernambucano e à decisão do meu partido, o PSB”, disse no Plenário.

 

Deputado federal pelo PSB – votou contra Temer