“NUNCA VOTE NO MEDO” – Um texto de Lailson de Holanda

ARTIGO – OPINIÃO

Lailson de Holanda Cavalcante é Cartunista, Jornalista, pernambucano (Texto retirado da página do facebook do autor)

LAILSONEM 1989, votei em Ulysses Guimarães no primeiro turno. Ele, para mim, representava toda a luta contra a ditadura e a reconquista das liberdades democráticas que resultaram na Constituição de 1988.

O eleitor médio não pensou assim e optou pelo radicalismo onde Fernando Collor era a besta do apocalipse, que levaria o país de volta ao fascismo e Lula seria o paladino da Democracia, que nos livraria de todo o mal, mesmo pregando um sindicalismo oportunista.
Eu, como milhões de brasileiros, concordava com a tese de que qualquer coisa era melhor que Collor.

Elle não!

Doei desenhos para a campanha de Lula para apoiar uma luta que se afigurava como decisiva: se Collor ganhasse, as “viúvas da ditadura e seus filhotes” viriam destruir as liberdades duramente conquistadas.

Collor ganhou e cumpriu à risca o contrato com seus patrocinadores para abrir o controle das estatais para o capital estrangeiro (o que teve vantagens e desvantagens), acabou com as reservas de mercado que limitavam as importações e seguiu a receita do FMI.

Mas iniciou um processo de corrupção tão descarado que atrapalhou os interesses dos seus “patrões” e foi “impichado” e substituído por Itamar Franco, um Forrest Gump que se assessorou bem e conseguiu acabar através da ação da sua equipe econômica, capitaneada por seu Ministro da Fazenda, a inflação devastadora herdada dos tempos de Delfim e Sarney.

Lula foi eleito em 2002, com seu discurso radical amenizado pelo marketing de Duda Mendonça, recebendo logo de cara o apoio de Collor de Melo, Sarney, Renan e tantos outros (inclusive Delfim Netto, o “Czar” da economia da ditadura) que eram considerados “inimigos do povo”.

Seus dois mandatos e os dos seus dois sucessores, Dilma Rousseff e Michel Temer, dividiram o país e fizeram aparecer esquemas de corrupção piores que os de Collor de Mello.

Tentaram, por 3 vezes, implantar o famigerado “Conselho de Imprensa” para controlar os veículos de comunicação e se associaram com o que de pior havia no capitalismo brasileiro.

Agora, amigos que se consideram de direita ou de esquerda, todos sinceramente convictos de que seus candidatos são a solução para o Brasil, pedem que eu lhes diga qual o melhor e em qual dos dois eu votaria.

Se Bolsonaro ganhar, acreditam os de esquerda, como num filme de terror, zumbis racistas, homofóbicos e torturadores sairão de sob as pedras. Não os culpo por pensar assim, o candidato sempre se declarou favorável ao estado totalitário, defendeu a tortura, é racista e homofóbico, se formos nos basear nos descalabros que já disse.

Não voto nele, nem recomendo votar nele.
Haddad, por outro lado, representa tudo de ruim que aconteceu durante a gestão petista e sua campanha começou errada, devido ao personalismo de Lula que o impediu de participar dos debates, dizendo que o candidato era ele e que Haddad era apenas seu vice.

Não voto nele e nem recomendo votar nele.
Lula desafiou a Lei e o bom senso, sabendo que não poderia concorrer, mas iludindo seu eleitorado e transformando o candidato real em um “avião” de cadeia, que fazia o ridículo papel de acólito de um detento condenado, que agora, seguindo suas ordens e num reconhecimento da sua falta de personalidade, tenta dizer que ele é ele mesmo e não mais o seu mentor. Quando passou o primeiro turno dizendo exatamente o contrário.

E deixando claro que, se eleito, governaria seguindo as ordens da prisão, pois transparecia que seu interesse primordial era ajudar seu chefe a escapar da pena a que foi condenado.

Bolsonaro é um radical que não sabe o que diz e defende as ditaduras da América do Sul dos anos 60 e 70;

Haddad é uma pessoa que só sabe dizer o que seu chefe manda e se submete a mudar seu discurso para tentar atrair o voto dos indecisos e defende as atuais ditaduras da América do Sul.

Não voto em quem defende ditaduras.
Não voto em quem teme uma imprensa livre.
Não voto em quem divide o povo e insufla o medo nas pessoas.
Não voto em populistas e demagogos de direita ou de esquerda.

Bolsonaro é fruto dos descalabros ocorridos nos governos Lulistas, assim como Lula foi fruto dos descalabros ocorridos na ditadura militar.

O Brasil não está dividido em fascistas e comunistas.
Está dividido, em meio ao povo, entre antipetistas, que pedem uma resposta contra a corrupção e a incompetência ocorrida em 16 anos dos governos de Lula-Dilma-Temer e petistas, que erraram todo esse tempo, mas que nunca fizeram um “mea culpa” e que agora querem mais quatro anos para tentar desfazer seus erros e incompetências, ou avançar no que não conseguiram concluir.

O povo espera eleger alguém que possa moralizar a falta de vergonha que tomou conta desse país.

Bolsonaro foi o candidato que melhor encarnou, para a maioria, o papel desse campeão do antipetismo, assim como Lula representou o campeão do povo contra a ditadura entre 89 e 2002.

Em 89 votei no ruim contra o pior.
Como eu dizia na época, “contra Collor eu voto até no cão”. Votei. E descobri que os dois bailavam juntos sob a luz do luar.

Numa conversa com Will Eisner, como ele era pouco mais novo que meu pai (que já havia falecido), lhe pedi que me ajudasse na tomada de uma decisão importante. Ele me respondeu:
“Só você pode decidir o que é melhor, mas, não importa a sua decisão, nunca decida baseado no medo. Siga o seu coração”.
Assim eu fiz e não me arrependo.
Meu coração não está em nenhuma das duas propostas atuais e não vou votar baseado no medo de um retorno à ditadura brasileira dos anos 60, que prendeu e torturou vários amigos meus, nem no medo de que o Brasil se transforme em mais uma dessas atrozes ditaduras bolivarianistas.

Acho os quatro últimos governos petistas um desastre que já conheço. E acho Bolsonaro a possibilidade de um desastre desconhecido.
Passei essa semana postando comentários e ouvindo respostas para ver se algum dos argumentos apresentados por amigos, conhecidos e desconhecidos, tinha validade para mim.
Não encontrei nenhum, encontrei apenas razões emocionais, religiosas, medo e intolerância de parte a parte.
Só posso dizer a vocês o que aprendi.
Na hora de votar, sigam o seu coração e não os seus medos.
Eu vou seguir o meu coração.

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Lailson de Holanda Cavalcante é Cartunista, Jornalista, pernambucano.
Texto retirado da página do facebook do autor