QUE NOTÍCIA BOA – Nasce o rim biônico para dizer adeus à máquina de hemodiálise

Cientistas dos Estados Unidos estão preparando um rim artificial para implantar em doentes renais. Ele funcionará segundo a pulsação do coração dos pacientes e os liberará das máquinas de hemodiálise.

RIBO rim biônico está prestes a entrar na fase de teste humano. Ele combinará elementos eletrônicos e orgânicos e terá um tamanho similar aos órgãos cuja função assumirá.

Este avanço significará uma grande melhoria na qualidade de vida para as pessoas que dependem do dispositivo de hemodiálise externo para sobreviver. Na hemodiálise, o sangue do paciente flui através de um filtro que remove resíduos prejudiciais, minerais e líquidos desnecessários.

Desta forma, o sangue é retornado ao corpo do paciente, ajudando a controlar a pressão arterial e mantendo o equilíbrio adequado das substâncias químicas, como o potássio e o sódio.

 O rim artificial está sendo desenvolvido por um grupo de universidades americanas sob o nome de “Projeto do Rim” (https://pharm.ucsf.edu/kidney) e será capaz de filtrar o sangue da pessoa com insuficiência renal continuamente, sem a necessidade de visitas ao hospital para sessões de 3 a 5 horas, como ocorre atualmente.

 RIN NO novo rim artificial oferecerá uma nova esperança às pessoas cujos rins já não podem atender às necessidades do corpo e que estão à espera de um transplante.

“Estamos criando um dispositivo bio-híbrido que pode imitar o rim e é capaz de eliminar resíduos suficientes sem que o paciente precise fazer a hemodiálise”, disse o Dr. William H. Fissell, nefrologista e professor da Universidade Vanderbilt (www.vanderbilt.edu) em Nashville (EUA).

 O rim será implantado cirurgicamente e possuirá um microchip de silício que funcionará como um filtro, bem como células de rim vivas que, de acordo com o Dr. Fissell, “funcionarão sob o impulso do coração do paciente, filtrando a corrente sanguínea que passa por ele”.

“A chave para este dispositivo é o microchip, que utiliza os mesmos processos de nanotecnologia de silício, que foram desenvolvidos pela indústria de microeletrônica para computadores e equipamentos informáticos”, afirma o nefrologista.

Ele será composto de componentes biológicos e tecnológicos e seu tamanho será semelhante ao de uma pequena lata de refrigerante. De acordo com seus criadores, este dispositivo está fora do alcance da resposta imune; isto é, das defesas do próprio organismo, afirmando que o corpo não o rejeitará.

Fissell ressalta que há uma longa lista de pessoas em diálise que estão ansiosas para participar do primeiro teste, que podem começar em breve e ser completado até 2020.

GENTE QUE O BRASIL NÃO PODE ESQUECER – DON HELDER CÂMARA, o “DON DA DA PAZ” dedicou sua vida ao povo oprimido brasileiro e a Democracia que vivemos ainda hoje.

Braziliaanse bisschop Don Helder Camara bij eucharistieviering in Den Bosch; tussen de deelnemers aan de Pax Christi voettocht *27 oktober 1974

Don Helder

Pregava uma Igreja simples, voltada para os pobres, e a não-violência. Foi grande defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar no Brasil.

Dom Hélder Pessoa Câmara nasceu em Fortaleza-CE, em 7 de fevereiro de 1909 e faleceu no Recife em 27 de agosto de 1999, aos 90 anos de idade. Foi um bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife.

Foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e grande defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar no Brasil.

Pregava uma Igreja simples, voltada para os pobres, e a não-violência. Por sua atuação, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Foi o brasileiro por mais vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz, com quatro indicações. Pressões politicas do governo brasileiros e seus acordos imperialistas internacionais sempre impediram essa premiação

A Lei nº 13.581, de 26 de dezembro de 2017, declarou Dom Helder Câmara como Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos.

GENTE QUE O BRASIL NÃO PODE ESQUECER – ULISSES GUIMARAES, homem íntegro, um líder que dedicou sua vida ao povo brasileiro e a Democracia que vivemos ainda hoje.

ulissesCom Tancredo Neves, Orestes Quércia, Leonel Brizola, Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva e Franco Montoro, Ulysses liderou novas campanhas pela redemocratização, como a das eleições diretas, popularmente conhecidas pelo slogan Diretas Já.

Em 1º de fevereiro de 1987, tomou posse como presidente da Assembleia Nacional Constituinte, responsável por estabelecer nova Constituição democrática para o Brasil após 21 anos sob ditadura militar.

Ulysses morreu em um acidente aéreo de helicóptero no litoral de Angra dos Reis, sul do estado do Rio de Janeiro, e seu corpo nunca foi encontrado.[2]

Ulysses Silveira Guimarães nasceu em Itaqueri da Serra- SP em 6 de outubro de 1916 — morreu num acidente de helicóptero que caiu no mar de Angra dos Reis no Rio de Janeiro em 12 de outubro de 1992, foi um político e advogado brasileiro, um dos principais opositores à ditadura militar. Seu corpo nunca foi encontrado

Foi presidente da Câmara dos Deputados em duas ocasiões distintas e também candidato à presidência da República na eleição de 1989. Inicialmente, apoiou o golpe de 1964 contra o presidente eleito João Goulart, mas logo passou à oposição e passou a lutar pela volta da democracia.

UM TEXTO DE VANDECK SANTIAGO – Alguém imagina que, em um momento decisivo para a nação, líderes como Mário Covas, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Miguel Arraes se omitissem?..

Vandeck Santiago é jornalista do Diario de Pernambuco

Alguém imagina que, em um momento decisivo para a nação, líderes como Mário Covas, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Miguel Arraes se omitissem?..

tancredoEstes daí nunca se omitiram. Em momentos assim, colocaram em risco a carreira, a segurança de si e dos familiares, e até a própria vida.

Há um nome para isso.

Bravura cívica.

Tancredo Neves é um ótimo exemplo.

Na reunião feita às vésperas do suicídio de Getúlio Vargas, Tancredo, seu ministro, defendeu a resistência contra o golpe que se armava. Getúlio, pouco antes do gesto em que saiu da vida para entrar na história, lhe deixou a sua caneta Parker, dizendo: “Para o amigo certo das horas incertas”.

Tancredo recusou-se a votar no primeiro presidente do regime militar, em 1964, quando quase todos os seus colegas o fizeram.

Quando João Goulart morreu, em 1976, muitos temeram ir ao sepultamento. Tancredo, não. Olhem as fotos daquele dia: Tancredo estava lá, assim como esteve no de Getúlio, em 1954, ao lado do caixão.

Fez oposição à ditadura ate o fim. Sem radicalismo, mas constante.

Quis o destino que fosse ele o fiel da balança para assegurar a transição do autoritarismo para a democracia, em 1985.

Tancredo nunca foi um radical. Era um democrata.

Um líder que nunca se omitiu.

GENTE QUE O BRASIL NÃO PODE ESQUECER – MIGUEL ARRAES, dedicou sua vida ao povo brasileiro e a Democracia que vivemos ainda hoje.

 Miguel_ArraesConsiderado defensor intransigente dos pobres, o nome do ex governador de Pernambuco, exilado durante a ditadura militar, foi incluído no Livro dos Heróis da Pátria no dia 25 de setembro de 2018.

Miguel Arraes de Alencar (nasceu no Araripe-CE em 15 de dezembro de 1916 — morreu em Recife, 13 de agosto de 2005) foi um advogado, economista e político brasileiro foi prefeito da cidade de Recife, deputado estadual, deputado federal constituinte e por três vezes governador de Pernambuco.

Com o golpe militar de 1964, tropas do IV Exército cercaram a sede do governo estadual o Palácio das Princesas. Foi-lhe proposto que renunciasse ao cargo para evitar a prisão, o que prontamente recusou para, em suas palavras, “não trair a vontade dos que o elegeram”. Em consequência, foi preso na tarde do dia 1º de abril de 1964.

Deposto, foi encarcerado em uma pequena cela do 14º Regimento de Infantaria do Recife, sendo posteriormente levado para a ilha de Fernando de Noronha, onde permaneceu por onze meses. Posteriormente, foi encaminhado para as prisões da Companhia da Guarda e do Corpo de Bombeiros, no Recife, e da Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

Seu pedido de habeas corpus (HC) no Supremo Tribunal Federal foi protocolado em 19 de abril, sob o número 42.108. O então procurador-geral da República, Oswaldo Trigueiro, opinou pela manutenção de sua prisão. Libertado em 25 de maio de 1965, exilou-se na Argélia.

Durante o exílio, foi condenado à revelia, no dia 2 de março de 1967, pelo Conselho Pernambucano de Justiça da 7ª Região Militar. A pena, de 23 anos de prisão, pelo crime de “subversão”.

Em 1979, com a anistia, aconteceu o retorno de Miguel Arraes ao Brasil. Cerca de 50 mil pessoas estiveram presentes no bairro de Santo Amaro para o comício de boas-vindas.

Morreu aos 88 anos, em 2005, no exercício de seu último mandato político.

Miguel Arraes de Alencar, um homem que dedicou sua vida ao povo brasileiro e um dos responsáveis pelo bom momento democrático que o Brasil vive.

Ditadura Militar, nunca mais.

INTERNET – Redes sociais atraem ‘avalanche’ de votos e viram protagonistas nas eleições

REDES 5Militância virtual abriu nova fronteira para a corrida às urnas ao eleger deputados que conquistaram milhares de eleitores pelo WhatApp, Twitter, Facebook e YouTube

Construir militância virtual forte, capaz de disseminar pelas redes sociais a mensagem e o trabalho da campanha nas ruas, foi a receita de sucesso dos candidatos que ficaram entre os mais votados para o Legislativo estadual e o federal na eleição do último domingo.

Ao contrário dos pleitos anteriores – quando as campanhas levavam em consideração apenas o número de curtidas e seguidores –, os postulantes que conseguiram se eleger tiveram, além de base grande de seguidores, engajamento forte, conseguindo viralizar seu posicionamento social e contra a corrupção.

“As ferramentas digitais são essencialmente bilaterais, de diálogo. Não adianta ter muitos seguidores e tentar empurrar o conteúdo. Aquela história de inflar perfil, comprar seguidores, como em 2010 e 2014, é estupidez. O que vale é engajamento, para que a mensagem reverbere. Quem teve sucesso em 2018 é porque a militância ‘comprou’ a campanha”, avalia Marcos Marinho, consultor político, doutorando em comunicação política pelo Instituto Universitário de Lisboa.

Em Minas Gerais, um caso emblemático é o do advogado André Janones, terceiro mais votado para deputado federal, que teve ascensão meteórica depois de se tornar um porta-voz dos caminhoneiros durante a paralisação de maio.

Advogado de Ituiutaba, ele passou a transmitir vídeos ao vivo da BR-365, no Triângulo Mineiro, a favor dos caminhoneiros e endereçando críticas ao governo.

O discurso duro rendeu milhares de compartilhamentos, vídeos com mais 15 milhões de visualizações, quase um milhão de seguidores no Facebook e, no último domingo, 178.657 votos.

“Eu tinha atuação local, com 70 mil seguidores no Facebook. Ao fim das manifestações, 600 mil. Hoje, um milhão, mesmo falando de outras demandas da sociedade”, conta Janones, que usou o Facebook como porta de entrada para quem queria conhecer o seu trabalho.

A estratégia: a partir de lives no Facebook, começou a consolidar uma rede de contatos de WhatsApp, que ao fim da eleição, era de 14 mil números – todos interessados a receber as notícias do candidato. “As redes sociais alavancaram meu trabalho. Acredito que eu teria uns 40 mil votos, na minha região. Tive 178 mil votos, em todas as regiões de Minas”.

Mensagens Eletrônicas

Nos outros estados, influenciadores se elegeram graças ao YouTube. Em Brasília, Luis Miranda – que ficou conhecido pelo Canal Miranda USA, que tem 735.390 seguidores –, foi o sexto mais votado, pelo DEM. Ele se mudou do Brasil em 2014, segundo seu canal, indignado com os gastos públicos da Copa do Mundo.

 Em Miami passou a dar dicas de empreendimentos, exibindo o dia a dia da vida nos Estados Unidos. “Foi com vocês, da internet. Fomos eleitos por pessoas honestas e inteligentes, que não acreditam em fake news”, disse Miranda, ao anunciar a vitória em seu canal.

Com rede articulada, que cresceu de forma organizada e acelerada nos últimos anos, o PSL conseguiu eleger deputados que ganharam notoriedade nas redes com discurso anticorrupção. No Ceará, André Fernandes foi o deputado estadual mais jovem eleito em 2018.

Com apenas 20 anos, o youtuber, estudante de marketing político, tem 493 mil inscritos e foi eleito pelo PSL, com o discurso contra privilégios e contra o governo de Camilo Santana (PT).

Em São Paulo, o PSL conseguiu uma dobradinha. Deputado mais votado da história, Eduardo Bolsonaro tem hoje 2 milhões de seguidores no Facebook, 666 mil no Twitter e 200 mil no Youtube e se tornou, no último mês, porta-voz da situação médica do pai, Jair Bolsonaro – o presidenciável com mais seguidores no Facebook, com 7,8 milhões.

A segunda mais votada foi a jornalista Joyce Hasselmann, com 1.843.735 votos. A paranaense, com passagem por rádios, revistas e TV, se fortaleceu no YouTube, com 927.364 inscritos.

“Mamãe, Falei”

Na Assembleia paulistana, o segundo mais votado é Arthur do Val (DEM), conhecido pelo canal “Mamãe, Falei”, com quase um milhão de inscritos. Ele foi apoiado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), de forte ativismo nas redes sociais em oposição ao governo do PT, que também elegeu Kim Kataguiri (DEM), quinto mais votado para deputado federal. Kataguiri também está próximo da casa de 1 milhão de curtidas no Facebook.

Para o consultor político Marcos Marinho, o WhatsApp foi fundamental para transmitir a mensagem. “Os players de 2018 estão construindo sua base e militância desde 2013. Muitos dos campeões de votos, que se elegeram pela primeira vez, foram notoriedade em algum momento”, afirma Marinho, que destaca o poder do WhatsApp nestas eleições.

“O WhatsApp é terra de ninguém. Ele não é uma rede social, é um mensageiro eletrônico. Ele ‘clusteriza’ grupos e dentro deles, cria sentimento de pertença. Ali você cria uma bolha muito hermética. Você expõe suas verdades de maneira mais brutas e rudes”, afirma.

NUMEROLOGIA NA POLÍTICA – Dos 25 deputados federal eleitos por Pernambuco, 13 usaram números de campanha repetidos

numeroCuriosidade sobre o resultado da eleição pra Deputado Federal aqui em Pernambuco: dos 25 deputados eleitos, 13 deputados usaram o número de campanha com o número duplicado do respectivo Partido.

Informação enviada por Marcos Paiva

 4040 João Campos
2020 André Ferreira
1717 Luciano Bivar
5151 Pastor Eurico
5151 Pastor Eurico
1111 Eduardo da Fonte
1010 Silvio Costa Filho
1010 Silvio Costa Filho
2323 Daniel Coelho
1515 Raul Henry
1212 Tulio Gadelha
1919 Ricardo Teobaldo
7777 Augusto Coutinho
3131 Fernando Rodolfo

“Intolerância política: o desafio de conviver com as divergências” –

Brasil dividido em dois

reportagem (Grupo Sinos) |Texto | GABRIELA DA SILVA e KELLY BETINA
 into 2Até a intolerância tem o seu lado positivo. (Grupo Sinos)

Não tolerar a corrupção, mentiras, injustiça, desigualdade, faz parte de um movimento em favor da sociedade.

A falta de tolerância encontra o lado negro da força quando se fixa na negação da existência do outro, quando falta a capacidade de lidar com diferentes modos de pensar.

Fã de História e política, o microempresário José Moacir Linhar, 60 anos, gosta de expor seu ponto de vista quando se trata de falar sobre o momento que o Brasil vive atualmente. “A política tem que ser discutida. Se a gente deixar que outras pessoas a discutam pela gente, vamos estar às margens (…) Muitas pessoas não discutem política e elas ficam reproduzindo frases de outras pessoas sem buscar conhecimento”, observa.

Defender sua opinião, porém, nem sempre significa conquistar novos amigos. Pelo contrário. Por conta de divergências de pensamento político, Linhar conta que um conhecido chegou a ofendê-lo dentro de um supermercado e hoje desvia na rua para evitar conversa.

“Ele se achava no direito de dizer as coisas, virar as costas e não ouvir minha resposta. Tanto que na última vez, na nossa discussão, ele disse um monte de coisas, falou mal, me ofendeu, e eu disse para ele que jamais deveria dirigir a palavra a mim se não pudesse me ouvir”, recorda.

Na Internet, o microempresário também já foi “excluído” por expressar suas ideias ou responder a postagens de outros usuários nas redes sociais. “Tem pessoas que agradecem, mas tem pessoas que ficam brabas. E eu já disse: se não gostar da minha opinião, se não compartilhar, se não quiser ter uma discussão limpa, então pode me excluir. Quando as pessoas só criticam e não apresentam solução, então é melhor que não façam parte do meu grupo”, opina.

Manifestantes pró (à direita) e contra (à esquerda) o impeachment ocupam a Esplanada dos Ministérios durante o processo de votação na Câmara dos Deputados ( Juca Varella/Agência Brasil)

Brasil dividido em dois

De um lado, verde-amarelo, do outro, vermelho. Ou isso ou aquilo. Não há espaço “em cima do muro” ou para a ponderação entre argumentos.

O cenário político se converteu em um Gre-Nal de opiniões. Para a auxiliar de engenharia de modelagem Salete Glaci Müller, 46 anos, um comentário em uma postagem sobre política em um perfil em uma rede social na Internet levou ao fim de uma amizade de longa data.

Ela conta que uma amiga rompeu os laços que haviam entre as duas por não concordar com sua opinião. “Eu fiquei triste por ela e por mim”, lamenta, reforçando que havia apenas escrito o que pensava, sem ter usado qualquer xingamento. “Ofensa foi o que ela fez comigo (…) Se uma pessoa tem alguma coisa que não concorda comigo, acho que tem que vir conversar, não é humilhando, nem pisando”, reflete.

Para o professor Alfredo Culleton, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), este acirramento de ânimo presente no dia a dia dos brasileiros só mostra o quão profunda é a autocrítica que cada uma das partes envolvidas têm para fazer. “Mais cedo ou mais tarde, os partidos mais importantes desse País vão ter que sentar para encontrar solução, reconhecer o que faz de errado. Se não há garantias de que não vai perder autonomia, tem condições de fazer uma autocrítica”, acredita.

O cientista político Bruno Lima Rocha, professor dos cursos de Relações Internacionais da Unisinos e ESPM-Sul, argumenta que parte do problema que acontece no Brasil atualmente vem da dificuldade em reconhecer o outro.

“A gente tem no Brasil tímidas políticas de reconhecimento, da mulher, do afrodescendente, dos grupos LGBT, dos territórios quilombolas, territórios indígenas. São tímidas, mas elas existem. Então, contrapor este mínimo de ajuste histórico, de reforço das identidades que são oprimidas, levou a um reforço por direito, se posicionando à direita do pacto de classes que representou o lulismo. É uma estupidez a direita brasileira, por exemplo, querer derrubar o governo Lula antes, agora o governo Dilma, porque são governos de direita que favorecem o empresariado, mas esse ponto de inflexão é o seguinte: esses governos reconheceram o outro e o outro não merece ser reconhecido. O outro existe desde que se subordine ao nosso padrão”, destaca.

Rocha também avalia o atual clima de tensão como consequência de um esgotamento positivo do sistema político. “A maioria dos grupos que estão organizados não tolera mais que um intermediário profissional fale em seu nome, então a gente precisaria ter uma reforma política. Como sei que isso não vai sair, a gente vive em crise de representação”, ressalta.

Adjetivações impedem o diálogo

As plataformas e aplicativos de redes sociais na Internet se transformaram em um dos principais fronts de discussão entre grupos opostos. Mas nem sempre as discussões se fixam na troca de ideias, na exposição de argumentos, e não são raras as vezes em que viram mera troca de insultos.

“As pessoas não discutem, elas adjetivam. No momento em que elas dizem ‘petralha’ ou ‘coxinha’ elas pararam e interromperam o fluxo racional, elas negaram ao outro a capacidade de ser (…) Atrás de uma pessoa que não tolera sua opinião política, esbraveja e baba, existe alguém que sente um temor imenso que seu mundo, ou o que ele imagina que seja seu mundo, desabe”, reflete o historiador Leandro Karnal, professor Doutor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Classificar alguém com um adjetivo ou substantivo que se torna uma ofensa é uma tentativa de isolar esta pessoa e impedir o diálogo, acredita Karnal. “É um problema quando eu apenas adjetivo, quando saio da capacidade discursiva e retórica de ouvir”, completa, enfatizando a importância do debate para própria capacidade de raciocinar.

“Nós devemos sempre debater, mas quando alguém arregalar os olhos, gesticular bravamente, salivar, afaste-se lentamente e concorde, porque nunca devemos tocar tambor para maluco dançar. Agora se não for isso, se alguém estiver expressando sua opinião, discuta com essa pessoa, mas lembre que não dá para salvar todo mundo da sua própria ignorância”, comenta.

“A intolerância que assusta o País e ofusca no debate eleitoral” – Texto de Ulysses Gadêlha publicado no Jornal Folha de Pernambuco

A incidência de casos de agressões físicas, nos últimos dias, em decorrência da polarização política, acendeu um sinal de alerta sobre o nível crítico que vem ganhando a disputa de segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Nas últimas duas semanas, o País tem registrado dezenas de episódios de violência cometidas em nome da intolerância política.

Situação que leva autoridades, como o presidente da OAB-PE, Ronnie Duarte, a fazer um apelo. “A gente está vendo uma escalada não só no discurso de ódio. Estamos atingindo um outro patamar, com agressões físicas. Se os candidatos não se esforçarem para distensionar e trazer a discussão para um debate da serenidade e da moderação, eles também sofrerão as consequências disso. Ano que vem, alguém vai ter que governar este país, no grau de intolerância e fúria que as pessoas se apresentam”, diz Ronnie.

Na última quinta-feira, diante da profusão de casos, finalmente o poder público sinalizou que pretende começar a coibir essas agressões: a procuradora-geral eleitoral e da República, Raquel Dodge, editou instrução aos procuradores regionais eleitorais das 27 Unidades da Federação. A instrução busca combater situações de ódio e violência que se espalham pelo Brasil .

Um levantamento inédito feito pela Agência de Jornalismo Investigativo Publica, em parceria com a Open Knowledge Brasil, mostra o tamanho desse acirramento: nos últimos 20 dias, em 18 estados e no DF, foram contabilizados 70 ataques contra a integridade física de pessoas, apenas por ódio eleitoral. Desse total, 50 deles foram responsabilidade de militantes de Bolsonaro; seis foram praticados por apoiadores petistas e 15 não têm causas definidas.

Três deles aconteceram no Recife, na última semana. Os alvos preferenciais desse embate têm sido mulheres, jornalistas e LGBTQI+. As agressões foram deflagradas pelo simples fato da vítima usar símbolos que os identificavam com algum candidato, ou com a campanha #EleNão. Uma forma extrema de pressionar o adversário a não expor sua opção política.

Fratura

A força com que a violência se aproxima das pessoas no trabalho, nos grupos de WhatsApp da família e dos amigos, e agora, também, nas ruas, aponta para uma fratura que transcende o processo eleitoral em curso, marcado pelo ódio e pelo medo. Diante da incomunicabilidade entre bolsonaristas e petistas, resta aos candidatos a responsabilidade de reconciliar a população em torno dos problemas do País, sabendo que “ninguém briga violentamente sem deixar sequelas”, segundo afirma a cientista política Priscila Lapa.

Casos
Delegada aposentada e fundadora do projeto Guerreiras do Calendário (que combate o câncer de mama), Verônica Azevedo percebe as marcas que a intolerância imprime. E conta que vem tendo dificuldades com a irmã devido ao posicionamento político. “Vi casos expressos de parentes, irmãs fazendo questão de dizer que as divergências são meramente eleitorais, mas dava para entrever o veneno se esgueirando nos diálogos. Adoro minha irmã e a maior dor é a surpresa de pessoas generosas apoiarem um fascista“, conta. “Não tenho nem meia dúzia de motivos para votar no candidato que irei votar (Haddad), mas é imperioso afirmar que tenho mais de uma centena de motivos para não votar no Bolsonaro“, admite.

Incômodo semelhante atinge o estudante universitário Luan Amaral, que chegou a cogitar mudar o sobrenome pelo nível de discordância que estabeleceu com seus familiares. Devido à sua opção contra Bolsonaro, o estudante relata que recebeu ataques de primos no perfil do Facebook. “Disseram que eu era injusto, hipócrita, falso moralista, foi gratuito e pessoal o ataque. Eles me atacaram de forma covarde e eu me mantive em silêncio todo o tempo”, lamentou.

O professor do departamento de Filosofia da UFPE, Rodrigo Jungmann, eleitor de Jair Bolsonaro, também foi alvo de hostilidade na última terça, quando promoveu a exibição do filme “Bonifácio, O Fundador do Brasil”, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas, no Recife. O docente relatou o mal-entendido de estudantes da universidade, apoiadores de Haddad, que achavam que a exibição do longa tinha caráter de promoção da candidatura bolsonarista.

Há vídeos circulando no Facebook onde Jungmann aparece gravando uma multidão de jovens o insultando de “fascista”, algo recorrente em sua atividade acadêmica, marcada por um perfil conservador. “Pessoalmente, deploro qualquer excesso, venha de onde vier. Agora, no tocante ao meu metier, ao que eu conheço e vivo, que é o ambiente acadêmico, posso afirmar que as agressões são quase que exclusivamente da esquerda”, diz.

Freios

O filósofo espanhol Manuel Castells, em seu livro “Ruptura (A Crise da Democracia Liberal)”, insere o Brasil numa rota de países acometidos por um colapso gradual do modelo político de representação. Castells argumenta que há um conflito de interesses entre governantes e governados, onde a globalização aparece como fator opressivo. E como agravante, a crise econômica – engatilhada em 2008 e potencializada, no Brasil, a partir de 2013 – cumpre um papel de polarizar ainda mais a população em razão do sofrimento empreendido na superação das perdas financeiras, com o desemprego, o endividamento, a perda de poder de compra e de direitos trabalhistas.

A arena política, por sua vez, reflete as mudanças que se empreendem no contexto socioeconômico. O cientista político Marcos Nobre, professor da Unicamp, qualifica o atual pleito como “a eleição da vingança“, levando em conta o retrospecto desde 2014, quando se instalou uma polarização – já bastante retesada nas redes e nas ruas – entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Quando o senador tucano resolveu não aceitar o resultado das urnas, “com ações na Justiça e a convocação de manifestações de rua”, e no contexto da Operação Lava Jato, que passou a motoniveladora no sistema político, Bolsonaro entrou em campanha.

“Até 2014, PSDB e PT tinham conseguido conter os ódios respectivos dentro dos limites institucionais”, explica. A questão é que, após esse gesto de renegar o produto da eleição, “o ódio antipetista ficou solto na rua, pronto para ser canalizado não só fora das instituições, mas, sobretudo, contra elas”, considera o analista. O “nós contra eles” de 2014 é completamente diferente do atual, porque “Bolsonaro convenceu que tem as credenciais para ser o exterminador do PT e do sistema político, que, para seu eleitorado, nenhum outro partido representa tão bem como o PT”, argumenta.

Os petistas, por sua vez, levaram parte do eleitorado ao outro lado da polarização, numa candidatura antissistema. “A ideia desse discurso é mais ou menos a seguinte: se o PT é igual a todos os outros, se é farinha do mesmo saco, por que apenas Lula está preso e por que apenas Dilma Rousseff foi apeada do poder?”, resume Nobre.

Para o professor de Ciência Política da Unicamp Oswaldo do Amaral, a maior vantagem da democracia e das eleições é “evitar que a gente se mate”. “As eleições têm freios, e esses freios foram afrouxados”, explica Amaral. “É como num jogo. Se você não acredita mais que as regras são cumpridas, seu incentivo para descumprir aumenta”, pondera.

O pesquisador Alberto Carlos Almeida aponta Bolsonaro como um dos principais responsáveis pela eclosão da violência. “Ele está incentivando a violência quando faz o gesto de armas, quando, no Acre disse que vai metralhar os petralhas. E isso atrapalha a militância de Haddad, porque as pessoas se inibem de demonstrar seu pensamento, de se expor”, aponta.

Solução
Diante dos agressões físicas e da guerra nas redes, especialistas cobram das autoridades e dos candidatos a adoção de providências contra a violência. “O Judiciário e o Ministério Público estão sendo displicentes em relação ao discurso e aos atos da extrema direita. São severos em relação aos movimentos sociais, mas deixam a extrema-direita pregar a volta da ditadura”, diz o sociólogo Rudá Ricci. “O Estado brasileiro não está cumprindo a sua função constitucional de defesa da ordem democrática”, aponta, citando o caso da jovem marcada a canivete com uma suástica nazista, no Rio Grande do Sul.

Já o cientista político Marcos Nobre pondera que a eleição não vai resolver a fratura exposta do País. “Para o eleitorado que não aderiu à lógica da vingança, a questão central tem a ver com o futuro, com as consequências, com tudo aquilo que não conta na lógica da vingança”, avalia. “Talvez possa ser formulada assim: qual o caminho menos pior para tentar recompor aquele conjunto básico de regras que permite o convívio das diferenças sem violência e que costuma receber o nome de democracia?”, indaga.

“NUNCA VOTE NO MEDO” – Um texto de Lailson de Holanda

ARTIGO – OPINIÃO

Lailson de Holanda Cavalcante é Cartunista, Jornalista, pernambucano (Texto retirado da página do facebook do autor)

LAILSONEM 1989, votei em Ulysses Guimarães no primeiro turno. Ele, para mim, representava toda a luta contra a ditadura e a reconquista das liberdades democráticas que resultaram na Constituição de 1988.

O eleitor médio não pensou assim e optou pelo radicalismo onde Fernando Collor era a besta do apocalipse, que levaria o país de volta ao fascismo e Lula seria o paladino da Democracia, que nos livraria de todo o mal, mesmo pregando um sindicalismo oportunista.
Eu, como milhões de brasileiros, concordava com a tese de que qualquer coisa era melhor que Collor.

Elle não!

Doei desenhos para a campanha de Lula para apoiar uma luta que se afigurava como decisiva: se Collor ganhasse, as “viúvas da ditadura e seus filhotes” viriam destruir as liberdades duramente conquistadas.

Collor ganhou e cumpriu à risca o contrato com seus patrocinadores para abrir o controle das estatais para o capital estrangeiro (o que teve vantagens e desvantagens), acabou com as reservas de mercado que limitavam as importações e seguiu a receita do FMI.

Mas iniciou um processo de corrupção tão descarado que atrapalhou os interesses dos seus “patrões” e foi “impichado” e substituído por Itamar Franco, um Forrest Gump que se assessorou bem e conseguiu acabar através da ação da sua equipe econômica, capitaneada por seu Ministro da Fazenda, a inflação devastadora herdada dos tempos de Delfim e Sarney.

Lula foi eleito em 2002, com seu discurso radical amenizado pelo marketing de Duda Mendonça, recebendo logo de cara o apoio de Collor de Melo, Sarney, Renan e tantos outros (inclusive Delfim Netto, o “Czar” da economia da ditadura) que eram considerados “inimigos do povo”.

Seus dois mandatos e os dos seus dois sucessores, Dilma Rousseff e Michel Temer, dividiram o país e fizeram aparecer esquemas de corrupção piores que os de Collor de Mello.

Tentaram, por 3 vezes, implantar o famigerado “Conselho de Imprensa” para controlar os veículos de comunicação e se associaram com o que de pior havia no capitalismo brasileiro.

Agora, amigos que se consideram de direita ou de esquerda, todos sinceramente convictos de que seus candidatos são a solução para o Brasil, pedem que eu lhes diga qual o melhor e em qual dos dois eu votaria.

Se Bolsonaro ganhar, acreditam os de esquerda, como num filme de terror, zumbis racistas, homofóbicos e torturadores sairão de sob as pedras. Não os culpo por pensar assim, o candidato sempre se declarou favorável ao estado totalitário, defendeu a tortura, é racista e homofóbico, se formos nos basear nos descalabros que já disse.

Não voto nele, nem recomendo votar nele.
Haddad, por outro lado, representa tudo de ruim que aconteceu durante a gestão petista e sua campanha começou errada, devido ao personalismo de Lula que o impediu de participar dos debates, dizendo que o candidato era ele e que Haddad era apenas seu vice.

Não voto nele e nem recomendo votar nele.
Lula desafiou a Lei e o bom senso, sabendo que não poderia concorrer, mas iludindo seu eleitorado e transformando o candidato real em um “avião” de cadeia, que fazia o ridículo papel de acólito de um detento condenado, que agora, seguindo suas ordens e num reconhecimento da sua falta de personalidade, tenta dizer que ele é ele mesmo e não mais o seu mentor. Quando passou o primeiro turno dizendo exatamente o contrário.

E deixando claro que, se eleito, governaria seguindo as ordens da prisão, pois transparecia que seu interesse primordial era ajudar seu chefe a escapar da pena a que foi condenado.

Bolsonaro é um radical que não sabe o que diz e defende as ditaduras da América do Sul dos anos 60 e 70;

Haddad é uma pessoa que só sabe dizer o que seu chefe manda e se submete a mudar seu discurso para tentar atrair o voto dos indecisos e defende as atuais ditaduras da América do Sul.

Não voto em quem defende ditaduras.
Não voto em quem teme uma imprensa livre.
Não voto em quem divide o povo e insufla o medo nas pessoas.
Não voto em populistas e demagogos de direita ou de esquerda.

Bolsonaro é fruto dos descalabros ocorridos nos governos Lulistas, assim como Lula foi fruto dos descalabros ocorridos na ditadura militar.

O Brasil não está dividido em fascistas e comunistas.
Está dividido, em meio ao povo, entre antipetistas, que pedem uma resposta contra a corrupção e a incompetência ocorrida em 16 anos dos governos de Lula-Dilma-Temer e petistas, que erraram todo esse tempo, mas que nunca fizeram um “mea culpa” e que agora querem mais quatro anos para tentar desfazer seus erros e incompetências, ou avançar no que não conseguiram concluir.

O povo espera eleger alguém que possa moralizar a falta de vergonha que tomou conta desse país.

Bolsonaro foi o candidato que melhor encarnou, para a maioria, o papel desse campeão do antipetismo, assim como Lula representou o campeão do povo contra a ditadura entre 89 e 2002.

Em 89 votei no ruim contra o pior.
Como eu dizia na época, “contra Collor eu voto até no cão”. Votei. E descobri que os dois bailavam juntos sob a luz do luar.

Numa conversa com Will Eisner, como ele era pouco mais novo que meu pai (que já havia falecido), lhe pedi que me ajudasse na tomada de uma decisão importante. Ele me respondeu:
“Só você pode decidir o que é melhor, mas, não importa a sua decisão, nunca decida baseado no medo. Siga o seu coração”.
Assim eu fiz e não me arrependo.
Meu coração não está em nenhuma das duas propostas atuais e não vou votar baseado no medo de um retorno à ditadura brasileira dos anos 60, que prendeu e torturou vários amigos meus, nem no medo de que o Brasil se transforme em mais uma dessas atrozes ditaduras bolivarianistas.

Acho os quatro últimos governos petistas um desastre que já conheço. E acho Bolsonaro a possibilidade de um desastre desconhecido.
Passei essa semana postando comentários e ouvindo respostas para ver se algum dos argumentos apresentados por amigos, conhecidos e desconhecidos, tinha validade para mim.
Não encontrei nenhum, encontrei apenas razões emocionais, religiosas, medo e intolerância de parte a parte.
Só posso dizer a vocês o que aprendi.
Na hora de votar, sigam o seu coração e não os seus medos.
Eu vou seguir o meu coração.

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Lailson de Holanda Cavalcante é Cartunista, Jornalista, pernambucano.
Texto retirado da página do facebook do autor