QUEM CONHECEU O BAR SAVOY, NO RECIFE? E os versos do Poeta CARLOS PENA FILHO?

Era na calçada do Edifício Sigismundo Cabral, na Avenida Guararapes, nº 147, que os boêmios do Recife se reversavam nas cadeiras de metal do antigo Bar Savoy, reduto de jornalistas, políticos, estudantes e artistas que, por muitos anos, viu seus espaços internos e externos serem ocupados por frequentadores ilustres e anônimos.

Fonte: Site PorAqui, texto Manuel Borges, fotos do arquivo do Diario de Pernambuco e doação de pessoas
Credito: Carlos Teixeira/DP/D.A Press. Brasil. Recife - PE. Fachada do Bar Savoy.

Credito: Carlos Teixeira/DP/D.A Press. Brasil. Recife – PE. Fachada do Bar Savoy.

Fundado em 1944 por um espanhol que se apaixonou pelo Recife, em meio à ditadura militar instaurada no Brasil, o Savoy era um diretório velado de pensadores que discutiam a redemocratização do país, mas também recebia jovens que queriam apenas se exibir e paquerar.

Intelectuais daquele período que fizeram historia no Recife, vale a lembrança de Lula Cardoso Ayres, Capiba, Ascenso Ferreira, Mauro Mota, Carlos Pena, Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho, Gilberto Freyre e de tantos outros. O Bar Savoy foi visitado por personalidades do mundo, como Jorge Amado, Heitor Villa-Lobos, Roberto Rosselini, Jean-Paul Sartre, Roberto Burle Marx e Simone de Beauvoir que, segundo registrou Edilberto Coutinho (1938/1995) em sua obra póstuma Bar Savoy (1995), deram o ar da graça no lugar.

Ficaram as lembranças. Ficaram os versos do poeta Carlos Pena Filho. Depois transformado em Frevo por Capiba e interpretado por Claudionor Germano

“ Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antônio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.”