Raimundo Carrero: Agressão a Nossa Senhora da Serra não faz sentido

Publicado no Diario de Pernambuco, edição de 04/12/2017

raimundo-carrero_g1É incompreensível. Inteiramente. Mas aconteceu. Demônios vestidos de gente queimaram a estátua de Nossa Senhora na Serra da Russinha, um monumento à paz e ao amor abençoando os viajantes, abençoando todos nós. Não sei de onde vem essa profanação, não sei de onde surge tamanha ofensa a Deus e à humanidade.

Não há nada mais belo e mais comovente do que a Mãe de Deus, Mãe de Cristo, com seu olhar de Bondade, de Carinho e de Perdão, capaz de nos transmitir afeto e ternura, esquecendo todas nossas ofensas, mesmo aquelas que vêm de pessoas que não conhecemos e que não vamos conhecer nunca. Não queremos saber sequer se existem.

Ariano Suassuna oferece seu livro póstumo – Dom  Pantero no Palco dos  Pecadores    – a Nossa Senhora . com as seguintes palavras: “À Maria, Mãe de Deus, por tudo o que significou e significa para nós.” Aliás, os gênios da humanidade sempre fazem grandes preces a Nossa Senhora, mãe de Cristo, o nosso Deus  verdadeiro e único.

De minha parte, sempre faço o que posso. Em 2012 também ofereci o meu livro Seria uma Sombria Noite Secreta  Maria, mãe de Deus. E claro que posso fazer mais, muito mais. Mas estou aqui exaltando Nossa Senhora  e rezo sempre o Terço dos Homens.

“Com meu livro Minha Alma é Irmã de Deus, em que aproveito um verso de Witman para título, pretendo questionar a ação  feminina na sociedade, com a dor e a agonia da minha personagem Camila. Tudo porque tenho sempre meu coração voltado para Jesus Cristo e para Nossa Senhora. Reconheço-me um pecador, mas procuro sempre o caminho correto. Se é que posso.

Enquanto me irrito e me rebelo pergunto como é que uma pessoa, se essa coisa pode ser chamada de pessoa, pode fazer uma coisa dessas. Questiono porque mesmo os grandes pecadores, aqueles que viam o mundo com os olhos sujos de sangue e de luxúria, reservavam sempre uma oração à Grande Mãe.

Vamos aguardar que o culpado, ou os culpados, seja identificado e que a sociedade veja o rosto da besta. Para que identificada, a besta recolha-se o seu próprio inferno, deixando de respirar conosco o mesmo ar. Enfim, pedimos perdão com uma oração doce.

__________________________

Raimundo Carrero é escritor e jornalista