Recuperação econômica passa pela retomada da confiança no país

As contas públicas são a principal preocupação para os economistas

Correio Braziliense texto de Hamilton Ferrari

Enquanto esperam o resultado das eleições, os brasileiros têm motivos suficientes para se preocupar com a economia.

Tecnicamente, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) mostram que o país já saiu da recessão, mas a sensação de melhora ainda é superficial.

Mesmo com a inflação abaixo do centro da meta de 4,5% por um ano e meio, aliada aos juros mais baixos da história, a atividade econômica está fraquíssima.

Não à toa, as taxas de desemprego e de investimentos ainda estão em seus piores níveis do século.

Os analistas apontam que, atualmente, o potencial de crescimento da economia não supera 2%, considerado um nível baixíssimo. Problemas não faltam para ilustrar o momento de baixo desenvolvimento.

Desde 2014, o Brasil debate quando a qualidade de vida das pessoas vai voltar a melhorar.

Mesmo com a retomada do crescimento de 1% em 2017, o PIB nominal (R$ 6,6 trilhões) ainda está no mesmo patamar de quatro anos atrás.

Neste ano, a economia continuou desapontando e a expansão deve ser menor do que 1,3%, segundo analistas. A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, diz que o PIB potencial do Brasil está em 1,5%, num patamar bem abaixo do que já registrou no passado.

A depender do resultado da votação, analistas preveem que a expansão ficará abaixo de 1% em 2018. O índice é muito baixo para o país que tem quase 13 milhões de desempregados e 23,3 milhões de pessoas na miséria.

Há mais incertezas do que definições. A recuperação econômica mais vigorosa depende, primeiramente, da retomada da confiança no país.

As contas públicas são a principal preocupação para os economistas. O Brasil completará, em 2018, cinco anos de deficits primários, com prazo para acabar em 2022. Com isso, a dívida pública bruta superará 77% do PIB neste ano, segundo o Tesouro Nacional.

Sem reorganizar o orçamento, as inseguranças e os riscos aumentam, levando o país a perder duas conquistas: inflação e juros baixos.

Para o Brasil voltar a crescer acima dos níveis atuais, terá de dar mais condições para o aquecimento da economia. O sistema tributário complexo e distorcido prejudica as empresas.

As inseguranças jurídicas do Legislativo, Judiciário e Executivo afastam investimentos. José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de estudos e políticas macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirmou que, ao observar o cenário de longo prazo, não é possível vislumbrar um grande aumento da produtividade.

Bônus demográfico

O especialista ressalta que o fim do bônus demográfico está próximo, em 2018, fazendo com que menos pessoas estejam aptas para o mercado de trabalho.

A partir do próximo ano, a tendência é de crescimento menor, com a população envelhecendo.

“Nós precisamos dar condições para que a nossa economia tenha mais produtividade e seja mais atrativa para investimentos. A insegurança jurídica e o sistema tributário atrasam muito o país. Quando olhamos a literatura, vemos que a maioria dos países que enriqueceram resolveram esses impasses”, explica Souza Júnior.

Para Evandro Buccini, economista-chefe da Rio Bravo Investimentos, o desenvolvimento sustentável não é resolvido de um dia para o outro. “Não tem um só um fator que é resolvido com uma canetada. A solução passa pela abertura da economia. Hoje temos muitas empresas improdutivas. Também passa pelo mercado de crédito, que precisa ser mais barato e mais horizontal, ou seja, menos incentivos para alguns setores específicos”, diz Buccini.

Por enquanto, a confiança dos empresários na economia está num nível ruim. A falta de perspectiva positiva faz com que a taxa de investimento esteja em 16% do PIB, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), muito aquém do desejado.