Temer, raposa felpuda com couro de elefante. Um texto do jornalista CARLOS SINÉSIO

CARLOS SINESIOUM TEXTO DO JORNALISTA POETA CARLOS SINÉSIO

Podem acusar o presidente Michel Temer (PMDB) de muitas coisas e de diversos crimes. Podem taxá-lo de golpista, de aproveitador e de tudo o mais o que vier à cabeça de quem não suporta o presidente. Mas é injusto não reconhecer nele a sua capacidade de articulação política para sobreviver no cargo, mesmo diante de todas as adversidades que vem enfrentando desde que substituiu Dilma Rousseff, defenestrada pelo Congresso Nacional há pouco mais de um ano.

Os advogados do presidente Michel Temer (PMDB) entregaram nesta quarta-feira, na Câmara  dos Deputados, a defesa dele para a segunda denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR).  Neste processo, Temer é acusado pelos crimes de obstrução de justiça e organização criminosa, junto com dois dos seus  ministros: Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Temer é uma raposa felpuda na política, tem couro de elefante, conhece os gabinetes, os corredores e todas as dependências do  Congresso como poucos. Sabe de que gostam os que lá habitam e, por isso, com a aparente calma de uma ovelha pastando sob o olhar vigilante do pastor, vai se mantendo na cadeira de presidente. Aos trancos e barrancos, mas vai. Mesmo com índices de popularidade beirando a zero, ele mostra força, dá provas de que é mesmo um profissional da política à moda brasileira, um especialista nesse quesito, e assim segue sua sina.

Com os congressistas que o Brasil tem, dificilmente Temer vai ser desalojado no Palácio do Planalto antes de terminar 2018, quando provavelmente vai passar a faixa presidencial para o sucessor. Conta a favor de Temer o fato de, mesmo diante da gravíssima crise política, econômica, ética e moral, a economia estar dando sinais de recuperação, mesmo que ainda muito tímidos. Não adianta contestar isso, pois quase todos os indicadores – nacionais e estrangeiros –  vêm dia a dia confirmando essa tendência.

Pois é. Temer deverá mesmo atravessar todas essas tempestades e sobreviver, para tristeza da maioria dos brasileiros. Quem estiver acreditando (ingenuamente) que ele vai ser defenestrado também do cargo pode ir tirando o cavalo da chuva, uma vez que o Congresso não vai deixar.

Aliás, já é possível ouvir pessoas, mesmo contrárias a Temer, dizerem que, a essa altura do mandato, tirá-lo para, numa eleição indireta, colocar alguém poderia não ser a alternativa mais conveniente ao País no momento. Isso poderia causar sérios impactos negativos na economia. Será mesmo? Só nos resta aguardar o desenrolar dos fatos.