UM TEXTO DE VANDECK SANTIAGO – Alguém imagina que, em um momento decisivo para a nação, líderes como Mário Covas, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Miguel Arraes se omitissem?..

Vandeck Santiago é jornalista do Diario de Pernambuco

Alguém imagina que, em um momento decisivo para a nação, líderes como Mário Covas, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Miguel Arraes se omitissem?..

tancredoEstes daí nunca se omitiram. Em momentos assim, colocaram em risco a carreira, a segurança de si e dos familiares, e até a própria vida.

Há um nome para isso.

Bravura cívica.

Tancredo Neves é um ótimo exemplo.

Na reunião feita às vésperas do suicídio de Getúlio Vargas, Tancredo, seu ministro, defendeu a resistência contra o golpe que se armava. Getúlio, pouco antes do gesto em que saiu da vida para entrar na história, lhe deixou a sua caneta Parker, dizendo: “Para o amigo certo das horas incertas”.

Tancredo recusou-se a votar no primeiro presidente do regime militar, em 1964, quando quase todos os seus colegas o fizeram.

Quando João Goulart morreu, em 1976, muitos temeram ir ao sepultamento. Tancredo, não. Olhem as fotos daquele dia: Tancredo estava lá, assim como esteve no de Getúlio, em 1954, ao lado do caixão.

Fez oposição à ditadura ate o fim. Sem radicalismo, mas constante.

Quis o destino que fosse ele o fiel da balança para assegurar a transição do autoritarismo para a democracia, em 1985.

Tancredo nunca foi um radical. Era um democrata.

Um líder que nunca se omitiu.